Zaid estava na sala do pai, olhando para aquele homem que durante tantos anos havia governado o país com determinação e sabedoria. Mas, depois de se envolver com sua segunda esposa, havia trocado tudo o que era certo pelo errado.
Usava a própria família para se beneficiar, esquecendo os votos que fizera no dia de seu casamento: cuidar e respeitar sua esposa. Mesmo tendo outra mulher, Naid deveria continuar sendo sua primeira esposa, aquela cuja voz tinha poder e que deveria ser respeitada.
Mas o que ele fez?
Tentou de todas as formas eliminá-la e tornar a segunda esposa a primeira, mudando tudo aquilo que, durante tantos anos, todos naquele palácio haviam respeitado.
Agora, estava irreconhecível.
Era um homem tomado pela ganância, que não se importava nem mesmo com o próprio filho e, muito menos, com suas esposas. Havia transformado seu próprio harém em um verdadeiro campo de guerra.
Como um homem assim ainda poderia governar um país?
Zaid pensava enquanto o encarava, ainda irritado por ele querer saber o que realmente havia acontecido com sua mãe.
— Está insinuando que estou mentindo? — o xeique pergunta, com a voz carregada de raiva.
Zaid respira fundo e o encara seriamente, deixando claro que não se deixaria intimidar, mesmo estando diante do próprio pai.
— Se o senhor pensa assim, eu só quero saber o que realmente aconteceu com a minha mãe. Não vou deixar ninguém maltratá-la. O senhor me entende?
— Vejo que voltou mais afiado. Esteve com seu sogro e agora acha que não deve ter medo de mim?
— Não tenho medo. Só sei o que é certo e o que é errado. Minha mãe é a sua primeira esposa. Se não deseja mais tê-la como sua esposa, então se divorcie. Assim, poderá ficar com a senhora Amira sem precisar humilhá-la dessa maneira.
Zaid diz isso sem medo, enfrentando o xeique, que imediatamente se irrita.
— Seguranças! — ele grita.
Três homens entram rapidamente na sala.
Zaid olha para o pai e não recua.
— O que o senhor vai fazer? Vai me matar? Então pode me matar. Mas só peço que não maltrate a minha mãe. Ela o serviu por muitos anos, sempre cumpriu com o seu papel e respeitou o senhor. Agora, por causa de uma mulher, você quer humilhá-la. Isso eu não vou permitir.
Zaid diz ferozmente, sem temer o próprio pai.
— Você quer se rebelar contra mim, seu ingrato?
— Nunca disse isso. Mas, de um tempo para cá, o senhor não se importa mais com seus próprios filhos. Acha mesmo que algum deles conseguiria assumir o comando como eu faço? Pode me matar. Mate-me e livre-se logo desse filho ingrato, como o senhor tanto diz.
Zaid o enfrenta sem baixar os olhos.
O xeique Amyr permanece em silêncio por alguns segundos, observando o filho.
Por mais que Zaid estivesse o enfrentando, havia algo que Amyr não podia negar: ele tinha coragem. Tinha garra. Era exatamente como ele próprio havia sido quando assumira o comando.
Os outros filhos, porém, eram diferentes. Muitos eram inúteis e jamais conseguiriam administrar tudo o que Zaid administrava. Além disso, poderiam acabar roubando ou usando o poder em benefício próprio, algo que Zaid nunca havia feito.
Zaid sempre fora transparente com ele.
Mesmo assim, Amyr não podia simplesmente permitir que o filho o desafiasse daquela maneira.
Ele era o xeique.
E Zaid precisava aprender uma lição.
— Segurem-no e batam nele até eu mandar parar.
Os seguranças olham para Zaid, claramente sem querer cumprir aquela ordem. Mas Zaid os encara e, com o olhar, parece dar permissão para que façam o que o xeique havia ordenado.
Então, dois dos seguranças seguram Zaid, enquanto o outro começa a socá-lo sem parar.
O sangue escorre pelo seu rosto.
O xeique observa em silêncio até perceber que Zaid não iria se defender.
— Chega! — ordena.
Zaid, que estava ajoelhado, se levanta lentamente e limpa o sangue que escorria pelo rosto, já vermelho por causa dos golpes.
— Espero que aprenda. Sobre sua mãe, não vamos mais falar sobre isso. Se ela quiser, posso me divorciar dela, já que não está satisfeita.
Zaid o olha surpreso.
Seu pai realmente se divorciaria de sua mãe?
Aquilo seria uma maravilha.
— Espero que cumpra sua palavra.
Zaid se vira e sai.
O xeique sabia que, mesmo divorciado de Naid, Zaid continuaria sendo seu filho e, portanto, ainda estaria sob sua autoridade. Mas também sabia que Naid provavelmente não teria coragem de pedir o divórcio. Afinal, como ela viveria longe dali? Para onde iria?
Zaid sai daquele escritório e vai direto para seus aposentos.
Não podia aparecer no quarto da mãe daquele jeito.

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