POV ALICE.
O sol entrava pelas cortinas semiabertas quando acordei, sentindo uma leve rigidez no corpo por conta do colchão macio demais. Não era o tipo de conforto a que estava acostumada, mas ao menos consegui descansar. Esfreguei os olhos e me espreguicei, sabendo que o dia seria longo e cheio de desafios. Ainda deitada, ouvi o barulho baixo de pássaros do lado de fora e respirei fundo, tentando acalmar o aperto que já se instalava em meu peito.
Levantei e fui para o banheiro para fazer minha higiene matinal. Fiquei alguns minutos observando minha imagem no espelho. O rosto cansado e a preocupação estampada em cada traço denunciavam que minha mente não descansara por completo.
Após me vestir, caminhei até o quarto da minha mãe. Bati de leve na porta antes de entrar. Ela estava sentada na cama, arrumando os travesseiros atrás de si. Um sorriso cansado iluminou seu rosto quando me viu.
— Bom dia, filha — disse ela, com a voz suave, mas cheia de carinho.
— Bom dia, sua benção mãe. Dormiu bem? — perguntei, aproximando-me para beijá-la na testa.
— Deus lhe abençoe, minha filha. Dormi melhor do que imaginei. E você? — Perguntou mamãe.
— Também. — Menti para não preocupá-la. — Vamos tomar seu remédio e nos arrumar para o café? Você precisa se movimentar um pouco, não pode ficar muito tempo aqui no quarto. — comentei.
Ela suspirou, mas concordou. Sabíamos que o repouso era necessário, mas também era importante mantê-la ativa dentro do possível. Ajudei-a com a medicação e a trocar de roupa. Apesar de tudo, minha mãe sempre fazia questão de estar apresentável. Era algo que eu admirava nela. Enquanto ajustava a gola de sua blusa, ela percebeu meu nervosismo.
— O que está te preocupando, Alice? — perguntou, observando-me com seus olhos atentos.
— Nada de mais — respondi rapidamente, mas meu tom não a convenceu.
— Tem certeza? Ou é pela conversa que vai ter com Darius? — insistiu, inclinando ligeiramente a cabeça. Suspirei e me sentei ao lado dela na cama.
— É isso, mãe. Eu não sei o que ele quer tanto falar comigo. — Confessei.
— Deve ser sobre o casamento — disse ela, com um tom tranquilo, mas que carregava certa preocupação. — Uma hora ou outra, vocês terão que conversar sobre isso. — Comentou.
— Eu sei. — Passei a mão pelos cabelos, sentindo o peso da situação.
Minha cabeça doía, pois minha mente gritava que eu não tinha escolha. Era pela saúde da minha mãe, pelo bem dela. Eu precisava honrar minha promessa, mesmo que isso custasse minha liberdade. Mamãe segurou minha mão com firmeza.
— Sei que não queria esse casamento, eu aconselho que faça um contrato pré-nupcial, Alice. Coloque suas condições. Proteja-se para não sofrer futuramente. — Sugeriu mamãe. Seus olhos refletiam experiência e preocupação genuína. Concordei com um aceno.
— Você está certa. Vou expor minhas condições para ele.
Com um sorriso cansado, ela me abraçou e eu retribuí o gesto, sentindo um pouco mais de força para enfrentar o dia. Saímos do quarto juntas, caminhando devagar pelos corredores largos e imponentes. As paredes decoradas com obras de arte faziam o lugar parecer mais luxuoso.
Ao chegar a um ponto onde os corredores se dividiam, paramos, sem saber para onde ir. Antes que pudéssemos perguntar, uma funcionária apareceu. Era uma mulher de meia-idade, com um uniforme impecável e uma expressão que demonstrava nervosismo.
— Com licença — chamei-a, suavemente. Ela se curvou imediatamente, saudando-me com uma reverência exagerada.
— Sim. Ele já tomou o café e está aguardando você no escritório para conversarem — respondeu à senhora Agatha.
Uma onda de ansiedade tomou conta de mim. Meu coração parecia tamborilar no peito, e eu não sabia se era medo ou apreensão. Os três tomaram o café, conversando e rindo, mas eu mal conseguia interagir. Estava perdida em meus pensamentos até que ouvi meu nome.
— Alice? Você está bem? Ou a comida não agradou? — perguntou a senhora Agatha, com um olhar preocupado. Eu estava distraída e me assustei com sua voz. Sobressaltada, respondi rapidamente:
— Oh, desculpe. Não ouvi a pergunta. Estou bem, só preocupada com os animais e as plantas do sítio. — Falei. Senhor Bartolomeu, sorriu e disse:
— Não se preocupe. Darius enviou funcionários especializados para cuidar de tudo. — Falou o senhor Bartolomeu. Sorri, agradecida e surpresa, enquanto tomava um gole de café. Agatha colocou a mão em meu ombro, como se quisesse transmitir conforto.
— Alice, vai dar tudo certo. Confie em Darius. Ele é um homem justo, ainda que às vezes seja rígido — disse ela com um tom maternal.
— Sei que tudo isso deve parecer esmagador para você — senhora Agatha continuou com sua voz baixa e cheia de empatia. — Mas quero que saiba que viemos ajudar. Se precisar de algo, basta pedir. — Falou. Assenti, um pouco sem jeito, com a gentileza dela.
— Obrigada, senhora Agatha. É muita coisa para processar, mas estou tentando me adaptar. — Comentei.
— Já lhe disse para me chamar apenas de Agatha ou sogra. — Falou, me repreendendo. Senhor Bartolomeu interrompeu a conversa, servindo-se de mais uma xícara de café.
— Alice, você é muito forte. Isso é visível para quem te observa. Mas permita-se confiar em nós. Seremos sua família. — Falou Senhor Bartolomeu.

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