POV ALICE.
Amanheceu e a mansão estava bastante agitada. O clima era tenso. Durante a noite anterior, Darius teve a ideia de dar um calmante para minha mãe, para que ela dormisse a noite toda e não notasse nada do que acontecesse.
Concordei com sua ideia, e Darius ficou encarregado de pedir um calmante a um dos médicos de confiança da alcateia. Também concordamos em evitar que minha mãe transitasse pela casa durante o dia.
Eu estava ajudando minha mãe com seus remédios quando ela me olhou fixamente, deixando-me apreensiva. Então, minha mãe começou a falar:
— Quando você vai me contar o que está acontecendo neste lugar? — perguntou minha mãe.
— Como assim, mamãe? Não está acontecendo nada. — Falei, tentando disfarçar meu nervosismo. Mamãe deu uma risada sem humor.
— Alice, eu te conheço. E não sou burra. Acha mesmo que pode me esconder as coisas? Acha que não escutei você conversando com a gata e ela respondendo? — disse minha mãe, e eu arregalei os olhos. Ela nos ouviu?
— Não faça essa expressão. Você sempre soube que tenho sono leve. Acha mesmo que poderia conversar aqui no meu quarto e eu não ouviria, só porque estou debilitada? Eu ouvi tudo e sei o que está acontecendo aqui — comentou mamãe. Lulu, que estava na poltrona, saltou para o chão e, em seguida, subiu na cama, ficando ao lado da minha mãe, que a olhou séria.
— Mãe, a senhora ouviu tudo? — perguntei, ainda nervosa.
— Sim. Sei que você pode falar, gatinha — disse minha mãe para Lulu.
— Sempre soube que era muito esperta — respondeu Lulu. Mamãe sorriu para ela.
— Pois é, sou mesmo. No começo, foi difícil digerir tudo que estava acontecendo ao meu redor. Descobrir que existem seres formidáveis vivendo em nosso meio foi um susto. Mas eu não sou uma pessoa cética. Vivi muito tempo tendo a natureza ao meu redor e já vi muita coisa estranha à noite naquela floresta. Então, não foi difícil aceitar — comentou mamãe com calma.
— Mãe, a senhora acredita e não tem medo do mundo sobrenatural? — perguntei.
— Alice, sua avó, sempre dizia que existe muita coisa que não compreendemos neste mundo e que devemos respeitá-las quando nos depararmos com elas. Seu avô dizia que não devemos temer o novo, mas sim entendê-lo — disse mamãe com sabedoria.
— Fico aliviada por não ter mais que mentir para a senhora — falei, suspirando.
— E por não precisar ficar quieta. É um tormento não poder falar! — reclamou Lulu. Mamãe acariciou sua cabeça.
— Gosto de você, Lulu, ainda mais por estar cuidando da minha Alice. Obrigada — agradeceu mamãe.
— Mãe, já que estamos contando tudo, tem algo que quero lhe contar sobre Darius — falei.
— Alice, eu já sei que ele é seu companheiro, que é um lobo, e que todos aqui são lobos — disse mamãe.
— Sim, mas tem algo sobre Darius que a senhora não sabe. Ele é um rei alfa supremo. E sabe aquele lobo que eu salvei? Então… era o Darius. O lobinho é meu marido — falei, apreensiva com sua reação.
Mamãe me olhou séria e, de repente, começou a rir divertidamente. Fiquei sem entender o motivo da risada. Mamãe riu por alguns minutos até que parou.
— Quer dizer que aquele lobo folgado e irritante era Darius e ele é um rei? Quem diria… mas não espere que eu me curve para ele — disse mamãe.
— A senhora não está chateada? — perguntei.
— Sim, Majestade. Eles já estão todos presos e aguardando transferência para o cofre — disse Giovanni, tenso.
— E sobre Eugênia? — perguntei, pois havia dado uma tarefa para Gabriel.
— Eu a levei pessoalmente para as masmorras. Ela ficará aguardando por você depois da transformação — disse Gabriel.
— Ótimo, bom trabalho. Agora posso passar pela transformação sem me preocupar com traidores andando livremente pela alcateia — comentei.
— Darius, tem certeza de que irá deixar os traidores com a Besta? — perguntou Giovanni, apreensivo. Cruzei meus braços e o olhei sério.
— Não estou te entendendo. Você sempre foi cruel e implacável, assim como eu. Agora está com pena daqueles três traidores? — perguntei, irritado.
— Não estou com pena. Apenas acho que aqueles três traidores, com você trancado naquele cofre, podem acabar deixando a Besta infernal mais descontrolada — comentou Giovanni. Sorri. Eu estava começando a pensar que meu beta estava amolecendo.
— Pelo contrário. Acho que talvez isso a acalme, pois poderá se distrair tendo algo com que brincar — comentei.
— Essa é uma ótima ideia. Deixar Necro distraído — disse Baltazar em minha mente.
— Acha mesmo que três traidores irão acalmá-la? — perguntou Gabriel, preocupado.
— Saberemos mais tarde. Agora me contem o que os traidores confessaram — pedi, querendo o relatório do interrogatório que meus betas conduziram durante a madrugada.

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