Alice olhou para Zaid. Ele parecia despi-la pelos olhos. Seu corpo queimava, ela sentia um calor percorrer sua espinha, seu coração acelerava. Ela olhou para ele, surpresa em vê-lo ali sentado na cama.
— Oi, desculpe por sair sem avisar. Tive que resolver algumas coisas. Venha, eu ajudo a secar seus cabelos?
Mas Alice não se mexeu. Ela não queria que ele continuasse a tratá-la assim. Sabia que, quanto mais ele a tratasse daquela maneira, mais teria dificuldade de superá-lo, de esquecê-lo.
— Oi. Não se incomode, eu mesma faço isso.
Ela caminhou, pegou a escova e o secador e voltou ao banheiro, deixando-o ali parado, sem compreender por que ela havia recusado sua ajuda.
Depois de alguns minutos, ela saiu com os cabelos soltos e secos. Alice estava ainda mais linda daquele jeito, com seus olhos realçados. Zaid quase foi até ela e a puxou para si, mas se manteve firme.
— Da outra vez que fomos, adquiri uma mansão perto da dos seus pais. Queria que ficasse com ela, se possível. Também fiz uma transferência para você, para que consiga abrir mais lojas e ampliar sua marca. Sei que você vai longe, ainda mais lá na Itália.
— Quem disse que pretendo morar na Itália? Quero abrir no Brasil. Gosto daquele país e, futuramente, quero morar por lá. Lá é um país em desenvolvimento. Tenho certeza de que lá vou ter mais sucesso.
Zaid olhou para ela, admirado. Mesmo não gostando de saber que ela não pretendia ficar em sua casa com sua mãe, não podia obrigá-la a nada, e isso o deixava destruído. Logo ela seria livre. Ele entregaria o contrato e a separação assinada. Ela já estava divorciada dele e poderia fazer o que bem entendesse de sua vida.
O telefone de Zaid tocou, e ele atendeu.
— Príncipe, já está tudo pronto para a partida delas — o senhor Omar diz.
— Entendo, Omar. Já vou com ela para o aeroporto — ele diz.
Alice olha para ele, escutando o que ele havia acabado de falar.
— Já vamos?
— Sim. Vou descer suas bagagens e chamar a minha mãe. Desça logo — ele diz, saindo e deixando-a ali parada, ainda sentindo aquela sensação estranha por estar indo embora dali.
Alice terminou de fazer sua leve maquiagem. Sua mãe ficou e perguntou o que estava acontecendo. Disse que seu pai contou a ela que Alice havia se divorciado. Sua mãe tinha uma voz preocupada, carregada de angústia.
— Mãe, estou bem. Já, já, quando chegar, conversamos. Mas eu realmente estou bem, tá? Não se preocupe.
— Tudo bem, filha, querida. Sinto muito por você. Te amamos muito.
— Eu sei, mãe. Também amo vocês — Alice diz, e as lágrimas correm por seu rosto.
Ela não entendia por que estava tão emotiva ultimamente. Terminou, limpou os olhos, retocou a maquiagem e desceu. Lá já estava a senhora Naid e, ao seu lado, Zaid. Seu olhar a observava de um jeito como se quisesse ler sua mente.
— Vamos — ele diz.
— Querida, como está? Logo vai ver sua família de novo. Bom, vamos, que teremos uma boa viagem.
No caminho para o aeroporto, ninguém falou mais nada. Só o telefone de Zaid, que tocava toda hora, mas ele não atendia.
Quando o carro parou, Alice sentiu que aquela era sua despedida. A partir daquele momento, eles não eram mais um casal.
A senhora Naid desceu com a ajuda dele e, logo depois, ele também deu a mão para ajudar Alice a descer. Mas Alice recuou e saiu sozinha. Ele simplesmente a encarou, mas não disse nada. Não tinha mais aquele direito de controlá-la.
— Mãe, chegando lá, a senhora me avisa, tá? O senhor Omar vai com a senhora. Ele cuidará de tudo por lá, para a senhora não ficar sozinha.
— Não se preocupe, filho. Estarei com sua esposa.
Quando ela fala isso, Zaid olha para Alice.
— Mãe, depois conversamos sobre isso.
Ele a beija. Logo, o senhor Omar pega as coisas dela e as malas de Alice e as leva junto com a senhora Naid. Alice também ia, mas ele a segura.
— O que foi? — ela pergunta, fria, querendo manter distância e tentando esconder o quanto estava abalada com a separação.
— Ali, não vai se despedir de mim?
Ela olha para ele. Seus olhos se mantêm firmes.
Zaid a puxa com força, fazendo-a cair em seus braços. Ele a abraça com força, como se não quisesse deixá-la ir. Seu cheiro estava em sua mente, seu corpo, em suas lembranças. Alice era única, linda, diferente de todas as mulheres que já havia conhecido na vida.
— Preciso ir — ela diz.
Mas ele segura seu rosto com carinho e encosta seus lábios nos dela, dando-lhe um beijo doce de despedida. O desejo se intensifica. Alice se entrega, deixando transparecer que também sentiria falta daquele beijo.

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