Liz
Entro olhando tudo ao meu redor, com um pouco de medo. Lá na minha cidade, o hotel onde trabalhei foi indicação da mãe de uma amiga. Por isso, eu estava tão nervosa. Tinha medo de que não gostassem de mim.
O segurança havia me orientado sobre como chegar até a sala do senhor Guilherme Santos. Caminho pelo corredor até ver um escritório no fundo.
Passo por algumas funcionárias que me observam. Algumas me olham de cima a baixo, me avaliando. Outras são mais simpáticas e me dão bom dia.
Uma mulher sai de dentro do escritório muito bem vestida. Seus cabelos estavam soltos e perfeitamente alinhados. As roupas pareciam ser de grife e muito caras. Usava saltos altos e joias que deviam custar uma fortuna.
Ela me olha com muita curiosidade.
— Bom dia! Posso ajudá-la? — diz ela se aproximando de mim
— Bom dia! Vim para a entrevista. Entraram em contato comigo hoje. Sou Liz Gonçalves.
Ela me olha surpresa, analisando-me dos pés à cabeça.
— Então você é a Liz… — disse ela, sorrindo e me olhando com curiosidade. — Meu nome é Juliana. Sou o braço direito do chefe. Você o conhece?
Ela perguntou de forma curiosa, mas eu mal conhecia aquela cidade, quanto mais o dono de um hotel de luxo como aquele.
— Não, sou nova na cidade — expliquei.
Ela me observou por alguns segundos, ainda curiosa.
— Entendo. Bom, venha. O senhor Guilherme está lá dentro esperando por você.
Ela entrou, e eu fui logo atrás.
O escritório era elegante e organizado. Uma grande mesa de madeira ocupava o centro da sala, coberta apenas por alguns documentos alinhados, um notebook e um telefone moderno. Atrás da mesa, uma parede de vidro mostrava parte do hotel, com funcionários passando de um lado para o outro.
O ar-condicionado deixava o ambiente frio, e o cheiro suave de café recém-passado preenchia o espaço.
Atrás da mesa estava o homem de quem ela havia falado.
Guilherme Santos.
Ele estava sentado em uma cadeira de couro preta, lendo alguns papéis com atenção. Vestia um terno azul elegante, com uma gravata preta perfeitamente alinhada. Seus olhos se ergueram lentamente quando percebeu a presença de nós duas.
O olhar era sério, observador.
Senti meu coração acelerar por um instante. Um leve medo percorreu todo o meu corpo.
— Você deve ser a Liz — disse ele, com a voz firme, porém calma. — Sente-se aqui para conversarmos.
Ele se levantou e puxou uma poltrona para mim.
Mesmo tímida, agradeci pela gentileza e me sentei. Juliana não foi embora. Ela permaneceu ali, me observando com curiosidade, sem disfarçar, o que acabou me deixando um pouco sem jeito.
— Bom dia, senhor Guilherme. É um prazer estar aqui — falei, com sinceridade.
Ele sorriu de leve e trocou um olhar rápido com Juliana.
— Senhor Guilherme, ela será contratada para a ala das camareiras — disse Juliana. — A última funcionária foi mandada embora. Pelo que vi no currículo, você já teve experiência em outro hotel, não é?
— Sim. Trabalhei alguns meses no Hotel Braga, em minha cidade, na mesma função.
— Que bom. Precisamos mesmo de alguém com experiência — respondeu Juliana.
Juliana
Olhei para ela, tentando entender se realmente tinha algo com Bryan. Mas não… não tinha como ele se interessar por essa pobretona. Mesmo sendo bonita, aquelas roupas simples denunciavam quem ela era.
Uma simples faxineira.
Aquilo me deixou até mais tranquila por ter vindo conhecê-la. Talvez ela tenha sido apenas recomendada por algum amigo dele ou por algum funcionário.
— Então você pode começar hoje mesmo, senhorita Liz — disse Guilherme.
Ele então olhou para Juliana.
— Quando sair, peça para uma das funcionárias ajudá-la a se familiarizar com o hotel e explicar as regras da empresa.
— Pode deixar, senhor Guilherme. Vou pedir para Valéria ajudá-la em tudo.
Saí com ela. Juliana me levou até a parte do almoxarifado, onde encontramos várias funcionárias.
— Alguém viu a Valéria? — ela pergunta, brava, como se fosse a dona do hotel.

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