POV DARIUS.
Baltazar estava adorando carregar Alice em suas costas. Apesar do medo, ela parecia estar gostando da experiência. Quando chegamos ao templo, pude sentir uma energia poderosa naquele lugar esquecido e abandonado. Eugênia fez um bom trabalho ao apagar tudo sobre esse local.
Mesmo tomado pela natureza e pelo tempo, o poder da deusa ainda impregnava cada pedra, cada sombra. Esse lugar era nossa herança. Assim que tudo estivesse resolvido em relação à maldição, mandaria reconstruí-lo. Minha alcateia e o reino precisavam conhecer essa parte da história apagada por Eugênia.
No interior do templo, a energia era ainda mais intensa. Senti Alice hesitar, seu corpo tremia levemente. Quando realizamos o ritual e a deusa Lua surgiu, fomos invadidos por uma força sufocante. Mas, apesar da pressão avassaladora, eu estava esperançoso. A deusa nos ouviu e veio até nós. Agora finalmente saberíamos como acabar com a maldição. No entanto, nada poderia me preparar para a revelação que seguiu. Quando a deusa chamou Alice de filha, fiquei em choque. Sem reação.
— Ela está dizendo que nossa companheira é filha dela? — Baltazar perguntou, tão surpreso quanto eu.
— Sim… Foi isso que ouvi também. — Respondi, ainda tentando processar aquela informação.
— Como isso é possível? — Baltazar indagou, ansioso.
— Não sei, Baltazar. Vamos descobrir. — murmurei, minha atenção completamente voltada para Alice e para a deusa. Alice não hesitou.
— A senhora disse ser minha mãe. Então me explique… por que me abandonou nua num beco sujo, sem memória e ainda criança? Como pôde me deixar, me descartar como um saco de lixo? — Sua voz estava embargada de dor, e eu podia sentir cada palavra dela como uma lâmina em meu peito. A deusa respirou fundo, olhando para Alice com um pesar evidente.
— Filha, eu tive que fazer aquilo. Você não me deu outra escolha. Preciso contar uma história, e então entenderá meus motivos. Mas, Alice, seria melhor que conversássemos em particular. — Ela lançou um olhar na minha direção. Senti um aperto no peito.
— Desculpe, minha deusa, mas não deixarei minha companheira nesse momento. — Minha voz saiu firme, mas dentro de mim, uma tempestade rugia. A deusa suspirou.
— Sei que quer a proteger, meu filho. Mas, nesse momento, estou pensando no bem de vocês dois. O que tenho a dizer não será fácil de ouvir. Mas, Alice, a decisão é sua. — Comentou a deusa. Alice não hesitou.
— Darius é meu companheiro. Eu o amo e confio nele. Me sinto segura ao seu lado. Pode dizer tudo na frente dele. O que quer que seja, vamos superar juntos. — falou firme. Meu coração acelerou com suas palavras. Baltazar não perdeu tempo.
— Essa é a hora de se declarar, Darius. Mostre a ela que está ao seu lado para tudo que vier. — Ele estava impaciente. Mas ele estava certo. Olhei sério para a deusa antes de virar-me para Alice.

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