POV ALICE.
Amanheceu e, após o café da manhã, acompanhei minha mãe até fora de casa, auxiliei-a a se sentar na varanda para aproveitar um pouco da luz do sol. Sua pele estava pálida e parecia absorver cada raio com gratidão. Conversamos um pouco e era tão bom conversar com minha mãe.
Lulu, se aninhou no colo da minha mãe e recebeu um carinho na cabeça. Lulu sabia da fragilidade de minha mãe e da necessidade de vigilância. Não podia esquecer que estava numa alcateia cheia de lobos e que nós duas eramos as únicas humanas aqui. Era reconfortante saber que, enquanto eu estivesse ausente, Lulu estaria ali, mantendo minha mãe acompanhada e protegida.
Com um último olhar para ambas, deixei a varanda e caminhei em direção ao escritório de Darius na mansão. Meu coração estava inquieto. A ideia de me encontrar com Agatha, para aprender sobre o mundo sobrenatural e meu papel como Luna, me preenchia com nervosismo e curiosidade.
Eu odiava ter que esconder tudo isso da minha mãe, mas sabia que era necessário. Ela não podia saber a verdade, não agora. Darius foi enfático: o choque poderia ser devastador, até fatal. Ele explicou que a mente humana tem limites diante do desconhecido e que, para alguém como minha mãe, já tão fragilizada, descobrir sobre o mundo sobrenatural sem preparo seria como confrontar um abismo de incertezas e medos.
Ele mencionou casos históricos de humanos que descobriram o segredo: poucos resistiram sem traumas irreversíveis, e muitos perderam a sanidade. Era um lembrete sombrio de que a verdade, por mais libertadora que possa parecer, também pode ser uma arma mortal. Nem todos estão prontos para essa realidade.
Quando cheguei à porta do escritório, respirei fundo e ergui a mão para bater, mas antes que meus nós dos dedos tocassem a madeira, a porta se abriu abruptamente. Dei um pequeno salto para trás, assustada.
— Pode entrar, Alice. Eu ouvi você chegando e senti seu cheiro — disse Agatha, com um sorriso sereno, enquanto eu ainda me recuperava do susto. Seus olhos brilhavam com um misto de autoridade e gentileza, e sua postura ereta transmitia uma força natural.
Entrei devagar, sentindo o peso da atmosfera do escritório. Aquele lugar exalava poder e autoridade, eu me sentia intimidada, sempre que entrava aqui. Agatha apontou para uma poltrona diante da mesa de Darius, e eu me sentei, tentando parecer mais confiante do que realmente estava. Ela se acomodou na cadeira de Darius, naturalmente.
— Meu filho pediu para te ensinar tudo sobre o mundo sobrenatural e sobre ser Luna. Vamos começar pelos lobisomens — ela anunciou, cruzando as mãos sobre a mesa. — Como já deve ter notado, temos sentidos mais apurados que os humanos. Por exemplo, eu senti e reconheci seu cheiro a metros de distância. Assim como pude ouvir tudo que você conversou com sua mãe na varanda. — Contou.
— Você… ouviu toda a nossa conversa? — perguntei, sem esconder minha surpresa.
— Sim. Me desculpe, mas a janela estava aberta, e não pude evitar. Os cômodos dessa casa têm isolamento acústico para evitar situações como essa, mas se houver portas ou janelas abertas, não podemos deixar de ouvir — explicou ela.
— Bom saber disso — murmurei. — Vou tomar mais cuidado quando conversar aqui e quiser manter segredo. Agatha riu, um som leve e quase musical.
— Ah, e podemos ouvir quando sussurram também — ela acrescentou, divertida.
— E também podem… sentir nossa excitação. — falei, desconfortável, quando me lembrei de Darius falando.

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