POV Lucy
O trajeto do aeroporto JFK até o Upper East Side foi um desfile silencioso de luxo. Quando o SUV preto blindado finalmente estacionou em frente a um edifício residencial que mais parecia um palácio de vidro e aço, eu já estava exausta.
Dois porteiros uniformizados correram para abrir as portas do carro. Assim que os pés de Dylan tocaram a calçada, o mundo ao redor pareceu entrar em órbita ao redor dele.
Caminhamos pelo saguão com piso de mármore preto, e foi impossível não notar. Uma mulher elegantíssima com um cachorro minúsculo na coleira parou no meio do caminho, os lábios entreabertos, os olhos devorando Dylan dos pés à cabeça. A recepcionista, que deveria estar focada no monitor, esticou o pescoço e ajeitou o decote em um reflexo quase instintivo. Até mesmo uma executiva que saía do elevador tropeçou nos próprios saltos ao encará-lo.
Revirei os olhos com tanta força que achei que conseguiria ver o meu próprio cérebro.
Dylan não pareceu notar. Ou pior: ele estava tão acostumado a ser o centro do universo feminino que aquilo era apenas terça-feira para ele.
Enquanto entrávamos no elevador privativo, as portas de metal espelhado se fecharam, isolando-nos mais uma vez. Observei o reflexo dele. O maxilar perfeitamente desenhado, os ombros largos preenchendo o terno sob medida, a aura de poder inatingível.
O Lobo de Wall Street foi fisgado, dizia a manchete. O solteiro mais cobiçado de Nova York, famoso por trocar de namorada de capa de revista com a mesma frequência com que eu trocava de jaleco.
Cruzei os braços, a realidade do nosso acordo me atingindo com uma nova onda de preocupação logística.
— Tem um pequeno detalhe na sua regra número dois que nós esquecemos de discutir, Lancaster — falei, quebrando o silêncio enquanto os números do elevador subiam em uma velocidade vertiginosa.
Ele nem olhou para mim. Continuou focado no visor do celular.
— Ilumine-me.
— A sua fama. Você é conhecido por não se prender a ninguém. — Virei-me para encará-lo. — Se vamos fingir que somos um casal apaixonado por um ano, como vai ser com as suas... "amigas"? Porque se um paparazzo flagrar o marido do ano saindo de um hotel com uma modelo ruiva, o seu avô vai descobrir a nossa farsa em cinco minutos.
Dylan finalmente parou de digitar e guardou o celular no bolso. Ele se virou na minha direção, o espaço no elevador parecendo encolher de repente.
— Está preocupada com a minha fidelidade, esposa?
— Estou preocupada com a multa de cem milhões de dólares — rebati, sustentando o olhar. — Quero saber se você consegue manter o zíper da calça fechado por 365 dias. Porque eu não vou ser feita de idiota na capa dos tabloides para cobrir a sua vida de playboy.



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