POV DARIUS.
Minha noite teria sido tranquila, se não fosse Baltazar me infernizando o pensamento com sua ansiedade para amanhecer e assinarmos o contrato de casamento. Baltazar queria ter nossa companheira ao nosso lado e se revelar para ela. Ele acreditava que Alice iria ficar encantada quando soubesse que ele é seu lobinho. Mas tenho minhas dúvidas. Alice ama os animais, mas não sei como reagirá com a revelação do mundo sobrenatural.
Antes do sol nascer, me levantei, tomei um banho, me arrumei e saí do quarto. Cheguei à sala de jantar e fui direto para a cozinha, o que causou um alvoroço nos ômegas que estavam tomando café antes de começar suas tarefas diárias na mansão.
Eles se levantaram assustados e se curvaram. Ômegas são lobos submissos aos mais fortes; eles temem um alfa. Meus ômegas sentem muito medo de mim, mas acho que esse sentimento é normal entre toda a sociedade lycan. Todos me temem e tremem de medo só em ouvir meu nome.
Ser um rei alfa supremo e amaldiçoado traz essa fama. Suspirei, entrando na cozinha. Eu detestava esse fedor de medo. A governanta, um delta, se aproximou e se curvou em respeito. Ela parecia confusa com a minha presença. Geralmente não entro na cozinha.
— Bom dia, alfa supremo. O que vossa majestade precisa? — perguntou a governanta.
— Quero meu café. Aguardarei na mesa de jantar — falei, dando as costas e voltando para a sala de jantar, onde me sentei à mesa para aguardar.
Não demorou muito para meu café aparecer, acompanhado do meu bife mal passado. Ultimamente tenho evitado comer carne mal passada na presença de Alice. Sei que ela e sua mãe iriam estranhar, e eu não estou com vontade de ficar explicando.
Não me demorei para me alimentar. Logo, estava saindo de casa para ir até meu escritório na sede da alcateia. Desde que Alice e sua mãe chegaram, os membros da alcateia estão proibidos de se aproximarem da minha casa. Não quero incidentes. É claro que a traidora da Angélica está curiosa pelo motivo da proibição, mas, por enquanto, a manterei longe da minha casa.
Cheguei ao escritório da sede e fui logo resolver os diversos problemas do reino. Tenho que viajar para lidar com uma disputa de irmãos gêmeos alfas que estão brigando pelo posto de alfa da alcateia deles, fora as denúncias de maus-tratos a lobos ômegas que tenho recebido de algumas alcateias mais tradicionais e paradas no tempo.
Já proibi essas barbaridades com os ômegas, mas é difícil mudar a mentalidade de lobos mais velhos que só conhecem o uso da força e tratam tudo com brutalidade. Passei um e-mail para o alfa, pai dos gêmeos, informando que, daqui a vinte dias, irei à sua alcateia. Mandei também um aviso para as alcateias que estão sendo denunciadas por maus-tratos: que sigam as regras ou sofrerão as consequências. Após uma hora, voltei para casa. Era hora de lidar com Alice.
Quando entrei no escritório, Alice já estava lá, sentada no sofá, com sua postura ereta e seu olhar gentil. Havia algo nela que me intrigava, uma mistura de determinação e vulnerabilidade que me fazia querer entendê-la, mesmo que isso me irritasse profundamente.
— Vejo que chegou cedo — comentei, fechando a porta atrás de mim e me aproximando da mesa, tirando minha lista da gaveta.
— Não gosto de perder tempo, Darius. Vamos direto ao ponto — respondeu Alice, segurando um envelope que, presumo, conter suas exigências.
Sentei-me na poltrona em frente a ela, colocando minha própria lista sobre a mesa. Por um momento, nós apenas nos encaramos, avaliando mutuamente. Eu podia sentir o peso da tensão no ar, e Baltazar não perdeu tempo em intervir.
— Seja paciente, Darius. Não transforme isso em uma batalha desnecessária — sussurrou Baltazar em minha mente. Ignorei-o por enquanto. Alice parecia pronta para lutar, e, admito, havia algo fascinante em sua ferocidade.
— Você está lidando com uma humana que não é submissa. Encontre um meio-termo, ou isso vai acabar em desastre — advertiu Baltazar. Respirei fundo, tentando conter a frustração. Alice não era apenas teimosa; ela era inflexível, algo que eu não estava acostumado a enfrentar.
— Alice, nós dois precisamos ceder se quisermos que isso funcione. Você pode ter seu espaço, mas há limites. Dividir o mesmo quarto não é negociável — declarei.
— E eu não vou abdicar disso — retrucou ela, com a voz subindo um tom. Eu podia ver o brilho desafiador em seus olhos. — Você quer controle, mas não vai tê-lo às custas da minha liberdade.
— Liberdade? Você está exagerando. Tudo o que peço é que aceite as responsabilidades que vêm com esse casamento — rebati. Alice se levantou abruptamente, os punhos cerrados.
— Responsabilidades? Ou obediência? Porque são coisas bem diferentes, Darius — acusou ela. Levantei-me também, aproximando-me dela. Estávamos tão próximos que eu podia sentir o calor da sua respiração acelerada.
— Talvez se você parasse de ver tudo como uma batalha, entenderia que não estou tentando te controlar, mas sim fazer isso funcionar — falei, bem próximo do seu rosto, olhando-a diretamente nos olhos.
— E talvez se você parasse de ser tão arrogante, entenderia que não pode me moldar à sua vontade — respondeu ela, com a voz baixa, mas cheia de raiva contida, enquanto me olhava ferozmente.

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