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O REI ALFA QUE SE APAIXONOU POR UMA HUMANA. romance Capítulo 147

POV DARIUS.

Baltazar estava adorando carregar Alice em suas costas. Apesar do medo, ela parecia estar gostando da experiência. Quando chegamos ao templo, pude sentir uma energia poderosa naquele lugar esquecido e abandonado. Eugênia fez um bom trabalho ao apagar tudo sobre esse local.

Mesmo tomado pela natureza e pelo tempo, o poder da deusa ainda impregnava cada pedra, cada sombra. Esse lugar era nossa herança. Assim que tudo estivesse resolvido em relação à maldição, mandaria reconstruí-lo. Minha alcateia e o reino precisavam conhecer essa parte da história apagada por Eugênia.

No interior do templo, a energia era ainda mais intensa. Senti Alice hesitar, seu corpo tremia levemente. Quando realizamos o ritual e a deusa Lua surgiu, fomos invadidos por uma força sufocante. Mas, apesar da pressão avassaladora, eu estava esperançoso. A deusa nos ouviu e veio até nós. Agora finalmente saberíamos como acabar com a maldição. No entanto, nada poderia me preparar para a revelação que seguiu. Quando a deusa chamou Alice de filha, fiquei em choque. Sem reação.

— Ela está dizendo que nossa companheira é filha dela? — Baltazar perguntou, tão surpreso quanto eu.

— Sim… Foi isso que ouvi também. — Respondi, ainda tentando processar aquela informação.

— Como isso é possível? — Baltazar indagou, ansioso.

— Não sei, Baltazar. Vamos descobrir. — murmurei, minha atenção completamente voltada para Alice e para a deusa. Alice não hesitou.

— A senhora disse ser minha mãe. Então me explique… por que me abandonou nua num beco sujo, sem memória e ainda criança? Como pôde me deixar, me descartar como um saco de lixo? — Sua voz estava embargada de dor, e eu podia sentir cada palavra dela como uma lâmina em meu peito. A deusa respirou fundo, olhando para Alice com um pesar evidente.

— Filha, eu tive que fazer aquilo. Você não me deu outra escolha. Preciso contar uma história, e então entenderá meus motivos. Mas, Alice, seria melhor que conversássemos em particular. — Ela lançou um olhar na minha direção. Senti um aperto no peito.

— Desculpe, minha deusa, mas não deixarei minha companheira nesse momento. — Minha voz saiu firme, mas dentro de mim, uma tempestade rugia. A deusa suspirou.

— Sei que quer a proteger, meu filho. Mas, nesse momento, estou pensando no bem de vocês dois. O que tenho a dizer não será fácil de ouvir. Mas, Alice, a decisão é sua. — Comentou a deusa. Alice não hesitou.

— Darius é meu companheiro. Eu o amo e confio nele. Me sinto segura ao seu lado. Pode dizer tudo na frente dele. O que quer que seja, vamos superar juntos. — falou firme. Meu coração acelerou com suas palavras. Baltazar não perdeu tempo.

— Essa é a hora de se declarar, Darius. Mostre a ela que está ao seu lado para tudo que vier. — Ele estava impaciente. Mas ele estava certo. Olhei sério para a deusa antes de virar-me para Alice.

— E Necro? O que aconteceu com ele? — Perguntei, um pouco nervoso. Necro fez parte da minha vida por tanto tempo… não sabia se conseguiria ficar sem sua presença.

— Necro continua com você, Darius. — Respondeu.

— Como assim? A senhora disse que a maldição foi desfeita. — Alice franziu o cenho. A deusa suspirou antes de continuar.

— Deixe-me explicar. A maldição original foi lançada sobre Julian, para que ele se transformasse em besta. Levei tempo para descobrir os detalhes dessa maldição. E coincidiu de Julian me invocar pedindo que eu o ajudasse. Então, para ajudá-lo, passei a maldição para Bartolomeu, seu pai. Achei que estava ajudando… que Julian mudaria ao ver seu herdeiro com a possibilidade de sofrer com sua maldição. Mas Julian já era um caso perdido. Ele não se importou. A maldição original se quebraria quando Julian voltasse a amar, mas quem a lançou sabia que ele nunca amaria ninguém, tampouco seria amado. Amor puro e recíproco era a chave. Já seu pai, Bartolomeu, poderia quebrá-la, pois era uma alma pura… algo que Julian deixou de ser. Por isso passei para Bartolomeu. — Explicou. Ela fez uma pausa antes de continuar.

— Mas descobri a solução tarde demais. Eugênia estragou tudo ao recorrer à magia negra. Sem perceber, ela alterou a maldição. A besta, que antes era somente um estado de fúria de Julian, tornou-se um ser. Quando Eugênia transferiu isso para o futuro herdeiro de Bartolomeu, ela selou seu destino, Darius, de uma forma que nem eu poderia mudar. Somente quem lançou a maldição poderia desfazê-la. Necro é como Baltazar. Ele é sua parte Crino, assim como Baltazar é seu lobo. Você, Darius, tem dois seres dentro de si, e com isso, duas transformações. Sua maldição era não conseguir controlar sua parte Crino. — Contou. As palavras me atingiram como um golpe. Necro era meu lobo também.

— Era só o que me faltava… pensei haver me livrado daquele chato e descubro que ele ficará para sempre me infernizando. — resmungou Baltazar em minha mente.

Suspirei, sentindo o peso da revelação. Tudo mudara, e ainda assim, eu continuava o mesmo. Mas agora, ao menos, estava livre da maldição. Agora eu poderia controlar. Eu não colocaria ninguém mais em risco.

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