POV ALICE.
Saí do escritório com passos firmes, mas não apressados. Cada passo ecoava a confusão dentro de mim. O toque quente da mão dele ainda parecia latejar na minha pele, como uma fagulha que se recusava a apagar. Minha mente fervilhava com tudo o que havia conversado com Darius.
As palavras dele ainda ecoavam na minha cabeça, cada frase impregnada de intenção, cada olhar mais intenso do que eu estava preparada para suportar. Apertei as mãos contra o corpo, tentando afastar o calor que ainda teimava em pulsar na minha pele, resultado daquele aperto de mãos. Como ele ousava? Como meu corpo ousava reagir daquela forma? Não era minha culpa, era dele.
— Como Darius ousa? Como pode me deixar assim? — pensei, cerrando os punhos.
— Isso é patético, Alice — murmurei para mim mesma.
Subi as escadas apressadamente, ignorando as decorações luxuosas que pareciam zombar de mim. Tudo aquilo era dele, cada centímetro daquele lugar representava a autoridade que ele exercia sobre minha vida agora. A ironia de estar subindo para um quarto que ele exigiu que compartilhássemos me fazia querer gritar.
Não queria que minha mãe me visse assim, com os pensamentos bagunçados e o coração descompassado. Ela já tinha problemas suficientes sem precisar lidar com minha instabilidade emocional.
Já era ruim o suficiente para minha mãe que eu estivesse me entregando àquele casamento forçado para protegê-la. Eu precisava me recompor antes de vê-la. Não podia deixar que ela percebesse como eu estava arrasada por dentro. Ela já tinha preocupações demais com a própria saúde.
Os corredores da casa pareciam intermináveis, e, a cada passo, minha frustração aumentava. Meu olhar vagava pelos quadros nas paredes, pelas janelas altas que deixavam a luz do início da manhã entrar, mas não conseguia apreciar a beleza ao meu redor. Meus pensamentos estavam em tumulto. Era tudo tão bonito, tão perfeito e tão sufocante. Aquela casa não era meu lar. Nunca seria.
Mas o problema maior era aquele homem. Ele não era apenas um tirano que havia arrancado minha casa e mudado minha vida de forma irrevogável. Ele era… bonito. Bonito de uma maneira que fazia meu corpo se rebelar contra minha mente. Fechei os olhos por um segundo, tentando afastar a memória do toque quente dele na minha pele.
— É só falta de sexo — pensei, enquanto me xingava mentalmente por sequer considerar isso como explicação.
Cheguei ao quarto e fechei a porta com mais força do que pretendia. O barulho foi suficiente para assustar Lulu, que deu um salto e me encarou com olhos arregalados, soltando um miado agudo de reclamação.
— Miau! — protestou Lulu, sua cauda se eriçando enquanto me olhava.


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