POV Lucy
O saguão do hotel em Las Vegas parecia ter encolhido. Quando as portas de vidro automáticas se abriram, fomos engolidos por um mar de caos.
O som era ensurdecedor. Dezenas de vozes gritavam ao mesmo tempo, misturando-se aos cliques e zumbidos das câmeras. Os flashes disparavam como uma tempestade de relâmpagos, cegando-me momentaneamente.
— Dylan! É verdade que você casou com uma anônima?
— Quem é a garota, Lancaster?
— Ela está grávida? É por isso que foi em segredo?
Instintivamente, recuei um passo, levantando a mão para proteger os olhos. Eu estava acostumada com o caos de um pronto-socorro lotado na sexta-feira à noite, mas aquilo era outro nível de insanidade. Eram abutres farejando sangue fresco.
Foi quando senti a mão de Dylan.
Seus dedos longos e firmes envolveram a minha cintura, puxando-me para perto do seu corpo com uma possessividade que me fez prender a respiração. O calor que irradiava dele através do meu vestido era desconcertante.
— Sorria, Lucy — ele murmurou, a voz grave vibrando apenas para que eu ouvisse, a boca roçando perigosamente perto da minha orelha. — Deixe que eles achem que somos os idiotas mais apaixonados do mundo.
Eu não sabia como, mas forcei os cantos da boca a subirem. Dylan ergueu a mão livre, acenando brevemente para os fotógrafos com a arrogância natural de quem nasceu para ser o centro das atenções.
Ele me guiou com maestria através da multidão, os seguranças do hotel abrindo caminho como quebra-gelos no oceano, até chegarmos a um SUV preto com os vidros totalmente escuros que nos aguardava no meio-fio.
Ele abriu a porta, me ajudou a entrar e entrou logo em seguida, batendo a porta e cortando o som do mundo exterior como num passe de mágica.
O carro acelerou bruscamente. Deixei a cabeça cair contra o encosto de couro macio, exalando todo o ar dos meus pulmões de uma só vez.
— Isso foi... aterrorizante — murmurei, esfregando o rosto.
— Acostume-se. Vai ser a nossa rotina a partir de agora. — O tom de Dylan era frio novamente. O "marido protetor" havia ficado na calçada junto com os paparazzi. Ele já estava digitando freneticamente no celular.
Vinte minutos depois, eu descobri que a minha definição de "riqueza" estava muito, muito errada.
Quando ele disse que pegaríamos "o jato", imaginei um aviãozinho executivo apertado. O que nos aguardava na pista particular do aeroporto era uma fortaleza voadora com o logotipo prata da Lancaster Holdings na cauda.
O interior era maior do que o meu apartamento e o da Aisha juntos. Poltronas de couro creme que pareciam abraçar o corpo, detalhes em madeira de nogueira polida, uma televisão embutida e uma comissária de bordo que nos ofereceu toalhas quentes perfumadas e taças de champanhe antes mesmo de decolarmos.
Recusei o champanhe com um aceno rápido. Já tínhamos tido álcool o suficiente para arruinar a próxima década das nossas vidas.
Assim que os avisos de cinto de segurança foram desligados, Dylan largou o tablet que estava lendo e cravou aquele olhar escuro em mim.
— Precisamos estabelecer algumas regras — ele começou, cruzando os braços. A postura relaxada contrastava com a tensão no seu maxilar. — Se vamos sobreviver a 365 dias sem pagar cem milhões de dólares, precisamos de um roteiro.
— Sou toda ouvidos, poderoso chefão. — Cruzei as pernas, tentando parecer mais confiante do que me sentia.
— Regra número um: Você se muda para a minha cobertura no Upper East Side. Sem negociações.



VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Preço de Uma Noite em Vegas: UM CASAMENTO DE 100 MILHÕES