POV DARIUS.
Continuei trabalhando no meu escritório. Alfa Estevão estava me causando problemas ao norte. Preciso lembrá-lo quem eu sou. Acho que ele esqueceu com quem está lidando ou perdeu o juízo. Distraído entre contratos das empresas humanas e relatórios da alcateia que eram passados por meus betas mentalmente, eu nem percebi que a noite havia chegado.
A noite caiu, trazendo consigo um silêncio que eu apreciava. A mansão estava silenciosa; eu gostava disso, e todos sabiam. De repente, comecei a pensar em Alice. Ela, pouco a pouco, estava invadindo meus pensamentos. Contra minha vontade, o vínculo de companheirismo estava me afetando. Eu não podia admitir que estava começando a gostar dela.
Alice era uma humana única, e sua oposição à minha autoridade me intrigava e irritava em medidas iguais. Ela era diferente de qualquer outro ser que eu conhecera, e essa diferença fazia meu mundo, sempre tão controlado, sair dos eixos. Sacudi a cabeça para tirá-la de minha mente; eu precisava voltar aos meus afazeres.
— Você sabe que logo não conseguirá parar de pensar em nossa companheira. E que isso é inevitável. Por que não aceita logo Alice como sua companheira? — perguntou Baltazar, invadindo meus pensamentos. Eu detestava quando ele fazia isso.
— Você não perde essa mania de ser intrometido? — perguntei, irritado.
— Não quando o assunto também me compromete. Alice também é minha companheira, e eu vivo no mesmo corpo que você. Então, tenho todo o direito de me intrometer quando o assunto é ela — argumentou Baltazar.
— Você não tem direito sobre meus pensamentos. Já conversamos sobre isso. Pensei que tivéssemos um acordo. Mas, desde que Alice apareceu, você está se comportando com muita imprudência e inconsequência — repreendi.
— Você pensa assim porque não aceita o vínculo. Quando aceitar, vai agir pior do que eu. Agora me responda: até quando vai fugir do inevitável? — perguntou ele.
— Baltazar, vai dormir. Tenho muito o que fazer — falei e o bloqueei, não respondendo sua pergunta.
Passei os próximos minutos no meu escritório antes do jantar, revisando o contrato de casamento preparado pelo meu advogado. Ele fez a parte básica do contrato; agora faltava colocar nossas exigências, conforme o que concordarmos. O documento era objetivo e abrangia todos os aspectos de um acordo de casamento.
Eu sabia que Alice teria objeções. Nossa conversa não seria fácil, e isso estava claro desde o momento em que ela saiu do meu escritório com o queixo erguido e os olhos brilhando de determinação. Resolvi que o jantar seria o momento ideal para abordar esse assunto. Precisávamos alinhar nossas expectativas.
Descendo as escadas, o aroma delicioso vindo da sala de jantar me envolveu. Os ômegas, que cuidavam da cozinha, sabiam que eu era exigente com o que comia. De repente, não era mais a comida que ocupava meus pensamentos e si uma certa humana teimosa.
Quando cheguei a sala de jantar, Alice já estava lá, sentada à mesa, ao lado da sua mãe, com as mãos sobre seu colo e uma expressão singela no rosto. Ela vestia algo simples: uma camisa de manga comprida azul e uma calça jeans.
No entanto, havia algo em sua presença que dominava o ambiente. Essa humana está começando a me afetar. Meus pais também estavam presentes à mesa. Aproximei-me e cumprimentei Antônia e meus pais com um aceno. Com Alice, fiz questão de falar:
— Boa noite, Alice. — Saudei, mantendo o tom firme, mas cordial.
— Boa noite, Darius. — Respondeu ela, sem sequer me olhar. Humana folgada, vou lhe ensinar boas maneiras depois do casamento.
Sentei-me em meu lugar habitual, na cabeceira da mesa, observando-a por um momento. Logo os ômegas entraram e começaram a servir o jantar. Começamos a comer, mas Alice mal tocava na comida. Seus dedos se mexiam levemente na borda do prato, denunciando sua inquietação.
— Ótimo. Amanhã de manhã, quero que nos encontremos para discutir essas condições. Traga sua lista — pedi. Ela inclinou a cabeça, me estudando como se tentasse decifrar minhas intenções. Essa humana muda de humor rapidamente. Acho que ela é bipolar.
— E o que pretende fazer com nossas exigências, depois que entrarmos em acordo? — perguntou, arqueando uma sobrancelha.
— Meu advogado preparou um contrato básico. Ele está pronto para incluir as condições de ambos, assim que chegarmos a um acordo — expliquei, mantendo meu tom calmo. — Isso é o mais sensato, não acha? — Perguntei. Ela recostou-se na cadeira, parecendo ponderar minhas palavras.
— E se não chegarmos a um acordo? — perguntou ela, sua voz carregada de ceticismo. Sorri, mas o gesto não chegou aos meus olhos.
— Vamos chegar, porque não há outra opção — respondi, com uma convicção que não deixava espaço para dúvidas. Alice pareceu considerar minha resposta por um momento antes de balançar a cabeça levemente, como se estivesse se preparando para um confronto inevitável.
— Certo. Amanhã conversamos. Mas fique ciente, Darius, que não vou ceder facilmente — avisou ela, seus olhos brilhando cheio de coragem.
— Eu não espero nada diferente de você, Alice — respondi, segurando seu olhar. E era verdade. Qualquer outra resposta dela teria me desapontado.
O restante do jantar transcorreu em silêncio, mas não foi um silêncio desconfortável. Era como se ambos estivéssemos nos preparando para amanhã. Quando ela finalmente se levantou, apenas assenti, permitindo que ela se retirasse primeiro com sua mãe.
Fiquei mais um tempo na mesa, perdido em meus pensamentos. Alice era imprevisível e desafiadora, mas eu sabia que era justamente isso que tornava tudo tão… fascinante nela. Maldito vínculo de companheirismo, pensei.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: O REI ALFA QUE SE APAIXONOU POR UMA HUMANA.