POV ALICE.
O jantar até que foi bom, apesar da pequena tensão. Minha mãe contou que eu não comia carne, e Darius reclamou que eu deveria ter avisado. Eu estava nervosa e ansiosa, sem saber como me portar perto dele. A maneira como ele me olhou quando mencionou o contrato e as exigências me deixou inquieta. Havia algo nele que sempre me tirava do eixo.
Porém, eu não ia permitir que ele tivesse essa vantagem sobre mim. Não deixaria que ele percebesse o efeito que provoca em mim. Saí da mesa de jantar acompanhada da minha mãe. Ela estava cansada e queria se deitar, então a acompanhei até o quarto e fiquei fazendo-lhe companhia.
— Você está bem, minha filha? — perguntou minha mãe.
— Estou nervosa com a reunião de amanhã — falei, sem querer me aprofundar no assunto para não preocupá-la.
— É somente isso? — perguntou novamente.
— Sim, não se preocupe, mamãe. Não quero que a senhora se chateie com esse assunto. Posso lidar com Darius — informei. Minha mãe pegou em minha mão com ternura.
— Vá com calma e não subestime aquele homem. Sinto que ele esconde algo, e que ele não é o que aparenta ser, assim como os pais dele. Há algo muito estranho com essas pessoas. Sinto um arrepio na nuca sempre que estão por perto. Então, seja prudente e fique sempre alerta, minha filha — falou minha mãe com um tom de seriedade, e um arrepio percorreu minha espinha. Nunca a ouvi falar assim.
— Tomarei cuidado, não se preocupe. Agora vamos tomar seu remédio e descansar — falei, entregando-lhe o comprimido. E mudando de assunto. Minha mãe tomou o remédio e se deitou. Pedi sua bênção e fiquei abraçada a ela até que adormecesse.
Assim que saí do quarto da minha mãe, fui para o meu. Entrei, fechei a porta e tirei o papel do bolso. Reli minha lista de exigências mais uma vez, questionando se algo precisava ser ajustado ou reforçado. A verdade é que cada linha representava minha luta por minhas escolhas, independência e identidade. Não seria fácil enfrentar Darius, mas eu sabia que era necessário.
Enquanto me sentava na poltrona próxima à janela, meus pensamentos retornaram ao momento em que a funcionária me chamou de Luna. Por que essa palavra insiste em voltar à minha mente?
A expressão de nervosismo em seu rosto ainda pairava na minha memória. Quem ou o que era Luna? E por que o nome parecia me causar tanta curiosidade e incômodo? Senti Lulu se esfregar em minha perna e a peguei nos braços.
— Oi, garota, como ficou sem mim? Você quer carinho? — perguntei. Lulu miou manhosa e ronronou enquanto eu acariciava seu pelo macio.
— Lulu, aquela palavra “Luna” não sai da minha mente. Sinto que devo investigar mais sobre isso — comentei.
— Mas o que me preocupa mais é a reunião de amanhã, onde discutiremos nossas exigências. Tenho medo de não chegarmos a um acordo, sabe? — falei, enquanto Lulu miava como se entendesse.
Continuei acariciando seu pelo enquanto olhava pela janela para o céu estrelado. Suspirei nervosa e permaneci quieta, ali perdida em meus pensamentos por um bom tempo. Olhei para o meu relógio em cima da escrivaninha e vi que já era tarde. Levantei e caminhei até a cama.
Coloquei Lulu na cama e fui ao banheiro me preparar para dormir. Precisava descansar minha mente para amanhã. Sentia que seria tenso. Enquanto escovava os dentes, pensava nisso. Vesti meu pijama, voltei ao quarto, sentei na cama e me deitei. Lulu rapidamente se acomodou ao meu lado. Gatinha espaçosa. Pensei sorrindo e lhe fazendo carinho.
— Me desculpe, senhorita. Foi um engano — disse ela, com a voz quase um sussurro. — Não vai acontecer de novo — falou, gaguejando.
Antes que eu pudesse insistir, ela se afastou rapidamente, deixando-me com mais perguntas do que respostas. Quem era Luna? E por que ela parecia tão relutante em falar sobre isso? Olhei para minha mãe, sem entender nada. Mamãe sorriu.
— Você foi muito evasiva. Precisa ser mais sutil quando deseja descobrir algo que a outra pessoa não quer comentar — falou com sabedoria.
— A senhora está certa. Acho que a assustei. Serei mais sutil da próxima vez — comentei, sorrindo.
— Você não vai desistir enquanto não obtiver resposta, não é mesmo? — perguntou minha mãe, sorrindo de lado.
— A senhora me conhece. Sabe que sou curiosa — falei e pisquei.
Nos sentamos à mesa e começamos a tomar o café da manhã. Resolvi deixar essas perguntas para depois. Hoje, meu foco estava em Darius e na lista de exigências que definiria os termos do nosso contrato de casamento. Ele não ia gostar do que eu tinha a dizer, mas isso não me importava. Este casamento pode ter sido forçado, mas minha dignidade e liberdade não eram negociáveis.
Com minha lista em mãos, cabeça erguida e disposta a defender meus direitos, eu estava pronta para enfrentar o homem que acreditava poder me dominar. Mal podia esperar para mostrar a Darius que ele estava muito enganado. Mas, primeiro, vou matar minha fome antes da guerra.

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