POV ALICE.
Abi riu baixinho, como se divertisse às minhas custas. Eu, porém, não tinha mais energia para discutir. Tudo parecia um turbilhão e, naquele momento, tudo o que eu queria era alguma paz. Olhei para a porta pela qual Luís havia saído e suspirei, ainda tentando digerir sua reação. Eu não queria fazer meu amigo sofrer desse jeito. Mas não posso corresponder ao seu amor.
— Ele vai voltar, Alice — disse Abi, em um tom mais gentil. — Só precisa de um tempo para digerir que te perdeu para Darius. Dê um tempo a ele. — Comentou Abi.
— Espero que sim — murmurei. — Não quero perder a amizade dele por causa disso. Eu queria poder corresponder ao amor de Luís, mas tudo que sinto por ele é um amor fraternal. — Falei. Abi me olhou com uma expressão de compaixão.
— Ele é seu amigo, Alice. Mas também é um homem apaixonado. Vai levar tempo para ele aceitar tudo isso — falou. Abaixei a cabeça, os dedos trêmulos brincando com o tecido da minha blusa.
— Eu não queria magoá-lo, Abi. Nunca quis. Mas o que mais eu poderia fazer? Minha mãe precisava de mim, e… — minha voz falhou, e precisei engolir o nó na garganta antes de continuar. — Não tive muitas escolhas. Onde conseguiria tanto dinheiro em menos de meia hora? Fiz o que era preciso. — Finalizei. Abi se inclinou para frente, segurando minhas mãos nas dela.
— Você fez o que qualquer pessoa faria por alguém que ama. Só acho que deveria ter me contado antes — disse, com um sorriso leve. Eu ri sem humor.
— Não sei se você teria me convencido a fazer diferente. A decisão já estava tomada. — Comentei. Ela me observou por um momento, como se estudasse cada traço da minha expressão.
— Mas poderia ter lhe ajudado a negociar mais coisas ao seu favor. — Falou divertida. Abi se aproximou. — Está com medo de casar com ele? — perguntou, baixando o tom de voz.
Demorei a responder. Minha mente foi tomada por flashes de Darius: seu olhar firme, sua voz que parecia sempre ter o controle, mas também os momentos em que ele parecia um humano vulnerável. Suspirei.
— Não sei, Abi. Ele é… intenso. Assustador, às vezes. Mas também… não sei explicar — admiti, desviando o olhar. Ela sorriu, e dessa vez o sorriso era mais terno do que divertido.
— Isso é interessante, Alice. Muito interessante. — Falou com malícia. Revirei os olhos, exasperada.
— Por favor, não comece com suas teorias e fantasias. — Pedi. Abi riu, mas logo ficou séria.
— Alice, você sabe que isso não é só um contrato para ele, né? Homens como Darius Moss não fazem nada sem um motivo maior. — Comentou. Franzi a testa, intrigada.
— O que quer dizer? — Perguntei sem entender. Ela deu de ombros, mas havia algo em seus olhos que me deixou inquieta. Abigail conhecia homens como Darius, melhor que eu. Ela já se relacionou com vários homens do estilo dele: mandão e intenso.
Eles deram mais alguns passos em nossa direção. A senhora manteve o sorriso, enquanto o homem permanecia sério, com as mãos cruzadas nas costas e um olhar avaliador que parecia pesar cada detalhe.
— É um prazer finalmente estar aqui e te conhecer — continuou ela, ignorando minha expressão de evidente confusão. — Só lamento que tenhamos que nos conhecer nessa situação tão delicada. Há algo em você, Alice, que eu sabia que seria especial desde o momento em que soube da sua existência. — Falou contente. Quem é essa senhora? Minha respiração ficou pesada, e Abi, ao meu lado, parecia tão intrigada quanto eu.
— Desculpe — falei, tentando soar educada apesar da tensão. — Quem são os senhores? — Perguntei. A senhora trocou um olhar breve com o homem antes de responder, ainda com aquele sorriso que me deixava apreensiva.
— Que indelicadeza da minha parte. Não me apresentei. — Falou e deu uma risada. — Sou Agatha Moss e esse é meu esposo Bartolomeu Moss. Somos pais de Darius seu noivo. — Disse sorrindo. Olhei surpresa e tensa.
— Vamos conversar com calma, querida. Tenho certeza de que há muito para discutirmos. — Disse senhora Agatha.
Senhor Bartolomeu, apenas assentiu uma vez, em silêncio, mas seu olhar me fez sentir que nada escapava a ele. Era como se estivesse me estudando, exatamente como Darius fazia, e a familiaridade disso me fez estremecer.
— Era só o que me faltava, agora tenho que lidar com os pais daquele lunático. — Pensei frustrada.

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