POV DARIUS.
“Alice…” Seu nome vinha à minha mente, e isso me irritava.
Minha respiração ficou pesada e precisei me apoiar contra uma parede. Baltazar uivava dentro de mim, a dor dele espelhando a minha. Mas eu não podia fraquejar e ir atrás dela.
— Maldição! — rosnei, socando a parede com força suficiente para rachá-la. Mas isso não aliviou a agonia em meu peito. Cheguei até o quarto de hóspedes. Não ouso ficar em nosso quarto; lá, o cheiro de Alice é insuportável e tentador. Me faz pensar ainda mais nela. Me joguei na poltrona do quarto.
Eu olhava para o teto, entediado, quando senti Baltazar e Necro bastante agitados. O que esses dois estão aprontando? Por que essa agitação toda? Me perguntava.
Logo, uma batida na porta me fez parar de olhar para o teto e direcionar minha atenção para ela. Antes que eu pudesse ordenar que me deixassem em paz, a porta se abriu. Fui atingido pelo melhor aroma do mundo. Cada músculo do meu corpo se contraiu, e minha pele se arrepiou. Pude sentir meu corpo traidor reagir ao seu cheiro maravilhoso. Então, ali estava ela. Alice. A responsável pelo meu tormento. Ela estava ainda mais linda do que quando a deixei no templo.
Meu coração pareceu até parar por um instante. Mas algo estava diferente nela. Seus olhos carregavam algo que eu nunca havia visto antes. Também senti um grande poder vindo dela. Ela me olhou séria, mas eu podia ouvir seu coração acelerado. Estava nervosa, mas tentava parecer tranquila e concentrada.
— Precisamos conversar, Darius. Agora. — disse, autoritária.
POV ALICE.
Eu estava ansiosa para encontrar Darius. Nem dormi direito e, assim que amanheceu, me arrumei para sair. Minhas mães não queriam que eu viesse, mas eu precisava fazer isso. Elas queriam vir junto, mas não aceitei. Eu disse precisar ter essa conversa somente eu e Darius. Elas concordaram, mas tive que trazer Lulu comigo.
Meus poderes voltaram e me lembrei de como usá-los. Agora posso me defender e proteger meu filho. Nos teletransportamos para a mansão e aparecemos na sala de estar. Ouvimos dois rosnados atrás de nós. Me virei e me deparei com os betas de Darius, Giovanni e Gabriel. Os dois me olhavam sérios.
— O que faz aqui? — perguntou um deles. Usei meus poderes para identificá-lo. Era Giovanni.
— Isso não é da conta de vocês, lobinhos — disse Lulu antes que eu pudesse responder. Os dois rosnaram para ela, e Lulu riu, debochada.
— Lulu, não provoca — falei.
— Você sabe que Darius te baniu? — Perguntou Gabriel, me analisando.
— É, fiquei sabendo — falei.
— E teve coragem de aparecer aqui? Acha que pode entrar e que deixaremos que fique? — perguntou Giovanni, debochado. Arqueei uma sobrancelha e sorri.
— Vejam bem, rapazes. Antes, vocês poderiam até ser capazes de me impedir de falar com seu rei, mas agora que voltei à minha forma original, vocês não têm chance. Sabem que posso fazer ambos virarem pó? — falei e olhei para um vaso de flores, que, na mesma hora, se desfez diante de seus olhos. Os dois olharam chocados.
— E então, o que vai ser, lobinhos? Vão encarar a deusa Alice ou sair do caminho? — perguntou Lulu.
— Eu não tenho nada para conversar com você — falou.
— Pois tem, sim! Você me abandonou naquele templo, me deu as costas após ter me jurado amor eterno. Me baniu da sua alcateia sem ao menos me dar a chance de falar. Você foi autoritário e injusto — falei, magoada.
— E você lançou uma maldição que caiu sobre mim e me condenou a um sofrimento que nem pode imaginar. E ainda quer que eu tenha compaixão de você? — perguntou.
— Eu nunca lancei essa maldição em você! Amaldiçoei Julian. Não tenho culpa do que Eugênia te fez. Não pode me culpar pelas ações de outras pessoas. E você disse que me amava e que enfrentaríamos tudo juntos — falei, triste.
Darius se levantou e veio em minha direção, parando a centímetros do meu corpo. Eu podia sentir sua respiração contra a minha pele. Ele me olhou com frieza e senti meu corpo se arrepiar.
— Você começou tudo isso, Alice. E eu não menti quando disse que te amava. Mas… por favor, vá embora e não volte — disse, afastando-se. Meu coração se quebrou ao ouvir isso.
— Você está me rejeitando? — perguntei, querendo chorar, mas segurando as lágrimas.
— Não. Preciso pensar na minha alcateia e no meu reino. Não posso me enfraquecer agora. Por esse motivo, não te rejeito. Não é justo que você me tire mais alguma coisa, além de tudo que me privou com essa maldição. Não quero te ver mais, Alice. Por favor, vá embora — falou de costas para mim.
Meu mundo estava desabando. Eu acabava de perder o amor da minha vida. Não esperei que ele falasse de novo e me teletransportei dali. Eu estava arrasada e não queria ver ninguém, então fui para o único lugar que me trazia segurança e conforto: minha casa. Cheguei ao meu quarto no sítio, me deitei na cama e comecei a chorar.

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