POV DARIUS.
Minha consciência foi voltando gradualmente. Senti que estava deitado em cima de algo macio. Estranhei, pois a última coisa de que me lembro é que estava no cofre, e não havia nada macio naquele lugar. Passei a mão e notei que estava deitado em uma cama. Farejei e reconheci o local.
Percebi, então, que havia um corpo sobre mim. Logo reconheci o cheiro maravilhoso de Alice. Abri os olhos rapidamente, olhei para baixo e a vi deitada sobre meu abdômen, nua e adormecida. Fiquei apreensivo com sua presença ali, na verdade, com a minha presença no quarto. Não era para eu estar nele. Eu deveria estar no cofre, trancado.
— O que está acontecendo aqui? — perguntei-me mentalmente.
— Também gostaria de saber. Por que estamos aqui com nossa companheira? — perguntou Baltazar. De repente, senti um cheiro e rosnei irritado. Era cheiro de sexo. Não acredito que ele escapou do cofre e veio transar com a minha companheira.
— Necro, o que você fez? — perguntei mentalmente.
— Por que esse escândalo todo a essa hora da manhã? Preciso descansar da noite intensa que tive com a minha companheira. E pare de rosnar, não quero incomodar o descanso de Alice — disse Necro tranquilamente.
— Você transou com Alice? Você a pegou à força? Seu maldito, eu vou te matar! — disse Baltazar, tomado pelo ódio. Uma fúria me dominou também ao ouvir a acusação de Baltazar. Necro rosnou alto e sombrio. Seu rosnado era de puro ódio e raiva.
— Como ousa, seu lobo insignificante? Eu nunca faria uma coisa desprezível dessas com a minha companheira. Alice transou comigo de boa vontade. Não foi nada forçado aqui. Ela me aceitou como companheiro e se entregou a mim — falou Necro, irritado. Antes que Baltazar pudesse responder, Alice se levantou rapidamente e me olhou assustada.
— Por que está rosnando, Necro? — perguntou apreensiva. Não gostei nada dela estar me chamando de Necro.
— Eu não sou o Necro — falei irritado, e Alice me analisou.
— É verdade, seus olhos estão azuis de novo. Você é o Darius agora — falou. Que história é essa de olhos?
— Por que rosnou? — perguntou.
— Não fui eu, foram Necro e Baltazar discutindo outra vez — comentei.
— Entendi, esses dois não se entendem — disse e sorriu.
— Alice, o que aconteceu aqui? E por que estou aqui, em vez de estar no cofre? — perguntei e me sentei, encostado na cabeceira da cama. Ela suspirou.
— Então, você, ou melhor, Necro, escapou do cofre e veio atrás de mim — contou, e um frio tomou conta do meu corpo. Necro fugiu? Que horrores ele deve ter espalhado pela alcateia? Me perguntava, preocupado.
— Como ele fugiu? E como estão todos? — perguntei rapidamente.
— Olha, não sei como está lá fora. A porta do cofre se fechou e, depois de um tempo, Giovanni e Gabriel me tiraram de lá e estavam me trazendo para casa, quando ouvimos um estrondo que estremeceu até o chão. Seus betas disseram que Necro havia fugido e me mandaram correr e me esconder, que eles segurariam Necro. Bem, eu vim para o quarto e Lulu estava aqui, ficou ao meu lado me protegendo. Minutos depois, Necro apareceu aqui e entrou no quarto. Lulu me protegeu, pois eu estava com medo dele, por tudo que ouvi sobre ele. Mas Lulu disse que ele não me machucaria e aconselhou que conversássemos. Pediu para Necro se acalmar para poder falar comigo — contou Alice.
— Ele conseguiu derrubar a porta do cofre? O que aconteceu com Giovanni e Gabriel? Necro os matou? — perguntei apreensivo.
— Me esqueci de que você não sabia. Sim, ele é um Crino — falou normalmente, como se não fosse nada.
— Como isso é possível? Como a besta infernal que me atormenta desde sempre é um maldito Crino, extinto? — perguntei e a observei sério.
— Não me pergunte, pois fiquei tão surpresa quanto você. E acredito que seus betas também ficaram quando o viram. Essa é mais uma pergunta a ser feita à sua deusa Lua — disse Alice. Comecei a andar de um lado para o outro no quarto, Baltazar reclamando a todo momento. Eu queria explicações, e Necro iria me fornecer.
— Necro, quero que me explique o que está acontecendo aqui — exigi mentalmente.
— Eu não tenho que lhe explicar nada, Darius. Pergunte à deusa quando encontrar com ela. Não tenho autorização para revelar nada — falou e se calou. Fiquei irritado com sua recusa.
— Terei que perguntar mesmo para a deusa, pois Necro se recusa a responder às minhas perguntas — comentei com Alice.
— O que faremos agora? — perguntou, sentada na cama. Parei de andar e a olhei.
— Primeiro, preciso de você para me acalmar. Depois, pensarei no que faço. Até onde sei, tenho vinte e quatro horas de folga. Vou aproveitar esse tempinho com minha companheira — falei e me aproximei dela.
— E seus betas? Não está preocupado com eles? — perguntou.
— Não, aqueles dois sabem se virar. Depois mando uma mensagem mental para eles. Posso sentir que estão vivos, e é isso que importa. — Comentei e a beijei.

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