POV ALICE.
Ele parou de me beijar e eu senti sua respiração quente contra minha pele quando ele encostou a testa na minha. Seu peito subia e descia rapidamente, a respiração ainda acelerada, como se tentasse recuperar o fôlego.
— O que foi? — perguntei, preocupada, deslizando os dedos, suavemente, pelo seu rosto.
Darius manteve os olhos fechados por um instante antes de abri-los e me observar. Seus olhos estavam num azul intenso e carregados de algo que eu não conseguia definir por completo.
— Estou com problemas para resolver — disse, com um tom grave. — E preciso de você para me acalmar. Só você pode trazer paz para Necro e Baltazar. Eles estão enlouquecendo minha mente com as brigas incessantes.
Eu o abracei apertado, sentindo a tensão em seu corpo. Passei as mãos por suas costas, em gestos lentos e reconfortantes. Darius suspirou parecendo aliviado.
— Então esses dois estão te dando trabalho? — murmurei contra seu peito. Depois, ergui o olhar e perguntei, curiosa: — Eles podem me ouvir agora? — Perguntei.
Darius se afastou um pouco, e meu corpo sentiu a perda de seu calor. Suspirei. Como sempre, sua presença era esmagadora, seu magnetismo, viciante. Ele era um macho lindo, forte, imponente. Meu corpo reagia a ele de forma automática, e eu o desejava sem nem precisar pensar.
— Sim, podem — respondeu, me encarando. — Por quê? — Perguntou curioso. Eu sorri, um sorriso divertido.
— Quero falar com eles. — Falei animada. Darius revirou os olhos e resmungou:
— Vá em frente. Esses dois estão sempre ouvindo e se metendo onde não são chamados. Mas não espere que eles te respondam, ou que possa ouvi-los. Você só poderá ouvi-los, quando se tornar uma loba. — Falou a contragosto.
O tom sério e impaciente dele me fez conter o riso. Será que detectei um pouco de ciúme? Me recompus e então direcionei minha atenção para Necro e Baltazar.
— Necro. Baltazar. — Pausei, esperando uma resposta que eu sabia que não viria. Darius revirou os olhos outra vez, e isso o deixou ainda mais atraente. Eu sabia que não poderiam responder, mas tinha certeza de que eles estavam atentos. — Peguem leve com Darius, está bem? Se forem bonzinhos, eu recompenso vocês depois. Entendido? — Perguntei e esperei a resposta de Darius. Ele suspirou, fechou os olhos por um instante e, ao abri-los, declarou:
— Eles concordaram em se comportar. — Disse impaciente. — E querem a recompensa. — Falou. Eu ri.
— Necro e Baltazar são excelentes. — Falei, os elogiando.
Darius revirou os olhos mais uma vez, e eu percebi que ele não era um lobo de ficar achando engraçado as coisas. Antes que ele perdesse a paciência de vez, me pegou nos braços sem esforço e me levou até uma poltrona. Sentou-se e me acomodou em seu colo. Passei os braços ao redor do seu pescoço, sentindo seu calor.
— Como foi seu dia? — perguntei, mexendo distraidamente em seus cabelos.
— Tenso, como todos os outros — ele respondeu, fechando os olhos enquanto aproveitava meu toque. — Problemas no reino, nas empresas, na alcateia… E agora esse problema com Eugenia e o grupo de conspiradores e traidores. — Comentou. Ele respirou fundo antes de continuar:
— Até amanhã, saberei exatamente quem está ajudando Eugenia e Angélica. — Contou. Meu olhar se estreitou.
— E o que você vai fazer com os traidores? — perguntei, os dedos ainda entrelaçados nos fios de seu cabelo. Darius abriu os olhos e me encarou. A frieza em seu olhar me fez prender a respiração por um momento.
— O que mais está te incomodando? — perguntei, tentando suavizar a tensão no ar. Darius respirou fundo antes de responder:
— Amanhã é o dia da minha transformação. — Disse. Minha atenção ficou totalmente voltada para ele. Seu tom, seu olhar, tudo nele exalava preocupação e tensão.
— O que te deixa assim? — perguntei, suavemente. Ele fechou os olhos por um instante antes de responder:
— Tenho medo pela segurança de todos… Do reino, da alcateia… Mas, principalmente, pela sua segurança. — Falou apreensivo.
Senti um aperto no meu peito. Darius não era de demonstrar medo. O fato de ele admitir isso me dizia o quão sério era o que estava por vir. Ele apertou os braços ao meu redor, segurando-me como se pudesse me proteger do próprio destino.
— Necro já me tirou uma companheira antes — disse, com um peso na voz. — Não quero perder outra. — Comentou com desgosto. Fiquei sem palavras, com a intensidade do que ele sentia.
— Você é muito importante para mim — ele continuou. — E para todos. Por isso, quero que fique em um dos abrigos subterrâneos. Protegida. A salvo das garras de Necro. — Falou.
Minha respiração falhou por um momento. Não sabia o que responder, apenas o encarei, sentindo meu coração martelar no peito. Senti o peso das palavras dele e a intensidade de seu olhar. Aquele não era apenas um pedido. Era uma súplica disfarçada sob a firmeza de um rei alfa supremo.
E aquilo só me deixou ainda mais tensa, porque Darius estava disposto a fazer qualquer coisa para me manter segura. Isso significava que o perigo era real. Um arrepio e um frio percorreram minha espinha naquele momento.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: O REI ALFA QUE SE APAIXONOU POR UMA HUMANA.