Alice dormiu muito mal. Estava naquela casa se sentindo entediada, já que nem com seu celular podia ficar. Nunca imaginou que seria privada de seus próprios bens materiais e dizia para si mesma que, na primeira oportunidade em que saísse daquele país, fugiria para a Itália.
— Já está pronta, senhora? O senhor me pediu para vir conferir se a senhora já está pronta. — disse a criada, entrando em seus aposentos.
— Diga a ele que demorarei mais alguns minutos. — respondeu, mentindo, querendo deixá-lo esperando de raiva.
Mas, logo que a criada saiu, não demorou muito para Zaid aparecer, entrando no quarto.
— Ainda não está pronta? Não posso me atrasar, tenho uma reunião daqui a pouco. — disse irritado, aproximando-se dela.
— Então vá sozinho. Aproveite sua viagem e seu trabalho. — respondeu friamente.
— Você gosta mesmo de me provocar. Cadê suas coisas? O que falta? Eu te ajudo.
— Não é necessário. Já terminei. — disse, pegando sua mala e passando por ele.
Mas, antes que conseguisse passar, Zaid a puxou e a pressionou contra a parede.
— Por que está tão grossa comigo desde ontem? Você me ignora e me trata friamente.
— Ainda pergunta o porquê? Fui obrigada a casar com você. Estou sendo mantida nesse lugar horrível e, ainda por cima, estou sendo privada das minhas coisas, do meu celular... Como se fosse uma prisioneira. — disse, com os olhos cheios de lágrimas.
Zaid a olhou e sentiu culpa. Sabia que estava sendo frio demais com ela e que o que fazia era errado. Mas a rejeição dela o irritava profundamente. Em sua cabeça, ela já havia saído com outros homens, mas com ele simplesmente o afastava.
— Prometo entregar o seu celular quando chegarmos ao outro país. — disse, olhando profundamente em seus olhos, tão perto que conseguia ouvir sua respiração acelerada.
Logo depois, afastou-se.
— Devemos ir.
Ele segurou sua mão e a conduziu pelos corredores até o carro. Abriu a porta para que ela entrasse e, em seguida, sentou-se ao lado dela.
Durante todo o trajeto, nenhum dos dois voltou a falar.
Alice observava a paisagem pela janela.
Logo chegaram ao aeroporto e embarcaram no jatinho particular.
— Pode ir descansar, se quiser. Tem uma suíte aqui. — disse Zaid, apontando o caminho.
Nesse momento, uma aeromoça se aproximou e falou em árabe.
— Precisa de alguma ajuda, senhor?
Alice olhou para a jovem. Ela era muito bonita e não usava véu. Seus cabelos negros estavam presos em um rabo de cavalo, e Alice sentiu uma enorme saudade de poder usar os seus daquela forma.
— Obrigado, mas por enquanto não preciso. — respondeu Zaid.
Alice sentiu um certo incômodo ao vê-lo conversando com a aeromoça, mas preferiu ignorar. Caminhou até a suíte, entrou e observou a grande cama. Em seguida, deitou-se.
Pouco depois, ouviu batidas na porta.
— Posso entrar? — perguntou Zaid, abrindo a porta apenas um pouco.
— Mudaria alguma coisa se eu dissesse que não? — respondeu ela, ainda deitada.
— Não. Mas, se fosse um pouco mais educada, talvez ajudasse nós dois a nos darmos melhor, não acha?
— Não.
Zaid respirou fundo, irritado, observando a garota deitada, ignorando completamente sua presença.
Então estendeu a mão.
— Pegue.
Era o celular dela.
Alice o pegou ansiosa para ver as mensagens e saber como estavam suas amigas.

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