Scarlett fez o possível para carregar o corpo pesado do jovem até a cama.
Suas pernas vacilaram, mas felizmente ela não caiu e o machucou, conseguindo chegar com sucesso a cama e o ajudando a se deitar. As mãos dela tremiam muito, porque o peito dele subia e descia rapidamente e sua pele estava coberta por uma fina camada de suor.
Ryke ficou em posição fetal, segurando o estômago. Parecia que algo tentava sair de sua pele. Nunca havia sentido tanta dor, desde a última vez que comeu comida picante, aos quinze anos de idade.
Scarlett sentou ao lado do rapaz, segurando seus ombros.
"M*rda, m*rda, m*erda." Ela continuou xingando.
Ryke gemeu, e com muito esforço, conseguiu tirar o telefone da jaqueta.
"O que eu faço?!" Scarlett estava pirando. "Preciso te levar ao hospital? É a coisa inteligente a fazer, né? Vamos pro hospital. Hum... Vou pedir um Uber e... "
"Escuta..."
"O quê?!"
"Ligue... para meu médico... seu número no telefone... aqui."
Ele deu a ela seu telefone, no qual a jovem mexeu desajeitadamente, ainda bastante abalada com a situação. Assim, abriu os contatos dele e digitou "médico". Ela rapidamente encontrou um número e ligou.
Era a pessoa certa, e explicou ao homem do outro lado da linha o que havia acontecido e deu a ele o endereço do apartamento. O homem disse que chegaria em trinta minutos ou mais.
Scarlett desligou e colocou o telefone no criado-mudo, perguntando-se por que um simples acompanhante tinha um médico particular.
"O médico tá chegando, não se preocupe." Ela informou a Ryke: "Hum... por enquanto, me deixa te ajudar a tirar suas roupas... você tá muito molhado."
Ela o ajudou a deitar de costas e começou a tirar a jaqueta dele. Os olhos de Ryke estavam fechados, mas não estava dormindo. Tinha a sobrancelha profundamente franzida e sua mandíbula apertada, provavelmente devido à dor que sentia.
Scarlett largou a jaqueta no chão e tirou a calça jeans também, fazendo isso com as mãos trêmulas e esforçando-se muito para não olhar para o corpo seminu dele. Mas o que fez pareceu ajudar, especialmente após diminuir a temperatura do aparelho de ar-condicionado.
"Não se preocupe..." Repetiu ela, passando a mão pela testa dele: "Em breve você vai ficar bem."
"Hum... " Ele gemeu, olhando-a com os olhos semicerrados.
"Por que não me contou que não pode comer a comida picante?" Ela o repreendeu suavemente.
"Eu te disse..."
Scarlett corou de vergonha. Ele havia contado a ela, mas não acreditou nele e pensou que estava apenas sendo dramático.
"Bem, não deveria ter comido, se sabia que isso ia acontecer, seu idiota!"
"...Queria ser um homem de verdade pra você."
Scarlett balançou a cabeça e Ryke sorriu, apesar de sua dor. Ela ficou com ele, cantarolando uma canção que sua mãe lhe ensinou quando era pequena. A mulher costumava cantar para ela toda vez que ficava doente e, de alguma forma, Scarlett sentia o forte desejo de fazer o mesmo por Ryke.
Quando o médico chegou, ele verificou os sinais vitais do jovem e também o repreendeu por comer algo picante, quando sabia que não faria bem a seu estômago. Então, escreveu uma receita, que deu a Scarlett e forçou Ryke a tomar um analgésico.
"Só dê a ele esses remédios." Ele instruiu Scarlett: "Ele precisa tomá-los de manhã e à noite, até se sentir melhor. Isso não deve levar mais do que dois ou três dias, então não se preocupe muito, mocinha."
"Obrigada."
Scarlett acompanhou o médico e prometeu ligar para ele novamente, se necessário. No entanto, sua mente coçava, para interrogá-lo sobre a identidade de Ryke. Queria saber o nome dele, pelo menos. Havia tantos mistérios que o cercavam, e de alguma forma havia se tornado uma parte importante de sua vida, no entanto, ainda não sabia nada sobre ele. Mas perguntar a outra pessoa seria desrespeitoso. Se ia aprender mais sobre ele, queria que saísse da boca dele e de mais ninguém.
Após tomar um analgésico, Ryke sentiu-se muito melhor e conseguiu sentar-se na cama. Scarlett, por sua vez, voltou ao quarto para pegar um casaco que usava por cima do pijama.
"Eu vou na farmácia rapidinho, comprar o seu remédio. Vai ficar bem, né?"
Ryke assentiu, com uma espécie de cara tímida, ainda não estava acostumado a ter outra pessoa cuidando dele. Nem mesmo sua mãe tinha demonstrado tanta atenção, quando ele era jovem.
Então, Scarlett foi até a farmácia mais próxima, sem importar-se com suas más escolhas de vestuário e com os olhares estranhos que recebia das pessoas. Assim, comprou todos os remédios para Ryke e também parou no supermercado, para comprar alguns vegetais e frango, pois ia fazer uma sopa para ele. Afinal, não é saudável tomar remédios com o estômago vazio.
Mas ela nunca havia cozinhado para outros antes, e estava um pouco nervosa quando voltou para casa e colocou todas as compras no balcão. Por fim, decidiu abrir um tutorial no Youtube e seguir os passos, para fazer canja de galinha.
Ela cortou cuidadosamente o gengibre, picou cebolinha e lavou os pedaços de peito de frango, quase cortando o dedo no processo, mas felizmente conseguiu terminar de cozinhar, sem sofrer nenhum acidente grave.
A jovem despejou um pouco da sopa em uma tigela e levou em uma bandeja para o jovem, junto com um copo d'água e seu remédio.
Ele estava cochilando, mas acordou com o som de uma porta se abrindo, deparando-se com a visão de Scarlett e pensando que seu coração iria explodir por causa de quão angelical ela parecia. Seu cabelo loiro caía lindamente em suas costas, e seu pijama rosa acrescentava um pouco mais de suavidade a seu visual. Então, ela sorriu e sentou-se ao lado dele.
"Eu te trouxe comida!" Ela cantava alegremente: "Cozinhei sozinha... não sou a melhor nisso, mas acho que fiz um bom trabalho."
Ryke fez uma cara feia, só para provocá-la, e ela riu.
"Para! Deveria estar grato por eu ter me incomodado em cozinhar pra você, não?"
"Tô grato." Ele disse com um pequeno sorriso.
Scarlett usou a colher para mexer a sopa, mas o olhar ardente do jovem sobre ela a deixava um pouco nervosa, e decidiu alimentá-lo para que economizasse energia. Ryke, por sua vez, obedientemente abriu a boca e comeu o que ela lhe deu.

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