Liz
Chegamos no barzinho. Lívia, eu e a Bruna somos abordadas pela atendente, que nos cumprimenta e pergunta se desejamos ajuda. Lívia pede uma mesa e ela nos leva até uma livre mais ao fundo. Mesmo de tarde, tinha música ao vivo e estava quase cheio. Olho ao redor: pessoas dançando perto do cantor e outras bebendo e dando risadas entre si.
_ Liz, você vai gostar daqui, sempre viemos, é muito bom — Bruna fala, pedindo três batidas e uma porção de frango a passarinho.
_ Eu gosto muito daqui — Lívia fala, cantando a música que acabou de começar.
Olho para os lugares. Não tinha costume de sair e nem sabia como me comportar em lugares assim, mas precisava aprender a viver. Sabia que essa relação estava chegando ao fim, mesmo com o coração despedaçado. Era melhor que acabasse o mais rápido possível.
_ Então, Liz, o que achou daqui? — Lívia pergunta, me olhando.
_ Ah... não tenho costume de sair, mesmo lá na minha cidade, mas o ambiente é bem legal. As músicas eu gosto, mas ainda não posso falar, kkk. Vamos curtir e depois digo se gosto de lugares assim — digo sincera, e as duas riem.
_ Entendemos, você era daquelas garotas que não saía, né? Que vive a vida estudando e cuidando de casa?
Sorrio para elas, porque era quase isso.
_ Eu também tive que trabalhar cedo, mas agora estou bem. Quero aproveitar tudo que perdi — digo animada, e elas gritam animadas:
“É isso aí, Liz!”
Pego o drink e começo a beber, elas também. O dia vai passando, a música fica mais animada.
Lívia se levanta e vai dançar, Bruna faz o mesmo e fica me chamando.
_ Vem, Liz! Vem dançar também!
Tinha vergonha. As duas dançam fazendo passinhos e riem. Eu ria das palhaçadas delas.
Quando bebo a segunda taça, tomo coragem e me levanto também para dançar.
_ Vem, amiga, é assim... — Lívia dança e me mostra como fazer. Bruna repete e eu tento copiar e rio. Estava me divertindo como nunca, mas já sentia a bebida fazer efeito. Mesmo assim, aceito outra taça.
_ Amigas, olha que gatinho está olhando para nós...
Olho procurando esse “gatinho” entre os clientes e encontro. Meus olhos param. Eu congelo. Ele sorri ao me ver. Não era o Bryan, mas sim o seu irmão.
Ele me olhava de um jeito estranho, me analisando, e me pergunto: o que ele faz ali? Por que estaria ali?
_ Ele é o irmão do Bryan — digo para elas —, mas o que ele faz aqui?
_ Sério? Nossa, que gato! — Lívia diz, sorrindo para ele.
_ Lívia, não olhe para ele, disfarça — digo, envergonhada.
_ Ué, mas por quê? Ele é seu cunhado, chama ele para nos apresentar?
_ Não, Bryan não se dá bem com ele. É melhor a gente manter distância daquele homem.
_ Liz, eles são irmãos, que estranho... ele está te olhando — Bruna diz no meu ouvido.
Então olho para o outro lado e vejo um dos seguranças que me segue. Procuro o outro e o encontro na porta, me encarando. Ele parece querer falar algo comigo, então pego o celular e olho as mensagens.
“Cadê você, Liz? Não me responde. Vi que saiu com suas amigas. Não falou nada. Estou com meus pais na empresa e não consigo sair agora. Tenha cuidado e não beba.”
Mais tarde ele manda outra mensagem:
“Cuidado com meu irmão. Não se aproxime dele, você entendeu? Venha cedo para o apartamento, logo te encontro.”
_ Liz, aconteceu algo? — Lívia pergunta.
Balanço a cabeça.
_ Não, nada. Só o Bryan perguntando onde estou.
_ Ah... deixa ele sentir falta, vamos aproveitar.
Então o Brendo se aproxima.
_ E aí, Liz? Meu irmão mudou muito, até deixa sua “propriedade” sozinha — ele diz, sussurrando baixo só para eu ouvir.
_ O que faz aqui? Veio só para falar essas coisas? — digo brava, me afastando dele.
_ Não... oi, gatinhas — ele diz, cumprimentando a Lívia e Bruna.
_ Oi! — Lívia diz.
_ Oi! — Bruna também.
_ Vim ver onde minha cunhada trabalha e acabei descobrindo que você gosta de lugares como esse...

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