Zaid andava com passos firmes pelos corredores do palácio. Seus três seguranças mais confiáveis caminhavam ao seu lado. Seu pai havia o convocado e queria falar com ele, mas Zaid já imaginava que o assunto seria a reunião que tivera com os conselheiros e as provas que foram entregues a todos, arruinando a chance de seu irmão conseguir assumir o comando, como pretendia.
— Senhor, realmente pretende entrar? E se ele ousar tentar alguma coisa? Estamos em desvantagem — disse um de seus homens, preocupado, ao se aproximarem da porta do escritório do xeique.
— Não tenho medo dele. Se ele quiser a minha vida, que a tome. Ele me deu a vida, então que a tire. Mas eu não cederei. Se ele quiser dar o comando ao meu irmão, terá que me matar, e isso não será bem-visto pelo conselho. Talvez ele até perca o seu reinado, coisa que nunca aconteceu no país. Mas um filho não deve matar um pai, assim como um pai não deve matar um filho. Ele deve escolher o que deseja — disse Zaid, sério e confiante em suas escolhas.
— Entendo, príncipe, mas devemos entrar na sala com você.
— Não. Entrarei sozinho. Não quero que ele pense que estou tentando intimidá-lo. Quero que saiba que eu não tentarei nada contra ele. Nunca. Mesmo querendo a sua morte, eu jamais ousaria matá-lo.
Zaid falou sério, e seus homens o ouviram com respeito. Eles sabiam que haviam feito a escolha certa ao seguir aquele príncipe, mesmo que fosse necessário acompanhá-lo até a morte.
— Custe o que custar, nós iremos segui-lo até a morte, se for preciso, meu senhor — disse um deles.
Os três homens então se ajoelharam diante de Zaid, demonstrando seu respeito e lealdade.
— Levantem-se. Obrigado pela confiança.
Logo, Zaid foi anunciado, e a voz do xeique ecoou do outro lado da porta:
— Deixe entrar!
Os dois guardas abriram a porta, permitindo que apenas Zaid entrasse.
Zaid caminhou até seu pai, que estava de costas para um antigo quadro de seu avô. O retrato mostrava um homem de traços fortes, muito semelhantes aos de Zaid.
— Então você veio mesmo?
O xeique se virou e encarou os olhos do filho, como se quisesse compará-los aos olhos de seu próprio pai.
— Como não viria?
— Compreendo. Ainda tenta dizer que me obedece? — perguntou o xeique, soltando uma risada fria.
— Sempre obedeci ao senhor. Tudo o que me pediu, eu sempre cumpri. Não foi mesmo?
— E o seu casamento? E sua mãe? Pedi que a trouxesse de volta. Você cumpriu?
— Não posso fazer isso. O senhor não a ama mais. Se ela continuasse aqui, o senhor acabaria matando-a.
— Ela é minha esposa! — disse o xeique ferozmente, jogando alguns objetos que estavam sobre sua mesa no chão.
— Então acha que pode fazer o que quiser com a vida dela? Já não bastam os anos de sofrimento que ela passou aqui?
— Acha mesmo que ela sofreu tanto assim? Ela sempre teve tudo: dinheiro, luxo...
Zaid sorriu diante daquelas palavras.


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