Alice acordou atordoada, olhando para o quarto ainda escuro. Aos poucos, as lembranças da noite anterior voltaram à sua mente, e ela se recordou de tudo o que havia acontecido.
Ao perceber como estava vestida, sentiu o rosto esquentar, mas quando olhou para o lado da cama, não encontrou Zaid ali.
Ela apenas escutava passos pelo quarto. Quando se virou para olhar, viu as criadas saindo do banheiro.
— Me desculpe, senhora. Viemos trocar os lençóis, recolher as roupas sujas e também trouxemos roupas novas para a senhora. — explicou uma delas.
Ela mostrou as roupas e as deixou sobre o criado-mudo.
— Obrigada. — respondeu Alice.
Ela se levantou, ainda desconfortável com aquela situação e com a roupa rasgada que vestia. As criadas a observavam com curiosidade, como se estivessem analisando cada detalhe para depois contar a alguém.
Alice pegou as roupas e entrou no banheiro, deixando as mulheres sozinhas no quarto.
Assim que a porta se fechou, as criadas trocaram olhares.
Uma delas se aproximou da cama e levantou o lençol, procurando algo que pudesse revelar informações ao xeique.
Então, ao encontrar uma pequena marca, arregalou os olhos surpresa.
— Ela era virgem... — disse, retirando o lençol e mostrando a outra criada, que também ficou surpresa.
Enquanto isso, Alice tomava banho, sentindo o corpo dolorido. Imaginava que aquilo era consequência da força que havia feito ao tentar afastar Zaid de cima dela.
Quando terminou, vestiu-se e saiu do banheiro, mas as criadas já não estavam mais ali.
A cama havia sido arrumada com lençóis limpos.
Ela penteou seus cabelos, ainda um pouco embaraçados, fez uma maquiagem leve e respirou fundo antes de sair para tomar café.
Enquanto caminhava pelos corredores do palácio, percebeu os olhares curiosos das criadas. Algumas cochichavam baixo, fazendo com que Alice se sentisse ainda mais desconfortável.
Ao entrar no salão, encontrou todos reunidos, conversando e comemorando algo.
Mas, assim que ela apareceu, o ambiente ficou em silêncio.
Todos voltaram os olhos para ela.
O xeique Amyr olhou para o filho com uma expressão séria e desaprovadora.
— Ensine sua esposa, Zaid. — ordenou o xeique.
Assim que terminou de falar, Zaid se levantou, aproximou-se de Alice, segurou sua mão e a puxou pelos corredores até o quarto novamente, sem dizer nenhuma palavra.
Ao entrarem, ele fechou a porta e a encarou sério.
— Você quer me envergonhar? — perguntou bravo.
Alice franziu a testa, sem entender o que havia feito de errado.
— O que eu fiz para envergonhá-lo? — perguntou, chateada.
Ele sorriu, tocando seus cabelos loiros e sedosos. Depois se aproximou, abaixando-se para sentir o perfume deles. A proximidade a deixou completamente trêmula.
— O que pensa que está fazendo? — perguntou, tentando se afastar, mas ele segurou sua mão.
— No nosso primeiro dia de casados, você deixa todos olharem para aquilo que é meu. — disse, tocando novamente em seus cabelos.
Alice se virou irritada, soltando um suspiro de raiva.
— Quem disse que eu sou sua? — perguntou, enfrentando-o.
Ele riu, como se ela tivesse contado uma piada.
— Até o momento em que eu não a repudiar, você me pertence. Você não conhece nossas leis?
— Quero que enfie essas suas leis... Eu sou a filha dos Bellucci. Você não manda em mim! — disse, furiosa.
— Você que pensa. Mas não desejo começar uma briga com você. O café já está sendo servido. Cubra seus cabelos. — ordenou friamente.
Alice sentiu ódio e raiva dele. Queria gritar, queria bater nele. Nunca imaginou que Zaid pudesse ser tão arrogante daquele jeito.
Mas ela colocaria aquele lenço, não por ele. Faria isso pela mãe dele, a senhora Naid, por quem tinha criado carinho, e também pelo maldito acordo que sua irmã havia assinado.
Alice pegou o lenço e cobriu seus cabelos, deixando apenas seu rosto à mostra.
Logo depois, os dois saíram do quarto. Ela evitava olhar para ele, seguindo à sua frente pelos corredores até o salão.

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