Bryan
Já estávamos no bar há pelo menos uma hora. Eu bebia uísque com Henrique, enquanto ele falava sobre sua nova paixão.
Não que isso fosse novidade… Henrique sempre se apaixonava rápido demais — e quebrava a cara na mesma velocidade.
Meu celular toca.
— Quem será ligando a essa hora? — ele provoca, com um sorriso de canto. — Sua mulher?
Ignoro o comentário, pego o celular, olho o número… e atendo na mesma hora.
— Oi.
— Oi… Já voltou pra casa? Acabei de sair do trabalho. Você está onde?
Franzo levemente o cenho. Não entendo por que ela quer saber.
Henrique começa a me provocar em silêncio, apontando pra mim e sussurrando “é ela?”, enquanto a música alta do bar praticamente entrega onde estou.
— Ainda não… Vim beber com um amigo. Vou demorar um pouco pra chegar.
— Entendo… Tá bom. Te encontro em casa.
Ela desliga.
Fico alguns segundos olhando para a tela, incomodado com aquela ligação.
— Então era ela, né? — Henrique provoca.
— Sim… — respondo sério, ainda pensativo.
— Ainda não conheci essa garota. Quando vai me apresentar?
— Não vai ser necessário.
— Por quê? Não somos amigos?
— Não começa, Henrique.
Desvio o olhar para a porta. O bar já estava lotado. Gente entrando, gente rindo alto… um caos comum.
Henrique muda de assunto e começa a falar sobre problemas na empresa. Algo na administração.
Meu humor muda na hora.
— Tivemos que contratar outra empresa terceirizada pra ADM… — ele diz. — Descobriram um desvio alto. Bem debaixo do meu nariz.
Aperto o copo com força.
— Como você permitiu que isso acontecesse, Henrique? — pergunto, frio. — E só veio me informar agora?
— Eu descobri hoje à tarde… ia te contar, mas…
— Quem foi?
Ele hesita por um segundo.
— Felipe Carvalho. Já tomei todas as providências possíveis. Agora é só questão de tempo até ele pagar.
Dou um sorriso sem humor.
— Não vou deixar barato.
Inclino levemente a cabeça, encarando-o.
— Quero que mandem cortar as duas mãos dele.
Henrique congela.
— Bryan… ele é filho de um deputado federal. Foi ele quem nos ajudou com aqueles papéis, lembra?
Dou de ombros, indiferente.
— Pode ser filho do presidente… — digo, com a voz baixa e perigosa. — Roubou, paga.
O silêncio pesa entre nós.

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