Liz
Caminho pelo corredor ao lado de Bryan. Ele segura minha mão, me guiando. Sinto os olhares sobre nós. Quando entramos no salão onde estavam os jogos, vejo dois homens mais velhos jogando, com três loiras ao lado deles. Mas meus olhos param em uma.
Ela estava com um minivestido vermelho e uma taça na mão.
— Aquela é a Cristiana? — falo, surpresa, ao ver minha meia-irmã bêbada, jogando com um homem. Eu não estava acreditando. Ela, que sempre se gabava de ficar com os mais gatos da escola, estava ali… se prostituindo.
— Ela está com o prefeito. Foi com ele a minha reunião agorinha pouco — Bryan diz, sem demonstrar surpresa por sua irmã estar ali.
— Como ela pode beber com aqueles homens? — digo, indignada, vendo o velho alisar sua bunda. Ela toma mais um gole. Estava tão bêbada que eu quase não a reconhecia.
Então ela olha para o lado, e seus olhos param em mim. Ela arregala os olhos, me encarando com ódio.
— O que essa vadia está fazendo aqui? Por que está ao lado do senhor Bryan? — ela grita, e todos olham para mim e para Bryan, nos julgando como se fôssemos amantes ou coisa pior.
O prefeito de quem Bryan falou olha para nós dois e puxa minha irmã com raiva.
Plaft!
Ele b**e no rosto dela, que se desequilibra e cai no chão.
— Sua vaca! Como ousa levantar a voz para o senhor Bryan e a sua acompanhante? — ele diz, bravo, apontando o dedo para ela. — Fale mais alguma coisa e quebro todos os seus dentes!
Então ele se vira para mim e para Bryan.
— Senhor Bryan, ainda por aqui? Se quiser se juntar a nós… E essa, quem é? — diz, me olhando com desejo, sem disfarçar o interesse, me analisando dos pés à cabeça.
— Essa é minha mulher, Liz. E não posso ficar, tenho coisas para fazer com ela. Me desculpe — Bryan fala, me abraçando e me guiando para fora daquele lugar.
Os seguranças vêm atrás, e logo já estamos do lado de fora. O senhor Xavier para o carro, e entramos. Lá dentro, a imagem de Cristiana caída no chão volta à minha mente. Como ela podia estar naquele estado? E sua mãe… ela sempre se orgulhou dela.
— Está bem? — ele pergunta, me olhando preocupado.
— Estou, sim — digo, e ele me puxa para seus braços. Não esperava essa reação.
— Tudo bem… eu sei que deve estar pensando na sua meia-irmã — ele diz, e meus olhos se enchem de lágrimas. Não por pena dela, mas porque ela sempre teve tudo, sempre teve uma vida de princesa… e hoje estava naquele estado. Como isso aconteceu? O que realmente aconteceu com ela?
— Como ela chegou naquele estado? Isso que eu não entendo…
Ele me aperta contra seu corpo.
— Seu pai está falido, Liz. A empresa dele entrou em falência há alguns dias — ele diz.
Me afasto para olhá-lo, sem acreditar no que estava ouvindo.
— Como assim? Falida?!
— Está com pena deles? — ele pergunta, olhando nos meus olhos.
— Claro que não. Eles merecem tudo isso. Ele não teve pena da minha mãe… não teve pena de mim quando me vendeu para aquele lugar. Nunca teve. Para mim, eles estão mortos.
— Dei uma ajudinha para aquela empresa quebrar. Não suportei saber que aquele homem te vendeu. Só não matei ele por você, porque é seu pai… senão, ele já estaria morto. Liz… sua madrasta enganou seu pai a vida toda. Aquela… Cristiana não é sua irmã.

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