Peterson já aguardava no quarto do hotel há mais de uma hora. Atrasos eram algo que geralmente o irritavam, mas a natureza incomum daquele encontro o mantinha em um estado de curiosidade tensa. Ele checava o relógio discretamente a cada poucos minutos, imaginando como seria a mulher por trás das mensagens, queria conhecê-la melhor.
Enquanto isso, na recepção luxuosa do hotel, Miranda se sentia deslocada. Sua hesitação em se identificar e o nervosismo faziam com que a comunicação com o recepcionista fosse hesitante e confusa. Finalmente, após alguns momentos de incerteza, conseguiu se fazer entender e recebeu o número do quarto.
A cada passo em direção ao elevador, a vontade de desistir crescia. Aquele ambiente sofisticado parecia gritar que ela não pertencia àquele lugar. Ao sair do elevador no andar que achava ser o indicado, um medo súbito a paralisou. A ideia de entrar sozinha em um quarto de hotel com um estranho, por mais que ele tivesse se mostrado respeitoso online, a assombrava. Ela começou a dar passos hesitantes para trás, quase voltando para o elevador, quando ele se abriu novamente.
Distraída, Miranda entrou no elevador mexendo no celular, tentando inutilmente encontrar algum sinal de rede. Completamente distraída olhando na tela, esqueceu de apertar o botão do andar desejado. O elevador, então, começou uma jornada errática, subindo alguns andares, descendo outros, parando em diferentes níveis enquanto pessoas entravam e saíam, alheias à sua crescente ansiedade. Finalmente, as portas se abriram novamente, e um homem lindo entrou no elevador.
O homem que adentrou o elevador era Peterson. Vestia calça jeans escura de marca cara, tudo impecável, uma camisa social de tecido leve e elegante, e sapatos de couro lustrosos. Exalava um perfume amadeirado com um toque sutilmente doce, que preencheu o pequeno espaço.
Peterson já havia visto uma foto de corpo de Miranda durante as conversas online. Embora a qualidade da imagem não fosse das melhores, ele se lembrava distintamente de uma pequena tatuagem de borboleta que adornava seu braço esquerdo. Ao vê-la ali, abanando-se levemente com a mão enquanto teclava no celular, a reconheceu de imediato, especialmente pelo decote.
Seu olhar percorreu Miranda dos pés à cabeça, analisando cada detalhe. A roupa surrada, o decote pronunciado e a maquiagem que parecia ter sofrido com o calor não passaram despercebidos. Em sua mente, formou-se um julgamento rápido: simplória, talvez até inapropriada para o ambiente, e uma vaga impressão de descuido, desleixo.
Miranda, ainda dispersa na busca por sinal em seu celular, sentiu o olhar sobre si. Por uma fração de segundos, seus olhos se encontraram com os de Peterson. Ela registrou a elegância do homem, sua presença marcante, mas a intensidade do seu olhar a deixou desconfortável. Quase que instantaneamente, desviou o rosto, voltando a atenção para a tela do aparelho, tentando disfarçar o nervosismo e a sensação de estar sendo avaliada. O silêncio no elevador tornou-se ainda mais carregado.
Finalmente, o celular de Miranda conseguiu captar um fio de sinal. Rapidamente, digitou uma mensagem no perfil fake de "LacCurioso": "Houve um imprevisto, não vou poder comparecer hoje. Devolverei o adiantamento assim que possível. Desculpe." Enviou a mensagem, e o celular de Peterson, no outro canto do elevador, apitou discretamente. Ele permaneceu de costas, a expressão séria e impassível.
Incrédula, Miranda digitou outra mensagem, quase como um teste: "Desculpe mesmo, de verdade." Mais uma vez, o celular de Peterson apitou. A ficha começou a cair. Seria possível que aquele homem elegante e misterioso fosse "LacCurioso"? Parecia irreal.
Ele a levou até o final do corredor e abriu a porta de um quarto. Ao entrar, Miranda ficou deslumbrada. O ambiente era lindo demais, com amplas janelas que ofereciam uma vista panorâmica da piscina. Móveis de design sofisticado minimalista. A cama king-size, com lençóis brancos, pareciam um convite ao descanso. Aquele luxo extremo contrastava drasticamente com a sua realidade e com o quarto de hotel modesto que ela imaginava para o encontro. Por um instante, esqueceu o medo, absorvida pela beleza e pela grandiosidade daquele lugar na cobertura.
Peterson caminhou até a cama e se sentou na beirada, observando Miranda com uma expressão que ela não conseguia decifrar completamente. — Vá se lavar. — Ordenou, com a voz firme e sem rodeios.
— Você parece suada, e esse perfume barato... está me dando dor de cabeça.
As palavras de Peterson atingiram Miranda como um tapa. A humilhação a invadiu de imediato, fazendo-a se sentir ainda mais inferiorizada naquele ambiente de luxo. A firmeza em sua voz não deixava espaço para questionamentos. Sem dizer uma palavra, com o rosto em chamas de vergonha, Miranda se dirigiu ao banheiro.
Ela fechou a porta atrás de si, buscando um refúgio naquele espaço isolado. A água quente do chuveiro lavou não apenas o suor da viagem, mas também um pouco da sua insegurança, afinal, deduziu que ele gostou dela. Enquanto se secava com a toalha macia e felpuda, um susto a fez sobressaltar. A porta do banheiro se abriu, e Peterson estava ali, parado na entrada, observando-a.

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