Liz
Acordo dolorida de ontem. Olho para o lado e o vejo dormindo, tão perfeito, seus cabelos desalinhados… mesmo assim, ele continuava tão lindo. Levo minha mão ao seu rosto com desejo de tocá-lo, fazer um carinho por todo o seu rosto, sentindo sua pele e alisando até sua barba por fazer.
— Está gostando? — ele fala, segurando minha mão em seu rosto, me assustando.
Meu coração acelera, minhas bochechas ficam vermelhas por ter sido pega. Fico sem graça, sem saber onde enfiar a cara.
Então ele solta uma gargalhada. Encaro, tentando entender o que o fez rir.
— Tão tímida… mas tão linda! — diz, me puxando para cima dele.
Me desequilibro e caio sobre ele. Nossos rostos ficam tão próximos que sinto sua respiração.
— Hoje tenho uma surpresa para você. Já que amanhã voltaremos, quero te levar a um lugar — ele diz, misterioso, me deixando completamente curiosa.
— Uma surpresa, Bryan? — pergunto sorrindo, e ele me puxa para um beijo.
Nossos lábios se unem, e sinto o quanto estou perdida.
— Já está pronta? — Bryan pergunta, olhando o relógio.
— Já — digo, pegando minha bolsa e indo até ele. — Desculpa, acabei demorando, né?
Ele sorri, pega minha mão e vamos.
O caminho todo ele se mantém misterioso. Nos aproximamos de um portão de uma propriedade. Ele manda um áudio avisando que chegou, e o portão é aberto, revelando uma linda mansão. Fico surpresa ao ver o tamanho da casa e do quintal. Vejo muitas crianças correndo em um campinho mais distante, mulheres sentadas conversando.
Olho para ele sem entender… aquela era a surpresa? Uma casa cheia de crianças e mulheres? Será que eram filhos dele? Não… ele não teria tantos filhos assim… não mesmo.
— Chegamos. Venha… — ele me chama ao sair do carro.
Olho ao redor. As mulheres nos encaram, até ele se aproximar mais e meus olhos reconhecerem de quem se tratava.
— Bryan! — digo, emocionada.
— Oi! — ele responde, sorrindo.
— Bryan… é quem estou vendo mesmo na minha frente? — minha perna treme, meu coração dispara.
— É sim, Liz. É ela mesmo — ele diz.
Não consigo disfarçar e, na emoção, beijo ele. Ele fica sem reação, mas sorri com meu selinho.
De longe, ela me olha com os olhos cheios de lágrimas. Ela vem, e eu caminho até ela, chorando.
A Gabi estava ali. Ela estava livre.
Olho de volta para Bryan, que sorri e faz um gesto para eu ir até ela.
— Liz, que bom vê-la! Como está linda! — ela diz, me abraçando emocionada.
Começo a chorar como uma manteiga.
— Não chore… graças a você, eu estou bem. Estamos bem. Eu e as meninas estamos livres. Nunca pensei que um dia sairíamos daquele lugar… juro que nunca acreditei quando você disse que tiraria a gente de lá. Obrigada, Liz… devo minha vida a você — ela começa a chorar também.
Logo aparecem as outras meninas. Até a que me odiava vem, e todas me abraçam chorando.
— Obrigada, Liz. Graças a você, não vamos mais sofrer — Márcia fala.

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