Valentina estava parada na entrada do hospital, de repente sem saber para onde ir. Seus próprios assuntos ainda não estavam resolvidos, era certo que não podia voltar para a Família Nogueira, e também não ousava ir à casa de seu mentor, com medo de agravar a doença dele, sem contar que ainda não estava pronta para vê-lo.
Parada na beira da rua, ela soltou um longo suspiro e optou por ir embora direto.
Vinte minutos depois, o táxi parou em frente à mansão. Valentina foi direto para o andar de cima. Ao abrir o guarda-roupa e olhar para os presentes cuidadosamente guardados à direita, sentiu uma pontada no peito.
Presentes que Félix Ferraz havia lhe dado a cada aniversário de casamento, do primeiro ao quinto ano.
Durante esses anos, quando sentia que não conseguiria aguentar, Valentina dependia dessas coisas para sobreviver.
Mas dessa vez, ela não pegou essas coisas. Lançou um olhar frio e guardou seus próprios pertences na mala, que não chegou a encher nem pela metade.
Valentina deu um sorriso autodepreciativo. Ao virar a cabeça e ver a boneca da filha ao lado, ela a pegou e acariciou; era a recompensa da apresentação escolar da filha no ano anterior.
Mas agora, sentia que não havia mais necessidade de participar da apresentação daqui a um mês.
Depois de arrumar suas coisas, ela desceu as escadas com a mala. Parada no pé da escada, olhou ao redor para aquele lugar onde vivera por tanto tempo. Por toda parte havia cenas de carinho com Félix e momentos felizes com a filha. Sentiu como se uma grande pedra pressionasse seu peito.
Ela soltou um suspiro profundo e se virou, preparando-se para ir à estação de trem de alta velocidade.
Quando chegou à estação, já era tarde da noite. Valentina caminhava para dentro puxando a mala.
Foi então que passos apressados soaram.
— Não corra! Pare aí!
Uma voz de homem, cheia de raiva.
Valentina levantou a cabeça por instinto e viu um homem puxando uma garotinha enquanto se aproximava apressado. A menina, que devia ter uns quatro ou cinco anos, tentava desesperadamente se soltar da mão dele.
Valentina instintivamente estendeu a mão para segurá-la. No instante em que abaixou a cabeça, seus olhos se encontraram com um par de olhos grandes e cheios de lágrimas.
A garotinha levantou o rosto, que ainda tinha lágrimas escorrendo, e suas mãozinhas agarraram com força a manga do casaco de Valentina. Sua voz era fina e trêmula, em tom de choro.
— Tia, me salve! Eu não conheço ele!
O coração de Valentina deu um solavanco. Sua primeira reação ao se deparar com algo assim foi ligar para a polícia.
Valentina sorriu.
— Nina, que nome lindo.
Olhando para aquele rostinho obediente, Valentina de repente sentiu uma dor surda no coração.
Áurea também costumava ser obediente assim, mas agora já não sorria mais para ela daquele jeito.
Aos olhos de Áurea, ela era apenas uma babá desempregada, uma mãe que a fazia se sentir envergonhada na frente das outras crianças.
Valentina curvou os cantos dos lábios, reprimindo a dor que surgia em seus olhos.
— Tia, você está triste? — Nina tombou a cabeça para o lado, olhando para ela com o rostinho cheio de seriedade.
Valentina piscou, surpresa, e balançou a cabeça.
— Não, a tia está muito feliz, porque a Nina está segura.

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