POV ALICE.
Após sair do escritório de Darius, senti que precisava de ar, de espaço para processar tudo o que acabara de acontecer. Minhas mãos ainda tremiam enquanto eu me apoiava na parede do corredor, tentando recuperar o controle da respiração.
Darius era intenso, e estar aqui na sua mansão me fazia sentir como se eu estivesse sendo empurrada para uma prisão dourada. As palavras dele ecoavam na minha mente:
— Algumas obrigações de esposa. — Sussurrei.
O que será que ele estava pensando quando falou essa frase? Aquela frase me soava opressiva. Darius era um homem autoritário. Ele queria moldar minha vida conforme as regras dele, e isso me revoltava profundamente.
Caminhei pelo corredor, queria chegar até meu quarto, em busca de algum sossego. Quando passei pela sala de estar, minha mãe não estava. Subi as escadas e fui em direção ao quarto. Assim que entrei, senti um pouco de calma, mas minha mente continuava trabalhando freneticamente. Peguei uma folha de papel na minha bolsa e comecei a escrever, tentando organizar meus pensamentos e decidir como expor a ele minhas regras para esse casamento.
Comecei a escrever minhas condições. Era a única maneira de preservar quem eu era. Ele precisava entender que eu não era uma mulher submissa que aceitaria tudo sem questionar. Se ele queria me dominar, estava muito enganado. Eu era uma mulher simples, sem riqueza e muito refinamento, mas eu era honrada e tinha meus princípios.
Minha liberdade. Isso era inegociável. Não abriria mão da minha independência devido a um casamento forçado. Eu precisava continuar sendo eu mesma. Trabalho na clínica: trabalhar com os animais era minha paixão, minha identidade. Abandonar isso significaria perder uma parte essencial de mim.
Contato físico: eu não suportava a ideia de consumar o casamento sem que houvesse um vínculo real entre nós. Meu corpo era meu, e ele precisava respeitar isso. Mesmo ele sendo tão atraente, eu não vou ceder. Espaço pessoal: dividir o mesmo quarto? Nem pensar. Eu exigiria meu próprio espaço, meu refúgio. E não quero cair em tentação.
Autonomia nas decisões diárias: eu não precisava da aprovação dele para viver minha rotina. Se ele quiser que eu saia com ele? Não vou participar de eventos sociais, forçada. Só se eu quisesse. Eu me recusava a ser exibida como um troféu.
Eu não tenho pressa para filhos. Isso era algo que eu decidiria no meu tempo, se decidisse. A ideia de ter filhos sob pressão me fazia estremecer. E eu não quero filho com aquele mal-humorado. Isso incluiria ter que fazer sexo com ele. Por que estou pensando nisso?
Escrevi cada ponto com determinação, defendendo minha liberdade e regras. Meu coração batia forte, mas não de medo. Era raiva misturada com uma centelha de esperança. Se Darius quisesse que isso funcionasse, ele teria que me aceitar como eu sou. Não estava disposta a me apagar para caber no mundo dele.
Após finalizar a lista, me perguntei como ele reagiria. Darius era um homem orgulhoso, acostumado a ter o controle, a mandar em todos à sua volta. Ele poderia simplesmente ignorar minhas condições, impor as dele e esperar que eu obedecesse. Mas isso não aconteceria. Eu estava pronta para lutar, se necessário.
Aquela batalha não seria fácil, mas valeria a pena. Minha liberdade, minha identidade, minha vida, estavam em jogo. Não permitiria que ninguém, nem mesmo Darius, as tomasse de mim.
Respirei fundo, sentindo um pouco mais de calma. Dobrei o papel com as minhas exigências, colocando no meu bolso da calça e me levantei. Precisava enfrentá-lo, mas, desta vez, expondo todas as minhas condições. Ele precisava entender que não seria o único a ditar as regras.
Antes de sair do quarto, senti a necessidade de encontrar minha mãe. Talvez ela tivesse algum conselho, alguma palavra que pudesse me ajudar a organizar meus pensamentos. Saí do quarto e percorri os corredores da casa. Ao virar no corredor principal, encontrei uma funcionária ajeitando um vaso de flores.
— Com licença. Bom dia, você viu minha mãe? — perguntei, tentando soar casual.
— Mamãe, preciso falar com você. Sozinha — disse, olhando para Agatha com um sorriso educado. Tentando não ser rude, Agatha pareceu hesitar por um momento, mas logo se levantou.
— Vou deixá-las à vontade. Se precisarem de mim, estarei na cozinha. Vou passar algumas instruções sobre o almoço para o chef de cozinha. — Disse. Assim que Agatha saiu, minha mãe se voltou para mim com uma expressão preocupada.
— O que aconteceu, minha filha? Você parece aflita. — Perguntou. Sentei-me ao lado dela, segurando suas mãos.
— Darius e eu conversamos e decidimos que cada um deve fazer uma lista de condições para esse casamento. Eu já fiz a minha e estou muito nervosa. E procurava a senhora para conversar, quando algo estranho aconteceu. Uma funcionária me chamou de Luna. Ela parecia assustada, como se tivesse cometido um erro grave. Aquele nome não sai da minha mente. — Contei para minha mãe.
— Deve ter sido um engano. Talvez ela tenha confundido você com outra pessoa. Não fique preocupada com algo tão sem importância, minha filha. Você precisa focar nas suas exigências. — Disse mamãe, não dando importância ao que a funcionária me disse.
— Não sei… Foi diferente. E o jeito como ela reagiu… Mãe, por acaso a senhora ouviu Agatha falar esse nome? Luna é algum nome relacionado a alguma ex namorada de Darius? — Perguntei.
— Você está interessada nos antigos relacionamentos de Darius? Se não te conhecesse, diria que está com ciúme. — Disse mamãe, rindo divertidamente.
— Não diga besteira, mãe. Eu, interessada naquele idiota, jamais. Isso tudo é apenas um contrato, nada a mais. Nunca terei nada com Darius Moss. — Falei irritada.

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