NOLAN
Ele pressionou o ouvido contra a porta, mas não ouviu mais nada.
Em seguida, bateu. Nada de novo.
Sem pensar, ele empurrou de leve a porta, que se abriu.
Yena estava esparramada na cama, com um lençol branco enrolado em volta de suas várias curvas. Ela estava falando enquanto dormia.
“Evan…", sussurrou ela.
Nolan ficou tenso. Ela estava sonhando com o menino — o irmão dela.
O coração dele acelerou e começou a martelar de novo no peito.
“Onde você colocou…”, continuou Yena, com sua voz suave e sonolenta, “Os chocolates… Onde estão meus chocolates?”
Nolan abafou o riso.
"Garota comilona", sussurrou ele.
Uma brisa soprou pelo corredor e entrou no quarto. Yena estremeceu de frio, apesar de ter continuado dormindo.
Amontoada no chão, havia uma coberta que tinha caído da cama.
Ele acenou com a mão, e ela deslizou de volta para a cama, cobrindo a garota.
O corpo dela relaxou, e a respiração ficou mais regular e tranquila.
Nolan se permitiu olhar para o rosto macio e redondo dela por um pouco mais de tempo. Em seguida, ele se virou e saiu, fechando as portas atrás de si sem fazer barulho.
Teria sido tão fácil deixar o lobo assumir o controle.
A cama estava logo ali.
Ele ficava verdadeiramente assustado com o quanto desejava essa garota e não tinha certeza do que seria capaz de fazer perto dela.
Nolan encostou na parede, ao lado da porta, e pensou nas curvas do corpo dela. Tudo o que ele queria fazer era tocá-la...
Ele voltou para o próprio quarto e se trancou lá dentro.
#
YENA
Acordei com o estômago roncando.
Vesti-me, saí do quarto e, quando desci as escadas, deparei-me com uma linda vista esperando por mim na sala de jantar: uma grande mesa cheia de comida de aparência deliciosa.
Panquecas, frutas, e um pequeno jarro de xarope... Bacon, ovos e tomates fritos.
Talvez eu tivesse sonhado exatamente com esse café da manhã ontem à noite.
O cômodo estava vazio até eu me sentar, momento em que uma criada entrou. Ela me serviu uma xícara de café fumegante de um bule de ouro.
Enquanto ela se afastava, notei que havia um pequeno prato na mesa coberto por uma tampa.
Abri-o e descobri que ele estava cheio de trufas de chocolate.
Sorri.
Era isso que estava faltando. Uma pequena delícia dessas estava começando a fazer esse negócio todo de princesa parecer uma coisa boa de verdade.
Quando a criada voltou, perguntei se ela sabia se o príncipe estava no palácio. Ela me disse que ele tinha ido à cerimônia de inauguração do novo orfanato de lobisomens. Ele havia saído cedo, antes de o sol nascer.
'Graças à Deusa', pensei.
Permiti-me relaxar e aproveitar de verdade o banquete à minha frente.
Estava tudo incrível. As frutas estavam absurdamente frescas. O bacon estava perfeitamente crocante.
Mas, apesar de eu finalmente me sentir revigorado após consumir algumas calorias, um pouco de açúcar e cafeína, meu cérebro estava me torturando, repetindo a vergonha que passei na noite anterior várias vezes em minha mente.
Como eu odiava Lily.
Rezei para que Nolan de alguma forma esquecesse tudo aquilo.
Mas era óbvio que ele não esqueceria. Talvez ele pegasse leve comigo, ou então pelo menos fingisse que não se lembrava.
Lily sentiu minha raiva e prometeu que nunca mais tentaria tomar controle de mim sem minha permissão.
Então, ao menos isso não aconteceria de novo... Eu esperava.
Depois do café da manhã, a diaconisa me encontrou. Foi aí que meu momento de paz e de luxo acabou, porque ela me levou para praticar etiqueta em outra ala do palácio.
A manhã se tornou desagradável a partir desse momento.
O nome da diaconisa era Rafaela. Ela tinha olhos grandes e redondos, que faziam parecer que ela estava sempre com pressa.
A primeira coisa que fizemos foi praticar diferentes tipos de reverências. Havia algumas que eram para ser usadas especificamente com determinadas pessoas, como por exemplo quando eu visse o rei Lycan e a rainha Luna.
Eu quis argumentar que eles seriam meus sogros. Será que eu nunca poderia ser eu mesma perto deles?
Isso fez com que Rafaela arregalasse aqueles olhos que já eram grandes. Aparentemente, minha ignorância a respeito dos costumes da realeza era extremamente ofensiva. Depois disso, ela foi ainda mais chata e exigente com o meu desempenho nas aulas.
Ela me disse que a última coisa que eu precisava fazer era me arrumar para almoçar com Nolan e a Luna.
Engoli em seco. Isso provavelmente não seria divertido.
Fomos a um quarto de vestir, e ela me trouxe um vestido branco com bordados florais nas mangas longas e esvoaçantes dele. Fiquei aliviada ao ver que aparentemente serviria em mim.
Rafaela me empurrou para trás de um biombo de madeira e mandou que eu me despisse enquanto ela preparava o vestido. Eu lhe disse que podia me vestir sozinha, pois já era uma mulher adulta.
Ela começou a me repreender, como parecia ser um hábito de todos no palácio, quando um dos assistentes do príncipe abriu a porta e entrou.
Acho que a diaconisa estava tão concentrada na bronca que não ouviu a porta. Ela deu um pulo quando ouviu a voz do homem parado ao lado dela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Rei Alfa quer se casar comigo!?