POV Lucy
— Nova York? Sorrir para as câmeras? — Soltei uma risada seca e sem nenhum pingo de humor, cruzando os braços com força sobre o peito. — Acho que o álcool, ou seja lá o que deram para a gente, derreteu o seu cérebro, Lancaster. Eu não vou a lugar nenhum com você.
Dylan parou no meio da suíte, o roupão amarrado na cintura, me encarando com a impaciência de um rei que acabou de ser contrariado por uma camponesa.
— Lucy, você não tem escolha. Se formos vistos juntos, se a mídia descobrir...
— Exatamente! Se a mídia descobrir! — Levantei um dedo no ar, sentindo a adrenalina finalmente sobrepor o pânico. — Pensa comigo, bilionário. Onde está o contrato?
Ele franziu a testa.
— No bolso do meu paletó.
— Ótimo. E quem mais sabe disso? Um juiz de paz de Las Vegas que provavelmente realiza vinte casamentos de bêbados por noite. Ele nem deve lembrar dos nossos rostos!
Comecei a andar pelo quarto, recolhendo minhas roupas freneticamente. Um vestido aqui, minha lingerie jogada perto do frigobar. Falar em voz alta estava me ajudando a organizar o caos.
— Nós não precisamos interpretar os papéis de marido e mulher. Isso é loucura, é roteiro de filme ruim! — Falei, vestindo a roupa de qualquer jeito. — Nós moramos em estados diferentes. Eu volto para a minha vida de plantões em Chicago, você volta para a sua torre de vidro em Nova York. A gente não se vê, não se fala, não respira o mesmo ar. Vivemos as nossas vidas como se a noite passada nunca tivesse existido. Quando der 365 dias exatos, a gente assina um divórcio silencioso por correspondência e ninguém paga multa nenhuma. Fim da história.
Dylan ficou em silêncio. Observei as engrenagens trabalhando por trás daqueles olhos escuros e calculistas. Ele estava analisando a minha proposta como se fosse uma fusão corporativa.
— Um casamento fantasma — ele murmurou, testando as palavras. — Sem coabitação. Sem contato. Apenas um status civil oculto por doze meses.
— Exato! — Sorri, aliviada por ele estar entendendo a lógica. — Minha amiga Aisha me mataria se eu escondesse um marido dela, mas eu garanto que minha boca é um túmulo. E você não precisa apresentar uma enfermeira falida para a sua família da alta sociedade. É o plano perfeito. Nós saímos por aquela porta e nunca mais nos olhamos.
Dylan passou a mão pelo maxilar tenso, pesando os riscos. Finalmente, a tensão nos ombros dele cedeu uma fração de milímetro.
— Tudo bem. Faz sentido. É contenção de danos básica. — Ele caminhou até o paletó, pegou o celular e digitou algo rápido. — Vou mandar meu motorista te levar para o aeroporto comercial. Eu pego o meu jato.
Respirei fundo, sentindo como se um elefante tivesse saído do meu peito. Eu estava salva. O pesadelo tinha acabado.
Vinte minutos depois, estávamos vestidos e dentro do elevador privativo que nos levava ao saguão VIP do hotel. O silêncio entre nós era mortal, quebrado apenas pelo bipe suave dos andares descendo. Eu encarava os números luminosos; ele encarava o próprio relógio de pulso.
Quando as portas se abriram no térreo, a realidade pareceu nos atingir. Nós realmente íamos nos separar.
Dylan parou no meio do hall deserto e virou-se para mim. Em um terno completo sob medida que ele devia ter mandado entregarem enquanto eu me trocava, ele parecia ainda mais intimidador. Ele tirou um cartão de visitas preto do bolso com letras douradas e me entregou.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Preço de Uma Noite em Vegas: UM CASAMENTO DE 100 MILHÕES