POV ALICE.
O dia mal havia começado e eu já sentia a tensão percorrendo cada fibra do meu corpo. Eu precisava me esforçar ao máximo para esconder minhas preocupações, da minha mãe. Eu a queria longe desse mundo, mas seria impossível protegê-la para sempre.
Precisava manter a calma, mas meu peito era um turbilhão de emoções. A qualquer momento, minha mãe poderia notar o quanto eu estava tensa, e isso era a última coisa que eu queria. Mamãe estava frágil e debilitada, ela precisava de paz. Mas como eu poderia lhe dar paz quando tudo ao meu redor era um mar revolto de segredos e perigos?
Tudo o que Darius me contou na noite passada não saía da minha cabeça. Eu temia que alguém pudesse nos drogar, eu ou minha mãe. Era um pensamento sufocante. Eu estava com medo de comer qualquer coisa, e beber até mesmo um gole de água. Minha mente trabalhava em alerta total, sem descanso.
Ouvi uma batida na porta e pedi que entrasse. Agatha surgiu sorridente e disse que veio nos buscar para o café da manhã. Assim que se aproximou de mim, sussurrou:
— Você pode comer tranquila, Alice, fui eu quem preparou a refeição. — Comentou tranquilamente. A surpresa deve ter ficado evidente no meu rosto, porque ela sorriu de leve.
— Você sabe cozinhar? — perguntei baixinho, ainda perplexa. Ela ergueu uma sobrancelha, parecendo se divertir com minha reação.
— Sim, Alice. Eu já fui uma rainha, mas antes disso, eu era uma loba comum e aprendi a cozinhar. Bartolomeu gosta de comer minha comida de vez enquanto. — Comentou baixinho e sorrindo. — Darius nos contou o que está acontecendo, e Bartolomeu e eu não permitiríamos que vocês corressem riscos. — Disse séria.
Soltei um suspiro aliviado. Isso tirava um peso gigantesco das minhas costas. Agora eu poderia alimentar minha mãe sem medo. Durante a manhã e o almoço, Agatha e Bartolomeu ficaram conosco, conversando sobre a cerimônia do casamento. Minha mãe parecia animada com o assunto, mas eu me esforçava para acompanhar a conversa, mas minha mente estava em outro lugar.
Na parte da tarde, Agatha nos levou até uma sala de lazer aconchegante. O ambiente era espaçoso, com um grande sofá macio, uma estante repleta de livros e uma enorme televisão que capturou a atenção da minha mãe imediatamente.
O chão era coberto por um tapete felpudo, e a iluminação suave tornava o ambiente ainda mais acolhedor. Eu sabia que aquele era o refúgio perfeito para ela relaxar, enquanto eu tentava aliviar um pouco da tempestade em minha mente. Aproveitei a oportunidade para ligar para Abigail. Assim que atendeu, veio o sermão:
— Até que enfim, Alice! Uma semana! Uma semana sem dar notícias! Você me abandonou, sua ingrata! — Reclamou Abi, chateada. Suspirei, sentindo a culpa se instalar.
— Eu sei, eu sei… Mas minha vida virou de cabeça para baixo, Abi. A recuperação da minha mãe, o casamento… Eu me envolvi demais com a minha nova realidade e os dias passaram e nem notei. Me desculpa, de verdade. — Pedi, me sentindo muito culpada por deixar minha melhor e única amiga de lado.
— Está bem, eu te perdoo, por me abandonar — ela resmungou, mas senti que já estava se acalmando. — Mas me conta… Como está essa nova vida de casada? — Perguntou curiosa.
Engoli em seco. Se ao menos eu pudesse contar tudo. Se ao menos eu pudesse explicar que agora fazia parte de um mundo sobrenatural, que era uma rainha e Luna de uma alcateia… Mas Abi jamais entenderia. Ela surtaria. E eu a colocaria em risco.
— É tudo novo para mim, Abi. Essa casa é enorme e me sinto deslocada. Eu e Darius estamos começando a nos entender. — Comentei.
— Isso quer dizer que vocês já transaram? — Perguntou animada. Eu sabia que ela iria tocar nesse assunto.
— Sim, Abi, nós já transamos. — Comentei. Abi deu um grito animado do outro lado da ligação.
— E você me conta isso assim? Me conte tudo, nos mínimos detalhes. — Falou empolgada.
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