Liz
Estava tendo um sono tão bom quando meu celular começou a apitar, me despertando e lembrando que já era hora de levantar e me arrumar para trabalhar.
Abro os olhos ainda sonolenta e olho para o lado, procurando Bryan. Mas não havia nem sinal dele.
Respiro fundo.
— Liz, é hora de se levantar. Força… precisamos ser independentes e lutar — digo em voz alta para mim mesma.
Levanto, vou tomar banho, me arrumo e desço para tomar café.
— Bom dia, senhorita Liz — Elisa fala sorrindo.
Mas eu só conseguia olhar para ele.
Seus olhos negros me analisavam dos pés à cabeça. Bryan estava tão lindo… vestia roupas sociais, os cabelos lavados e penteados para trás. O perfume invadia meu olfato.
Como alguém podia ser tão bonito?
Meu coração batia acelerado.
— Bom dia, Elisa.
— Bom dia — ele diz, bebendo um gole do café. Com a vós grossa — Tome seu café. Hoje vou levá-la.
— Não é necessário… não quero te atrapalhar — digo, rezando para que ele desista da ideia.
— Não vai me atrapalhar. É caminho. Vamos, sente-se.
Ele aponta para a cadeira ao seu lado.
— Obrigada.
Sento-me.
Elisa sorri e sai, deixando nós dois sozinhos.
— Liz, se precisar de qualquer coisa, ou se alguém te intimidar lá, pode me falar, ok?
— Obrigada — respondo tímida, sem entender por que ele estava dizendo aquilo.
— Mas uma coisa… não se aproxime de nenhum homem.
Soa como uma ameaça.
— Onde você trabalho não tem mulher? Não falar com elas? Por que não posso falar com outro homem além de você? — pergunto, irritada.
— Liz, estou avisando. Mantenha distância desses homens — diz frio, bebendo mais um gole de café.
Respiro fundo.
— Bryan… já que estamos falando disso, queria perguntar… por que mandou o Alfredo embora?
Ele me olha sério, depois olha para o relógio, como se estivesse verificando o horário.
— Porque ele não a protegeu… Agora termine e vamos.
— Mas…
Ele toca meus lábios, fazendo-me parar de falar.
— Liz, tem assuntos em que você não deve se meter. E esse é um deles. Ele, graças a Deus, está vivo. Meus homens — até mesmo Elisa — sabem que, se colocarem alguém em risco, eu não perdoo.
Ele diz isso com frieza.
Talvez eu realmente não devesse me meter em seus assuntos… mas Alfredo havia sido mandado embora por minha causa. Eu me sentia culpada.
— Prometo que nunca mais faço isso… mas, por mim, deixe ele voltar. Não quero ser culpada por ele ter perdido o emprego. Eu só te peço isso.
Bryan parecia bravo por eu continuar insistindo.
Mas eu precisava tentar.
— Como você é teimosa… — diz irritado. — Tudo bem. Vamos logo, ou vai chegar atrasada, não?
Balanço a cabeça feliz por ele ter concordado.
Termino meu café e vou recolher as coisas.
— Pode deixar aí, mocinha — diz Elisa, pegando da minha mão. — Bom trabalho para vocês dois.
— Obrigada.
— Obrigado, Elisa — Bryan diz.
Seguimos para o elevador.
Entramos, e ele aperta o botão para descer.
As portas se fecham, e de repente sinto que o espaço ficou pequeno demais para nós dois.
O perfume dele me fazia querer ser puxada e beijada ali mesmo.
Por um momento, seus olhos encontram os meus.
— Está bem?
— Estou — respondo imediatamente, virando para o outro lado.
— Não parece… suas bochechas estão tão vermelhas.
Ele se aproxima e fica atrás de mim, falando perto do meu ouvido.
— Estou bem… acho que é o calor — digo sorrindo, tímida.
De repente, ele me prensa contra o espelho do elevador, me deixando sem reação.
— Bryan… alguém pode ver.
— Ninguém vai ver. Esse elevador é particular. Só nós usamos.
Olho surpresa.
Só nós dois.
Ele beija meu pescoço, fazendo cócegas. Sua mão aperta minha cintura e me puxa contra ele.
Como eu poderia resistir a esse homem?
O elevador para e as portas se abrem.
— Juro que, se não chegasse logo aqui embaixo, eu ia enfiar bem gostoso nessa bunda gostosa — ele diz, me deixando completamente envergonhada.

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