Alice estava visitando um galpão que havia bastante tempo estava abandonado. Ela olhava tudo com atenção, enquanto Zuleide a acompanhava, olhando com uma expressão de quem não havia gostado do lugar.
— Senhora, realmente gostou desse galpão velho?
— Não, vê, Zuleide. O preço está muito bom, o local é ótimo para o que eu quero. Acho que aqui será ótimo para fazer nossa produção de roupas de luxo. Abrirei uma fábrica e fabricarei nossas próprias peças. Já estou procurando os melhores designers. Quero peças diferentes, únicas, e vamos aproveitar o Zaid para divulgar a marca, já que ele tem um nome poderoso.
— Senhora, você é muito inteligente. Eu mesma nunca daria nada por esse galpão velho.
Alice ri da criada.
— Então, senhora, vamos fechar negócio? Vai ficar?
O senhor se aproxima com seu funcionário e, a toda hora, olha para Alice, já que ela era uma mulher, e quem deveria ter vindo fazer o negócio teria que ser seu marido.
— Sim. Vou pedir para o meu advogado providenciar os papéis. Ele entrará em contato com o senhor e tratará de todos os detalhes — Alice diz tão naturalmente que o senhor se espanta. Em sua cabeça, como uma mulher teria advogado e resolveria esses tipos de coisas, além de ser estrangeira e falar muito bem o seu idioma?
— Obrigado. É um prazer fazer negócio com a senhora — o senhor se despede.
Alice e a criada saem. O senhor Omar aguardava no carro para levá-las, já que ele ficou encarregado de levar Alice para onde ela precisasse.
Ela chega cansada depois de um dia exausto. Havia caminhado muito atrás do que queria até encontrar aquele galpão. O preço estava muito bom; era como se tivesse ganhado na Mega-Sena. Mesmo assim, ainda faltava muito. Enviou o contato do senhor para um dos advogados do seu pai, o senhor Rafael, que sempre ajudava ela com tudo o que precisava.
Depois, também começou a enviar e-mails para alguns dos estilistas que conhecia, além de pedir opiniões para suas amigas sobre o nome de sua marca. No final, o nome escolhido havia sido Aliya Fashion.
Ela começou a criar sua empresa, a marca, o logotipo, contratou uma contabilidade e uma consultoria empresarial para ajudá-la nas questões burocráticas. Ela estava tão ansiosa que passou o dia trabalhando em tudo, já que não via a hora de anunciar para todos a sua empresa.
— Oi! Atrapalho?
Zaid entra no quarto. Alice estava com seu notebook digitando e, quando ouviu a voz dele, olhou. Mas, ao vê-lo, seu coração acelerou. Zaid estava com roupas sociais, bem arrumado, como se tivesse vindo de uma reunião importante. Seus olhos a encaravam com curiosidade.
— Oi, claro que não.
— Então, como foi? Fiquei sabendo que já escolheu o lugar. E como foi? Depois me passe que vou financiar tudo para você.
Ela abre os olhos, surpresa com o que havia ouvido.
— Vai financiar tudo? Será muito dinheiro envolvido e talvez não tenha retorno? — ela pergunta sincera, mesmo querendo que ele bancasse. Mas não ia fazer ele bancar tudo, pois ela também tinha um bom dinheiro guardado, que seus pais sempre enviavam para ela.
— Não se preocupe com dinheiro, Ali. O que não me falta é dinheiro.
Ele caminha para perto dela, ficando muito próximo.
— Não recusarei, mas tem algo que depois precisarei de você? — ela diz, e ele sorri.
— O que quiser, Ali, eu darei.

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