Alice entrou na cozinha sentindo um cheirinho muito bom. Ela usava apenas uma camisola branca de seda, e o tecido fino deixava sua silhueta delicadamente marcada. Zaid tentou desviar os olhos, pois a atração que sentia por ela era muito forte. Ela ainda conseguia mexer com ele de um jeito que nenhuma outra mulher jamais havia conseguido.
— Venha, está pronto — ele disse, colocando um pouco de sopa na tigela para ela.
Alice também o olhava com desejo. Zaid havia tirado o blazer e estava somente com aquela camiseta branca, alguns botões abertos e as mangas levantadas. Por cima, usava o avental que Felipa costumava usar.
Os dois se sentaram e comeram em silêncio.
Depois, Alice se levantou para lavar os pratos, mas ele a impediu.
— Eu faço isso.
— Também posso ajudar, Zaid. Estou bem.
Os dois lavaram a louça juntos, um ajudando o outro. Depois que tudo estava arrumado, Zaid olhou para ela.
— Você precisa descansar. Acho que devo ir embora.
Alice o olhou, chateada.
— Você veio e já vai me deixar, como sempre faz?
Ele a encarou sério.
— Todas as vezes eu te chamei para ir comigo. Você já esqueceu? Mas você se recusa a aceitar que agora sou um xeique e preciso proteger o meu povo. As pessoas precisam de mim, Alice.
Ela respirou fundo e o encarou.
— É por isso que tenho medo, Zaid. Você é um xeique agora, com muitas obrigações. Tenho medo de algum dia se enjoar de mim e se casar novamente. Tenho medo de que seus sentimentos mudem com o tempo e você queira outra mulher. Tenho medo de que obriguem você a ter mais esposas agora que precisa de um herdeiro.
As lágrimas começaram a escorrer por seu rosto.
— Eu não consigo imaginar você com outra mulher. Se for para isso acontecer, prefiro sofrer agora.
Zaid se aproximou e a puxou carinhosamente para seus braços.
— Então era isso que fazia você se recusar a ir comigo? Você tinha medo de que eu me casasse novamente?
Ele riu, aliviado.
Alice o olhou sem entender.
— Por que está rindo? Não disse nada engraçado.
Zaid se afastou dela. Alice o olhou com certa preocupação.
Então, para sua surpresa, ele se ajoelhou diante dela.
— Zaid, você é um xeique. Eu que deveria me ajoelhar.
Ele segurou as mãos dela.
— Alice, aqui eu juro pela minha vida, eu nunca me casarei novamente com ninguém. Se algum dia nossa relação não der certo, se você deixar de me amar, eu nunca vou obrigá-la a ficar comigo.
Ele respirou fundo, olhando profundamente nos olhos dela.
— Alice, eu te amo. Só quero você como minha esposa. Desde o dia em que nos casamos, senti que havia algo entre nós dois. Eu nunca quis me casar antes. Nunca pensei em ter uma família. Foi com você que eu quis isso. Foi com você que comecei a desejar uma família.

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