Zaid entra no escritório sombrio do seu pai. Após bater na porta, ele manda entrar.
— Que bom que veio rápido. Sente-se aí. Vamos conversar.
— Ok. — Zaid se aproxima e se senta de frente para ele.
— Então, você já sabia sobre tudo isso?
Ele j**a um monte de papéis sobre a mesa. Zaid olha para as provas que ele mesmo havia investigado há muito tempo, deixando brechas para que seu pai descobrisse as coisas de que Zain era capaz.
— O que são esses documentos? — pergunta, fingindo não entender, pois sabia que, se dissesse que já sabia de tudo, seu pai poderia ficar furioso e descontar a raiva nele também.
— Seu irmão, aquele desgraçado! Maldito! Está me roubando. Como pode? Meu próprio filho armar contra o próprio pai, se aliar aos inimigos para conseguir roubar dinheiro do próprio pai.
Zaid folheia cada documento, demonstrando estar surpreso ao ver, pela primeira vez, aquelas ações de traição do irmão.
— Por Alá... Como ele pôde trair o nosso próprio povo?
— Isso é o de menos, Zaid. O pior foi ele me roubar. Roubar o próprio pai. — Amyr diz, decepcionado.
— Eu o chamei aqui para dizer que, a partir de hoje, você cuidará de tudo o que seu irmão cuidava. Ele ficará preso até que eu pense em uma punição para ele.
— Entendi, pai. Pode deixar que assumirei tudo e darei o meu melhor para cuidar de tudo. — diz, satisfeito por conseguir o que sempre lutou para conquistar durante anos.
— Bom, era só isso. Pode se retirar e vá cuidar da sua esposa. Vocês se casaram há poucos dias, e você não deu a devida atenção para ela.
— Entendo. Obrigado, meu pai. — Zaid diz, levantando-se e saindo do escritório. Um sorriso discreto surge em seu rosto. Seu irmão, aquele tolo, deixou vestígios suficientes para revelar sua traição.
Ele caminha pelo palácio em direção ao porão, onde sabia que seu irmão estaria confinado.
— Senhor, temos ordens para não deixar ninguém entrar.
Um dos homens do xeique diz, logo que Zaid se aproxima da entrada.
— Eu não sou qualquer um. Não sabe quem eu sou? — diz Zaid, autoritário, mostrando que quem mandava ali era ele. — Afastem-se. Preciso trocar algumas palavras com meu irmão.
— Sim, príncipe Zaid.
Eles se afastam, deixando a passagem livre.
Zaid caminha pelo porão escuro. O cheiro de sangue e sujeira estava impregnado por todo o lugar. Ele se lembra de que, desde criança, seu pai levava os dois até ali para mostrar como um traidor era executado. Mas agora ele não tinha mais medo. Nada mais era capaz de assustá-lo.
Ele para diante da cela trancada e vê Zain caído no chão. Seu rosto estava ensanguentado. Pelo estado em que se encontrava, era evidente que havia apanhado muito.
— Irmão... — diz, chamando-o.
Aos poucos, Zain vai abrindo os olhos, sentindo o corpo inteiro machucado. Sua mão provavelmente estava quebrada, pois ele não conseguia movê-la por causa da dor.
— Veio rir de mim, Zaid? Veio rir do meu estado? — diz, rindo, mesmo com a voz carregada de dor.
— Nunca desejei ser inimigo do meu próprio irmão, mas vocês me obrigaram a isso. Não se lembra? — Zaid diz, lembrando-se das vezes em que apanhava por culpa do irmão, das mentiras que ele inventava para o pai, das armações que faziam contra ele e sua mãe, até serem isolados e obrigados a morar em um lugar frio, sem conforto e sem alimentação. As lembranças de sua mãe ferida, sangrando e sem ter o que comer, o faziam lembrar que jamais deveria sentir pena deles.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Mafioso Obcecado pela Faxineira