POV DARIUS.
Alice piscou algumas vezes, ainda assimilando tudo que havia sido revelado. Seu olhar alternava entre mim e a deusa Lua, e eu podia sentir a confusão em seu coração.
— Então, Necro continua com Darius… Mas como um ser? O que mudou? — perguntou ela, a voz carregada de hesitação. A deusa nos olhou com paciência, como se esperasse essa pergunta. E responder:
— O que mudou, minha filha, é que antes Necro era um ser descontrolado e não reconhecido que vivia dentro de Darius e tomava o controle, deixando Darius adormecido. Necro era movido pela raiva, ódio, treva e maldade. Ele era uma punição, um ser aprisionado em Darius pela maldição. Agora, ele foi liberto e reconhecido. Necro é uma extensão de Darius, assim como Baltazar. Não há mais uma força tentando dominá-lo, não há mais o risco de perder o controle. Necro agora faz parte de Darius, mas sob sua vontade, não contra ela. Você, Alice, acalmou Necro e o libertou da maldição e da treva que o dominava. Agora, ele está tranquilo — explicou.
Inspirei profundamente, tentando processar tudo isso. Era difícil acreditar que, depois de tanto tempo, aquele tormento finalmente chegava ao fim. Eu me sentia… livre? Era como se uma corrente invisível tivesse sido quebrada, permitindo-me respirar como nunca. Mas, ao mesmo tempo, havia um vazio estranho, uma ausência que eu não sabia nomear.
— Então, eu não preciso mais temer que Necro tome o controle e me transforme numa besta infernal? — questionei, ainda cauteloso.
— Não. Ele é seu, parte de você. Assim como Baltazar, Necro agora responde a você. Pode se manifestar se desejar, pode falar com você assim como sempre falou, mas nunca mais o dominará — afirmou a deusa.
— Isso significa que posso me transformar em um lobo crino sem perder o controle? — perguntei, quase sem acreditar. Ser um crino me tornará ainda mais poderoso. Queria ver as expressões de meus inimigos quando souberem. Pensei sorrindo mentalmente.
— Exatamente. Você herdou um fardo que nunca deveria ter sido seu, Darius. Mas agora, esse peso foi ajustado para se encaixar em você, sem ser uma sentença. Você é um ser único, um equilíbrio raro entre suas naturezas lupina e crino — explicou ela com uma serenidade que contrastava com o turbilhão dentro de mim.
Fiquei em silêncio por um momento. Necro sempre foi um tormento, uma presença indesejada, um monstro que eu tentava manter acorrentado dentro de mim, sem sucesso. Agora, descubro que ele sempre foi parte de mim… Como Baltazar. Agora, como uma terceira parte da minha alma.
— E se eu quiser falar com Necro? — perguntei. A deusa sorriu suavemente.
— Ele sempre esteve aí. Só precisa chamá-lo — falou. Eu sorri e resolvi testar.
Respirei fundo e fechei os olhos. O vínculo com Baltazar sempre foi claro para mim, um elo familiar e forte. Mas Necro? Ele sempre vinha com caos, sempre surgia nos momentos mais sombrios. Mas agora… agora ele não era mais um inimigo. Ele era, e sempre foi, parte de mim.
Necro sempre esteve presente, antes mesmo de Baltazar se manifestar. Necro sempre esteve comigo em todos os momentos da minha vida. E agora entendo que era dele que vinha grande parte da força e determinação que tenho. Era ele que me ajudava a ser implacável. Então, eu o chamei com ansiedade. E dessa vez necessitando de ouvir sua voz.
— Necro — chamei mentalmente. Houve um silêncio. O que me deixou um pouco tenso. Mas logo, uma risada baixa e rouca ecoou em minha mente.

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