“Hurum...”, ela respondeu suavemente.
“Como a Sra. Scott está acordada agora, significa que sua condição se estabilizou”, disse o médico. “Vou fazer um exame rápido. Se tudo estiver bem, ela só precisa de descanso para se recuperar.”
O exame não demorou. Cinco minutos depois, o médico concluiu: “Pelo que vejo, ela está estável. Se surgir algo, é só nos chamar imediatamente.”
“Sr. Hensley, posso sair agora?”, perguntou, virando-se para Charles.
O rosto dele era difícil de decifrar. “Vá.”
O médico não esperou por um segundo convite praticamente fugiu. Ninguém queria ofender aquele homem.
Quando o médico saiu, a sala ficou silenciosa novamente, só os dois ali dentro. O ar ficou estranho.
“Você...”
“Você...”
Falaram ao mesmo tempo, e logo se calaram, olhos presos numa incerteza.
“Você começa”, disse Charles, quebrando o silêncio.
“E-eu estou um pouco com sede”, Jessica falou, quase tímida.
Era estranho. Depois de levar uma bala por ele, por que tudo parecia ainda mais desconfortável entre eles?
Charles lhe serviu um copo de água e ajudou-a a sentar com cuidado.
Ela bebeu devagar, a garganta seca finalmente estava aliviada. Quando terminou, devolveu o copo.
Ele estava sentado na beira da cama dela. Daquele jeito, dava para ver as olheiras profundas sob os olhos.
Parecia exausto, teria passado as noites em claro cuidando dela?
“Minha ferida...”, ela começou.
“A bala atingiu seu ombro esquerdo”, ele disse antes que ela terminasse. “Quase te matou.”
“Ah.” Ela assentiu levemente, absorvendo a realidade. Tinha mesmo muita sorte de estar viva.
Mas então a expressão dele ficou fria. Os olhos afiados como os de um falcão se fixaram nela com intensidade.
Ela estremeceu com o frio súbito no quarto. “O-o que foi?”
“Jessica”, a voz dele caiu, carregada de raiva: “Eu já te disse antes sua vida me pertence. Se um dia pensar em jogá-la fora, é melhor me pedir permissão antes!”

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