POV DARIUS.
O silêncio pesava no ar entre mim e Alice. Eu sentia a tensão nos músculos dela, sua respiração ligeiramente alterada. Ela estava digerindo tudo o que eu havia dito. Eu a observava, cada pequeno movimento, cada piscada, cada contração da mandíbula. Finalmente, ela ergueu o olhar e me encarou.
— Eu não posso ir para o abrigo — disse, com a voz firme. Minhas sobrancelhas se franziram.
— Por quê? — perguntei, apertando levemente meus braços ao redor dela, como se pudesse mantê-la ali, sob meu controle. Alice soltou o ar devagar antes de responder:
— Como vou levar minha mãe para um abrigo? Como vou explicar isso para ela? Minha mãe não sabe sobre o mundo sobrenatural. Como vou justificar estarmos trancadas com várias pessoas? Minha mãe não é burra, vai perceber que está acontecendo algo nesse lugar. Isso, se não já percebeu — falou Alice, nervosa.
Meu maxilar se contraiu. Eu sabia que teríamos problemas com a mãe de Alice e entendia a preocupação de minha companheira. Nesse momento, não seria possível revelar tudo para sua mãe. Antônia ainda estava debilitada e não poderia ter fortes emoções. Contar para ela a verdade não era uma boa ideia. Nem me transformar na frente dela, isso poderia matá-la de susto.
— Isso não pode acontecer. Alice nos odiará se causarmos mal à sua mãe. Devemos procurar uma solução e rápido — comentou Baltazar, nervoso.
— Sei que Alice me odiará se isso acontecer. Vou encontrar uma solução — comentei mentalmente com Baltazar. Parei de falar com Baltazar e olhei para Alice. Então, respondi à sua pergunta:
— Ela não precisa saber de nada — falei, sério e firme. — Apenas diga que é uma precaução, por segurança. Diga que recebemos alerta de tempestade e não queremos arriscar. — Mencionei. Alice balançou a cabeça.
— Isso não vai convencer minha mãe. Ela é uma mulher que sempre trabalhou em meio à natureza, sabe quando está vindo uma tempestade. E se ela ouvir os uivos dos lobos? Se perceber que algo está errado? Como vou explicar para ela o motivo de todos estarem escondidos e com medo? Acha que minha mãe não perceberá todos apavorados à sua volta? — questionou Alice. Antes que eu pudesse responder, sua expressão se endureceu, como se já tivesse encontrado uma saída e decidido o que fazer.
— Acho que a única solução sou eu e minha mãe sairmos da alcateia amanhã e ficarmos com Abigail ou em um hotel. Tenho uma reserva no banco, posso pagar uma diária para nós duas — disse Alice, decidida. O ar ao meu redor pareceu congelar. Meus olhos se estreitaram.
— O quê? — perguntei, bravo. Baltazar e Necro rosnavam em minha mente, não aprovando essa ideia de Alice. Alice sustentou meu olhar, determinada.
— Como vou esconder isso da minha mãe, Darius? Eu não posso simplesmente fingir que nada está acontecendo quando o caos se instalar — respondeu, teimosa.
A raiva pulsou dentro de mim, e eu fechei os olhos, tentando conter a fúria que ameaçava transbordar. Mas, antes que pudesse falar qualquer coisa, Baltazar se manifestou em minha mente, sua voz grave e autoritária.
— Ela não pode sair da alcateia. Eu não permito. É perigoso — disse, irritado. Necro rosnou dentro de mim. Senti sua presença sombria e avassaladora querendo me dominar totalmente. Resisti à sua tentativa de tomar o controle.
— Se ela sair, não poderemos protegê-la — disse Necro, rosnando.
— Sei disso — respondi mentalmente, a frustração aumentando.
— Então faça algo — exigiu Baltazar. — Se ela sair, não saberemos quem pode alcançá-la. Nossos inimigos estão à espreita. — Comentou irritado. Necro soltou um grunhido gutural, um som que fazia meus ossos vibrarem.

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