POV ALICE.
A palavra família ressoou de maneira inesperada. Eu quase não soube como responder, então me limitei a um sorriso educado. Antes que a conversa pudesse se aprofundar, Agatha mudou de assunto e o café continuou tranquilamente.
Quando terminamos o café da manhã, ajudei minha mãe a se levantar com cuidado, ajustando seu braço no meu para lhe dar apoio. Antes de sairmos da sala de jantar, Agatha se aproximou, com um sorriso acolhedor no rosto.
— Alice, fique tranquila. Vou fazer companhia para sua mãe enquanto você conversa com Darius — disse ela, colocando uma mão suave no ombro de minha mãe. Suspirei profundamente, tentando aliviar a tensão que se acumulava em meu peito.
— Obrigada, Agatha. Agradeço muito. — Falei agradecida.
Nos dirigimos à sala de estar, um ambiente tão grandioso quanto o resto da casa, com móveis luxuosos e uma enorme lareira que parecia ter saído de uma revista. Senhor Bartolomeu indicou o caminho para o escritório de Darius.
— O escritório fica seguindo aquele corredor — disse ele, apontando com precisão. — Vire à esquerda e vá até o final. É a última porta. — explicou. Assenti e agradeci, já sentindo o nervosismo tomar conta. Enquanto ajudava minha mãe a se sentar no sofá.
— Obrigada, Senhor Bartolomeu. — Agradeci.
Inclinei-me para beijar o rosto de minha mãe. Ela segurou minha mão com força, seus olhos transmitindo uma silenciosa mensagem de apoio e coragem.
— Vai dar tudo certo, filha — disse ela, em um tom suave, mas firme.
Abracei-a rapidamente antes de me virar para seguir o caminho indicado. Cada passo parecia um esforço monumental, como se o ar ao meu redor se tornasse mais denso. Meu coração batia acelerado, e minha mente estava a mil, tentando prever o que essa conversa poderia trazer.
Enquanto caminhava, as paredes altas e silenciosas do corredor pareciam amplificar o som dos meus passos, deixando tudo mais intenso. Eu sabia que a porta estava próxima, mas secretamente desejava que o trajeto fosse mais longo.
Finalmente, parei em frente à grande porta de madeira escura, que parecia quase intimidante. Respirei fundo, tentando reunir a coragem necessária. Fechei os olhos por um momento, sentindo o peso da expectativa em meu peito. Então, reunindo coragem, bati levemente à porta. Uma voz grave e poderosa soou do outro lado, carregada de autoridade.
— Entre.
Aquele tom fez meu corpo inteiro se arrepiar. Era a voz de Darius, que parecia reverberar diretamente na minha alma. Meu coração deu um salto e, por um momento, considerei dar meia-volta e fugir. Mas sabia que não podia. Segurando a maçaneta com a mão trêmula, respirei fundo mais uma vez e empurrei a porta.
Quando abri a porta, me deparei com um escritório tão imponente quanto o resto da casa. Estantes cheias de livros forravam as paredes, e uma grande janela deixava a luz entrar, iluminando a escrivaninha de madeira escura onde Darius estava sentado. Ele levantou o olhar e me observou com uma expressão séria. Me estremeci diante do seu olhar, me sentindo estranha.
— Alice, sei que não temos um vínculo forte agora, mas acredito que o respeito mútuo é essencial. Não vou exigir nada de você além do que você estiver disposta a oferecer. Por enquanto, mas terá que cumprir com algumas obrigações de esposas. — Comentou. A sinceridade em sua voz me pegou de surpresa. Ainda assim, havia muito a processar.
— Que tipos de obrigações? — Perguntei não gostando dessa história de obrigações.
— Colocarei todas no contrato e poderemos nos reunir para conversar se aceita ou não. E sugiro que faça uma lista também do que pode e não pode ter em nosso casamento e conversaremos sobre seus pontos. Não quero que me acuse de ter lhe enganado. — Informou.
Ele estava certo, eu precisava pensar nos prós e contras desse casamento. Tenho que ver meu lado também. Tenho que fazer uma lista de tudo que não quero nessa relação por contrato. Temos que conversar sobre onde vamos dormir, se dormiremos juntos e essas obrigações de esposa a que ele se referiu. Há muito a se pensar e discutir.
— Obrigada, Darius. Espero que possamos manter essa relação baseada em respeito. — Falei.
Agatha tinha razão em uma coisa, Darius era justo. Ele sorriu levemente, me pegando de surpresa. Darius nunca havia sorrido para mim desse jeito. Ele se levantou, indicando que a conversa estava encerrada.
— Eu também espero, Alice. Agora pode se retirar. — Pediu. Assenti e saí do escritório, sentindo um misto de alívio e exaustão. Havia muito a resolver, mas, ao menos, as primeiras barreiras pareciam ter sido superadas. Conseguimos ter uma conversa sem brigar.

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