POV DARIUS.
Eu me sentei na poltrona logo após Alice sair do escritório, fechando a porta com mais força do que deveria. Desastrada. O som ecoou na sala silenciosa, e um suspiro escapou dos meus lábios. Por mais que tentasse manter a compostura, a intensidade daquela humana estava começando a mexer comigo de formas que eu não estava preparado para admitir. Ela era teimosa, impetuosa, mas havia algo nela que me fazia querer dominá-la e, ao mesmo tempo, compreendê-la.
— Ela vai nos dar trabalho — murmurei, deixando minha cabeça repousar contra o encosto da poltrona.
— Trabalho? É lógico que Alice dará trabalho, Darius. Nossa companheira é teimosa, mas você não facilita também. É sempre grosseiro com ela e fez a mãe dela ir parar no hospital. O que esperava? Que ela se jogasse em seus braços? — perguntou Baltazar. Seu tom era firme, mas carregado de uma ironia que não escapava a mim. — Alice é um furacão de teimosia, e você sabe disso — comentou.
Fechei os olhos, buscando o equilíbrio que me escapava. Baltazar não era apenas uma voz na minha cabeça; ele era uma parte de mim, um reflexo dos meus instintos mais primitivos. E, como sempre, ele tinha razão.
— O que você sugere, então? Que eu simplesmente a deixe fazer o que quiser? Que aceite suas demandas sem impor as minhas? — perguntei, minha voz carregada de frustração.
— Não seja tolo, Darius. Você sabe que precisa estabelecer limites. Ela é humana e não conhece nosso mundo. Precisamos proteger nossa companheira. Esse casamento é muito importante; precisamos de Alice para colocar fim nessa maldição e ser nossa Luna. Nossa alcateia precisa dela — falou Baltazar, sério.
Abri os olhos, encarando a sala ao meu redor. As paredes de madeira escura e a decoração elegante pareciam refletir minha personalidade: ordem, autoridade, sofisticação e poder. Alice era o oposto disso. Ela era gentileza, emoção e liberdade. Precisávamos encontrar um meio-termo, mas não ao custo da minha posição.
— Muito bem. Vamos elaborar isso, então — falei, mais para mim mesmo do que para Baltazar. Peguei um papel em branco e uma caneta, deixando as ideias fluírem.
— Consumaremos o casamento. Isso é inegociável. A conexão física é essencial para solidificar nosso vínculo, unindo-nos para sempre e nos deixando mais fortes — comentei.
— Concordo. Mas dê a ela um tempo. Forçá-la de imediato pode ser muito arriscado. Mostre a ela que você é firme, mas também paciente — aconselhou Baltazar, sua voz mais calma agora. Fiz um aceno quase imperceptível. Ele tinha razão, como sempre. Continuei escrevendo.
— Filhos. Esse é outro ponto crucial. Quero herdeiros. E ela precisa saber disso desde o início — falei.
— Quero uns dez filhotinhos correndo por essa casa. Mas não exija isso agora. Espere o momento certo. Deixe-a ter confiança em nós, e então ela aceitará — disse Baltazar. Suspirei, ajustando as palavras no papel. Cada exigência precisava ser clara, mas também estrategicamente colocada para não afastá-la mais. Eu, um rei costumado a exigir, tendo que ficar agradando uma humana teimosa.
— E você acha que dizer que quero dez filhotes não vai assustá-la e fazê-la sair correndo? — perguntei, debochado.



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