POV ALICE.
Terminei o café da manhã em silêncio, acompanhando minha mãe de volta ao quarto. Não vi Darius nem seus pais no café, o que era estranho, mas talvez seja melhor assim. Não queria encarar Darius, muito menos responder às perguntas dos meus sogros. Por que estou chamando eles de sogros? Me perguntava.
Agora que eu sabia que todos nesse lugar eram lobisomens, eu estava perdida em como agir. Esse mundo sobrenatural era algo completamente insano para mim, e o fato de minha mãe e eu estarmos no meio de um bando de lobos era no mínimo aterrorizante.
Minha mãe, cansada de andar e subir escadas, deitou-se assim que chegamos ao quarto. Cuidei para que ela ficasse confortável na cama, ajeitando o travesseiro e cobrindo-a com carinho. Fiquei ao seu lado até ela adormecer, respirando calmamente. Depois, chamei Lulu para ficar de olho nela.
— Lulu, por favor, vigie minha mãe enquanto eu estiver fora. E nada de ficar transitando por aí. Todos aqui não são normais e acredito que não curtam gatos. Não quero que alguém te capture e te leve para longe de mim. Então, cuidado e fique aqui no quarto com minha mãe. — Falei e Lulu miou como se concordasse.
— Obrigada, Lulu. Vou comprar um presente para você. Que tal um brinquedinho para você se distrair? — Perguntei.
Lulu chiou como se não tivesse gostado. O que será que ela queria, talvez comida? Me perguntava. Acho que Lulu está entediada. Mas tarde eu a levarei para passear no jardim. Acariciei sua cabeça, lhe fazendo carinho. Peguei minha bolsa e saí. Desci até o andar de baixo, mas não havia ninguém por lá.
A casa estava estranhamente silenciosa. Decidi aproveitar e sair da mansão. Ao passar pelos seguranças na entrada, percebi seus olhares atentos. Continuei andando, mas fui interrompida por um homem enorme, com mais de dois metros de altura, que parou bem à minha frente. Olhei para ele, me sentindo incrivelmente pequena com meu um metro e sessenta.
— Poderia me dar licença para que eu possa passar. — Pedi com educação. Ele arqueou a sobrancelha e me observou sério.
— A senhora tem autorização para sair? — perguntou ele, a voz grave e firme.
— O quê? — perguntei, sem acreditar no que havia acabado de ouvir. Como assim, preciso de autorização? Me perguntava.
— O senhor Moss não nos deu nenhuma ordem para deixá-la sair — disse ele, cruzando seus braços como se fosse uma muralha intransponível. A revolta cresceu em mim como um fogo.
— Eu não preciso de autorização de Darius para sair de casa! — rebati, com a voz firme. O lobo me olhou sem se abalar.
— Não posso deixá-la sair sem a autorização do chefe. — Comunicou.
— Me impeça, então — desafiei, passando por ele com o queixo erguido.
Percebi que ele ficou tenso, passando a mão no cabelo com um gesto nervoso e rosnou. Talvez ele não tivesse permissão para me tocar. Outros seguranças também estavam visivelmente desconfortáveis, mas não ousaram me impedir. Passei por todos eles e finalmente saí da propriedade da mansão, caminhando pela estrada asfaltada.
O lugar me surpreendeu. Era incrivelmente bonito e bem projetado. As casas eram modernas, algumas pareciam saídas de um filme futurista, mas ainda assim tinham um toque contemporâneo. Fiquei encantada. Conforme caminhava, comecei a encontrar algumas pessoas, ou melhor, lobos. Todos me olhavam surpresos, farejavam o ar e se afastavam. Comecei a me perguntar se estava fedendo.
— Angélica, como ousa tentar atacar minha esposa? — rugiu Darius, sua voz reverberando pelo ambiente. A loba arregalou os olhos, visivelmente assustada. Outros lobos ao redor se afastaram, mantendo uma distância segura.
— Darius, você só pode estar de brincadeira! — retrucou Angelica, mas sua voz tremia. Com um movimento brusco, Darius a jogou no chão, seu corpo parcialmente transformado, as presas e garras expostas. Ele rosnou novamente, sua voz cheia de autoridade.
— Como ousa se dirigir a mim assim? Sou seu rei alfa supremo! Se dirija a mim, com mais respeito! Quero que você e todos escutem bem: Alice é minha esposa e companheira. Todos a devem obediência, e quem ousar desrespeitá-la ou ameaçá-la, ou machucá-la será punido severamente com a morte. Vocês entenderam? — Ele declarou, sua presença tão imponente que me faltou ar.
Senti algo estranho. Meu corpo reagiu inesperadamente àquela demonstração de poder, fiquei excitada. Meu rosto ficou quente. Merda! Eles podem sentir meu cheiro de excitação. Que vergonha! Pensei, desesperada.
Darius olhou para mim, arqueando uma sobrancelha. Ele havia sentido. Claro que sentiu. Que humilhação! Ele voltou sua atenção para os outros lobos.
— Saiam daqui! Vocês não têm trabalho a fazer? — rugiu ele.
Todos saíram praticamente correndo, inclusive Angélica, mas não antes de me olhar com um ódio que me deu calafrios. Essa loba vai me dar trabalho, pensei, enquanto a observava se afastar. Quando voltei meu olhar para Darius, ele me encarava de braços cruzados, visivelmente irritado. Engoli em seco, sentindo um frio na espinha.
— Acho que estou encrencada — pensei, tentando não demonstrar o pânico que sentia.

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