Depois de deixar o palácio, Zaid seguiu acompanhado de seus homens. Assim que entrou no carro, pegou o celular e ligou para o senhor Omar.
— Omar, convoque o mais rápido possível uma reunião com todos os conselheiros.
— Sim, meu senhor. Farei isso imediatamente — respondeu Omar.
O senhor Omar obedeceu sem questionar. Começou a ligar para cada um dos chefes e conselheiros, informando sobre a reunião de última hora.
Aquilo chamou a atenção de todos, afinal, não fazia nem tantos dias que eles haviam participado de uma reunião. Ninguém esperava ser convocado novamente tão rapidamente.
Um a um, os conselheiros receberam a notícia e começaram a se preparar para voltar ao palácio.
Omar, porém, sabia que aquela não seria uma reunião comum.
Pela urgência com que Zaid havia pedido a convocação, alguma coisa muito séria havia acontecido.
O xeique já havia sido avisado, e agora poderia ver o quanto Zaid estava decidido a fazer o que ele acabara de falar para ele mais cedo.
Mesmo revoltado com tudo aquilo, não poderia voltar atrás e gritou para um de seus homens:
— Chamem o Zain aqui agora! Preciso que ele venha com urgência, o mais rápido possível, ao meu escritório.
Um de seus homens correu para chamar o príncipe. Logo, ele veio com pressa e entrou no escritório do seu pai, preocupado, achando que seu irmão havia feito algo de novo contra ele.
— Meu pai, estou aqui — Zain entra reverenciando o xeique, mas seu semblante preocupado denunciava que ele estava nervoso, como se temesse algo.
— Zain, se prepare. Daqui a pouco, os conselheiros chegarão para uma reunião. Hoje você assumirá tudo. Quero que esteja preparado. Não me faça passar vergonha na frente de todos, senão juro que vai se ver comigo — o xeique ameaça, e Zain sente aquela pressão na pele como nunca havia sentido.
— Entendo. Prometo que darei o meu melhor — ele diz, preocupado com aqueles velhos rabugentos do conselho.
— Agora saia e se prepare. Peça para arrumarem o salão. Quero que tudo esteja pronto para a chegada deles.
Ele ordena, e Zain sente o peso de ter que correr contra o tempo para preparar tudo em poucas horas. Ele começa a xingar seu irmão mentalmente.
Zaid estava ao lado do senhor Naqib, que havia ajudado Zain a organizar a reunião e preparado todos os documentos necessários. Como responsável por organizar as reuniões e apresentar as discussões ao xeique, Naqib conhecia bem os procedimentos do conselho. Apesar de ter ajudado Zain naquela ocasião, ele continuava sendo um aliado de Zaid.
— Está tudo pronto. O seu irmão me passou a mensagem há uma hora, mas, como já estava sabendo pelo senhor Omar, deu tudo certo para preparar as papeladas. Zaid, vai mesmo entregar tudo para seu irmão assim? — ele pergunta, preocupado.
— É o desejo do xeique Amyr. A partir de hoje, eu e ele não seremos mais nada — Zaid diz, frio, e Naqib olha surpreso.
Todos começam a chegar. Eles passam por Zaid e o cumprimentam com respeito, ignorando Zain do outro lado, junto com seu amigo Hadi, filho de Hamza, amigo do xeique, que eram dos únicos que estavam ao lado do xeique, junto com o senhor Faisal e Haruki.
O xeique entra, chamando a atenção de todos. Os anciãos mais velhos já estavam sentados e, na cadeira principal, o xeique caminha e se senta, bem no centro do salão. Ao seu lado, Zain vai e se senta também. Todos esperam que Zaid faça o mesmo e se sente ao lado de seu pai. Mas ele não o faz, deixando todos sem entender.
— Sejam bem-vindos todos. Peço desculpas pela reunião de última hora, mas algo precisava ser feito. Hoje anuncio que repudiei a mãe de Zaid, a senhora Naid.
Todos olham surpresos. Os velhos soltam um sussurro curioso, mas o xeique continua a falar.
— Também deixarei decretado aqui hoje que o príncipe Zaid será destituído do seu posto e do seu nome como meu herdeiro. Ele será apagado do livro e do registro do palácio. A partir de hoje, Zaid não faz mais parte da realeza. Ele não é mais o meu filho.
Todos ouvem sem acreditar. Uns soltam palavras, contestando a decisão do xeique, como aquelas palavras fossem absurdas, mas Zaid caminha sem medo, olhando friamente para seu pai. Zain sorria disfarçadamente, sem acreditar no que acabara de ouvir.
— Agradeço a todos por terem vindo. Hoje, eu, Zaid, deixo o comando. Aqui está o selo dos soldados e de todo o poder militar. Mas os homens que ainda desejarem me seguir, eu não os recusarei. Eu, Zaid Al-Mansur, não terei mais contato com o Xeique Amyr. A partir de hoje, somos estranhos, e todos aqui serão nossas testemunhas. A partir de hoje, eu serei apenas Zaid Al-Mansur.
Zaid colocou o selo sobre a mesa e deu um passo para trás. O salão inteiro permaneceu em silêncio.

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