Um homem deu um passo à frente, era o parceiro de negócios que o sr. Devins havia encontrado na entrada do hotel. Ele tinha uma expressão severa no rosto e não retribuiu o sorriso que o pai de Scarlett lhe mostrou, apesar de sua longa amizade.
"Jeffrey…" O sr. Devins começou a dizer, mas seu amigo o interrompeu.
"Espere, Dan... tudo o que tô ouvindo é verdade, mesmo? Você traiu sua falecida esposa além expulsou a filha dela da única casa que ela já conheceu?"
"Escute... não é tão ruim quanto parece, não."
"Não acredito nisso..."
Scarlett, que esperava ali ao lado, decidiu dar um passo à frente. Todos os olhos convergiram para ela, como se estivesse iluminada por um holofote, e fosse a única pessoa importante naquela sala cheia de convidados VIP. Os olhares de todos a seguiram, enquanto ela dirigia-se ao centro, onde seu pai estava ao lado de seu amigo e sócio. As pessoas observaram sua aparência, apontando para sua roupa simples em uma reunião tão formal, sentindo-se pena por ela, horrorizados com o fato de seu próprio pai ter feito isso com essa jovem. Ele a despojou de tudo e a deixou sozinha para se cuidar. Quão cruel assim uma pessoa poderia ser?
Apesar de toda a atenção que recebeu, Scarlett manteve a cabeça erguida e encarou o pai, cuja mandíbula estava apertada e parecia muito chateado. Mas, novamente, ela não conseguia mais se lembrar da última vez que o homem havia olhado para ela com outro sentimento, senão raiva e decepção.
As pessoas novamente começaram a especular.
"Ah, nossa... Dan Devins é péssimo. Como poderia abusar assim de sua filha e substituí-la por uma garota barata e sua mãe?"
"Mas não é? Olha só pra senhorita Devins, tá tão lamentável agora, veja o que tá vestindo... roupas que não são de marca. Pobre garota! Sua falecida mãe deve estar horrorizada, observando do céu."
"Como o sr. Devins pôde pensar que outra mulher seria capaz de se comparar a Alicia? Ela era o epítome da beleza e elegância. Olha só, a filha dela se parece com ela…"
Todos foram unânimes em decretar que o sr. Devins era um monstro e não merecia mais o respeito das pessoas. O mesmo se aplicava a Megan e sua mãe também, embora para início de conversa, nunca tenham impressionado a multidão.
Joyce ficou indignada ao ouvir as palavras desagradáveis dirigidas a ela. Embora nunca tenha sido rica, sempre cuidou-se bem e conhecia todas as atitudes das pessoas ricas. Achava que parecia melhor do que todas as outras mulheres de sua idade, mas agora, estavam dizendo que ela era menos atraente do que a p*rra de uma pessoa morta? Irritou-a que Alicia ainda arruinasse sua vida, mesmo após sua morte, e nunca havia se sentido mais humilhada em sua vida.
Sua filha Megan se escondeu atrás dela para escapar de sua própria tristeza e humilhação, mas era inútil. Ela só precisava deixar aquele lugar horrível.
O rosto do sr. Devins estava vermelho carmesim. Talvez se sentisse ainda pior do que Megan e sua mãe, que já haviam sido tratadas injustamente antes. Era tudo culpa de Scarlett, sua própria filha estava decidida a propiciar a ruína dele. Apesar de todo o castigo que deu a ela, a jovem ainda reergueu-se fortemente, disposta a arriscar tudo para arruinar sua reputação. Ele não podia acreditar que as pessoas não viam como ela era má e de fato a defendiam.
Mas ele pensaria depois em uma maneira de se vingar. O que mais importava no momento era encontrar uma maneira de se justificar diante de toda aquela gente, pois não aguentava mais ficar calado.
Mas o que poderia dizer, então, sem soar como um completo idi*ta?
Ele suprimiu a raiva que sentia e caminhou em direção a filha, com voz falsamente carinhosa ao falar com ela:
"Scarlett, querida... Como veio parar aqui? Onde esteve todo esse tempo? Estive te procurando."
Os olhos da jovem encheram-se de lágrimas. Ela não acreditava em nenhuma das palavras do pai, era claro. O que a perturbou foi finalmente perceber como ele era astuto e mau. Assim como havia acontecido com Austin e Megan, ela estava cega demais para ver sua verdadeira face.
"Por que tá fazendo isso, pai?" Ela chorou: "Pare, acabou... Não há saída para essa situação... fingir ser um pai atencioso não vai te ajudar."
"Scarlett... nada vale a pena ter uma briga tão feia com seu pai na frente de todo mundo. Devemos resolver nossos problemas em particular. Claramente, houve um mal-entendido, mas por que expor nossas vidas privadas assim?"
"Um mal-entendido, né? Você levou outra mulher pra casa da minha mãe."
"Ouça, não é o que você pensa... Joyce ficaria apenas alguns dias, ela foi despejada de seu apartamento anterior e não tinha outro lugar pra ficar. Eu só queria ajudá-la, já que nos conhecemos."
"Mentira... você a trouxe aqui como seu par, me disse que se casaria com ela e que eu deveria aceitá-la como parte de nossa família. Até o Austin confirmou isso."
"Bem, o Austin não sabe de que diabos tá falando, só tá amargo e ciumento, mas esse é um problema que você deve resolver entre Megan, ele e você."
Scarlett ficou indignada, pois seu pai era tão terrível que estava disposto a colocar a culpa em qualquer outra pessoa, apenas para não assumir suas responsabilidades, mesmo com as pessoas de quem supostamente deveria gostar.

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