POV DARIUS.
Enviei um e-mail para meu advogado, com as informações e exigências que Alice e eu acordamos. Doutor Bruno era um excelente advogado e leal a mim, além de ser um lobisomem. Ordenei que o documento estivesse pronto até essa noite. Quero dormir hoje já casado com Alice e, amanhã, poder retornar à normalidade da alcateia.
Respirei fundo, tentando afastar Alice de meus pensamentos. Aquela teimosa não queria sair da minha mente. E aquela reação que meu corpo teve quando nos tocamos? Eu não posso começar a gostar dela agora. Se o vínculo de companheirismo me dominar, perderei o foco no que é importante para a alcateia.
Preciso quebrar a maldição. O dia da minha transformação está chegando, e eu posso sentir a besta mais forte dentro de mim. Ela quer Alice e reage à sua presença. Posso sentir algo fraco vindo dela. Baltazar não sabe, mas sinto a presença da besta infernal em mim desde que Alice apareceu em minha vida.
Antes, eu só a sentia quando estava próximo à transformação, mas agora ela se torna constante. Tenho que travar uma batalha para mantê-la aprisionada. Preciso ser forte. Tentei esquecer aqueles pensamentos antes que Baltazar começasse a bisbilhotar. Então, lembrei-me de como a negociação com Alice foi mais intensa do que deveria ter sido.
Alice é teimosa, e algo em mim… gosta disso. Talvez esse sentimento venha de Baltazar, pois nunca gostei de seres teimosos, petulantes e indisciplinados, tudo que Alice é. Não posso me permitir sentir algo por ela; isso é uma fraqueza que será usada por meus inimigos contra mim.
Voltei a concentrar-me nos assuntos da alcateia: documentos, estratégias, reforços de segurança. Esse reino está cada dia mais problemático. Precisão e controle eram meus aliados, e eu não tolerava erros. Minha organização sempre era impecável, mas algo não parecia certo.
Desde que Alice e sua mãe, Antônia, chegaram, o ambiente mudou, e minha própria mente estava mais tumultuada do que de costume. A presença de Alice mexia comigo de formas que eu ainda não entendia. E a alcateia teve que mudar sua rotina por causa delas. Não vejo a hora de me revelar para Alice. Uma batida na porta interrompeu meus pensamentos. Minha voz ecoou fria pela sala:
— Entre. — Falei irritado por estar sendo perturbado. A porta se abriu, e Angelica surgiu com um sorriso sedutor e um brilho nos olhos que demonstrava sua intenção ali. Meu corpo ficou tenso no mesmo instante.
— O que essa traidora está fazendo aqui? — Baltazar questionou, sua voz grave vibrando em minha mente.
— Com certeza veio espionar e descobrir informações sobre nossas hóspedes. Angelica já deve ter sentido o cheiro de Alice e agora sabe que são humanas. — Comentei, irritado com a invasão ao meu território.
— Vamos expulsar essa vadia daqui. — Falou Baltazar, rosnando entre dentes.
— Calma, Baltazar. Não podemos deixar que ela perceba que sabemos de sua traição. Devemos tratá-la como sempre tratamos. — Respondi, minha própria raiva fervendo sob a superfície, mas mantendo meu controle. Ele grunhiu, descontente, mas concordou:
— Você está certo. — Disse. Fitei Angelica com frieza, meu olhar penetrante, controlando cada músculo para não revelar o que sentia de verdade.
— O que você quer aqui, Angélica? — Perguntei, seco, sem rodeios. — Eu não a chamei e não estou com humor para visitas. — Falei, rude.
— Bom dia, vossa majestade suprema. Vim conversar sobre os suplementos do hospital. — Respondeu ela, inclinando a cabeça de maneira quase submissa, mas eu sabia que aquilo era encenação. — Estamos precisando de algumas coisas, e achei melhor trazer diretamente a vossa majestade suprema. — Disse, com tom gentil.


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