POV ALICE.
— Pare com isso! Eu não estou começando a gostar de Darius. Isso seria… seria loucura! Ele mudou minha vida tranquila, está me obrigando a esse casamento. Eu não sinto nada por ele. — Pedi. Ela permaneceu em silêncio, me encarando com aqueles olhos penetrantes. Era quase insuportável.
— Eu não quero sentir nada por ele, Lulu. Ele virou minha vida e a da mamãe de cabeça para baixo. Ele me tirou da minha casa, da minha rotina. Está me obrigando a casar, mesmo que eu tenha concordado. Não é justo… — Minha voz saiu baixa, quase um sussurro. Encostei a cabeça no travesseiro, encarando o teto.
Lulu se aproximou, se aninhando ao meu lado, sua presença reconfortante. Passei os dedos pelo seu pelo macio, tentando acalmar minha mente.
— Lulu, pare de me olhar assim — implorei, cobrindo o rosto com as mãos.
— Você não entende. Eu não posso… Eu não vou sentir nada por ele. — Comentei. O silêncio da gatinha foi a resposta mais condenatória que ela poderia ter dado. Soltei um suspiro pesado e virei de lado, abraçando um travesseiro.
— Isso vai passar — murmurei, mais para mim mesma do que para Lulu. — Tem que passar. Porque, se não passar, eu não sei o que vou fazer.
Fechei os olhos, tentando afastar a imagem de Darius da minha mente. Mas era difícil. Muito mais difícil do que eu queria admitir. Como se minha mente, traiçoeira, insistisse em guardar cada detalhe: o tom de voz dele, como ele me olhou, o calor de sua mão. Cada fragmento permanecia, recusando-se a desaparecer. Deve ser algum feitiço.
— Devo estar ficando louca — murmurei, olhando para Lulu, que agora lambia a pata como se fosse a criatura mais indiferente do mundo.
— Sério, que estou aqui conversando com uma gata, como se você fosse me dar respostas. Você não tem ideia do que está acontecendo na minha cabeça, tem? — Perguntei, quase rindo de mim mesma. Lulu simplesmente ergueu a cabeça e me olhou como se me compreendesse, e foi como se dissesse: “Claro que tenho.”
Dei um leve sorriso, mas antes que pudesse continuar com meus devaneios, ouvi uma batida na porta. O som me fez congelar por um momento, e então suspirei profundamente, tentando reunir forças.
— Entre — falei, minha voz carregada de exaustão. A porta se abriu lentamente, revelando minha mãe. Seu olhar preocupado me atingiu como um golpe. Levantei-me imediatamente, indo até ela.
— Mãe! O que a senhora está fazendo aqui? A senhora devia estar descansando — falei, auxiliando-a a se sentar na poltrona perto da cama.
— Eu é que deveria lhe perguntar o que está acontecendo, Alice — respondeu ela, sua voz suave, mas firme. — Você está trancada aqui nesse quarto após conversar com Darius. Não veio me contar como foi. Algo aconteceu, não foi? — Perguntou mamãe. Tentei desviar o olhar, mas sua expressão preocupada me impediu. Ela me conhecia bem demais.
— Não aconteceu nada, mãe. Só estou… cansada. — Minha voz saiu baixa, quase inaudível. Ela suspirou, cruzando seus braços.
— Alice, eu sei que algo está errado. Desde criança, toda vez que algo te incomodava, você se trancava no quarto, achando que poderia esconder de mim. Você esqueceu de que sou sua mãe? Que te conheço melhor do que qualquer um? — disse ela, com um leve sorriso triste.
— Não o estou defendendo, mas devo ser justa. Eu não gosto de Darius por ele comprar nosso sítio. Mas não posso ser injusta o acusando de algo de que ele não tem culpa. — Comentou mamãe.
— Estou muito confusa, mãe. — Falei, suspirando.
— Alice, os sentimentos não são tão simples assim. Às vezes, eles surgem onde menos esperamos. Mas se você está tão certa de que não sente nada por ele, por que isso está te incomodando tanto? — perguntou ela, com uma suavidade que apenas me fez sentir ainda mais exposta.
Não consegui responder. As palavras dela ecoavam na minha mente, cada uma carregada de uma verdade que eu não queria admitir. Finalmente, baixei o olhar, incapaz de encarar seus olhos penetrantes e sábios.
— Eu não sei, mãe. Não sei mais o que pensar. — Minha voz saiu como um sussurro, quase inaudível. Ela suspirou, passando a mão pelo meu cabelo como fazia quando eu era criança.
— Vai ficar tudo bem, minha filha. Você vai descobrir o que realmente sente. E, quando descobrir, eu estarei aqui para você. Sempre. — disse ela, com um sorriso suave.
As palavras dela trouxeram uma estranha sensação de conforto. Talvez ela estivesse certa. Talvez eu precisasse de tempo para entender tudo. Mas, por enquanto, tudo o que eu sabia era que minha mente continuava uma bagunça, e Darius era o centro de tudo.

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