Liz
Hoje o dia foi puxado. Tivemos que limpar o que já estava limpo só porque o dono poderia aparecer a qualquer momento no hotel. Que raiva… por que ele tinha que inventar de aparecer logo agora?
Troco de roupa no vestiário com as meninas. O melhor de tudo é ter feito amizade com elas.
Agora tenho a Bruna e a Lívia — elas são um amor comigo. Hoje almoçamos juntas e agora estão quase me obrigando a ir com elas no barzinho aqui perto, com música ao vivo.
— Vamos, Liz, só nós… — Bruna convida de novo, já trocada.
— Não sei…
— É aqui do lado, um barzinho calmo, com música ao vivo. O atendimento é top. Pelo menos fica com a gente só alguns minutos pra gente te conhecer melhor.
Sinto uma vontade grande de ir. Por que não ir com elas? O contrato não falava nada sobre não sair com amigas… Sabia que o Bryan iria brigar. O ruim seriam os seguranças. E ele prometeu contratar de novo o Alfredo… e agora?
Penso um pouco e pego o celular. Resolvo ligar para ele.
— Oi! — ele atende.
— Oi… Já voltou pra casa? Acabei de sair do trabalho agora. Você está onde?
Ele demora um pouco para responder. Escuto música ao fundo e alguém chamando por ele. Uma voz masculina rindo.
— Ainda não… Vim beber com um amigo. Vou demorar um pouco pra chegar em casa.
Hum… se ele podia ficar bebendo com os amigos, então eu também podia.
— Entendo… tá bom. Te encontro em casa.
Desligo e olho para as meninas, sorrindo.
— Então! Vai com a gente? — Bruna pergunta animada.
— Vou…
— Ebaa! — Lívia grita feliz, me abraçando.
As outras nos olham com cara feia, mas depois voltam ao que estavam fazendo. Jaque já tinha ido embora, e graças a Deus. Que mulher chata… só sabe reclamar. Reclama de tudo e de todos. Vive no meu pé dizendo que eu não limpo direito.
O trabalho até que é bom… e paga muito bem. Com esse salário, juntando direitinho, quando eu voltar pra minha cidade já vou ter dinheiro suficiente pra alugar alguma coisa e começar minha vida.
— Vamos, Liz? — diz Lívia.
— Já terminou de se arrumar? — Bruna pergunta, terminando de pentear o cabelo.
— Já sim — digo, pegando minhas coisas.
— Você vai amar. Não sei se você costuma sair assim, mas mesmo que não saia, vai ver como é legal lá. E a cantora canta muito — diz Bruna.
— Vocês sempre vão? — pergunto.
— Ah, sim… sempre que dá. Eu tenho um bebê de um ano, ele fica com a minha mãe enquanto eu trabalho. Por isso só vou quando minha mãe diz que pode ficar com ele até mais tarde — Lívia explica.
— Também, né, Lívia… aquele canalha fez o filho e fugiu. Te deixou sozinha, jovem, pra criar uma criança — Bruna fala, brava.
— Ah… você tem um bebê… imagino o quanto deve ser difícil criar sem o pai…
Então lembro que, nas últimas vezes, o Bryan não usou camisinha. Ele sempre se previne… espero não engravidar. Ele com certeza me obrigaria a abortar a criança.
— Mas, graças a Deus, arrumei esse emprego.
Minha mãe me ajuda muito. Vou te falar… por mais difícil que seja, não me arrependo de ter tido o Lucas. Ele é minha vida… tudo que tenho.
Escuto aquilo e me emociono. Que bom que ela está conseguindo lutar pelos dois. Acho que também faria o mesmo… penso, me colocando no lugar dela.
— E você, Liz? Tem alguém? — Bruna pergunta curiosa. Lívia sorri.
— É, Liz… conta pra gente.
E agora? Não sabia como explicar o meu relacionamento com o Bryan. Não era namoro… na verdade, nem eu sabia o que era.
— Não tenho…
— Mas demorou pra responder… — Lívia brinca.
— Se não está namorando… então está ficando com alguém? — Bruna insiste.
— Não, meninas… bom… tem alguém. Mas não sei o que somos. Talvez seja só algo passageiro — digo, sem graça.
— Hum… Liz, você é tão gata… duvido que esse homem vai te deixar ir — diz Lívia.
Ele era podre de rico. Podia ter a mulher que quisesse. Eu era só mais um brinquedinho… nada mais.
Penso nele… aqueles olhos poderosos e ameaçadores… mas com uma beleza surreal. Cada dia que olho, fico mais impressionada. Como alguém pode ser tão lindo?
— É porque você não conhece ele… — digo, sorrindo de leve.
— Então ele é um Deus grego, isso sim! — Bruna fala. — Ah não… homem assim é muito galinha. Chove mulher pra ele.
Eu e Lívia caímos na risada. Tão forte que chega a doer a barriga.
Deus grego… é, até que combina mesmo com ele.

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