“Pode parar por aí”, interrompeu Tina. Ela pousou minha xícara de café à minha frente, na mesa, um pouco forte demais. Uma parte do chantilly que estava em cima escorregou e começou a escorrer pela lateral.
"Peter, você não vai vender nossa filha pra pagar uma dívida", declarou ela, encarando-o com raiva.
“Tá tudo bem”, respondi, estendendo a mão para Tina, que se afastou.
"Não tá tudo bem", retrucou Evan.
Eu já estava segurando o cartão de visitas dourado e o celular.
"Mas a escolha não é minha, no fim?", perguntei. Isso fez com que eles se calassem.
Por fim, liguei para o número no cartão.
Enquanto eu ouvia os toques, respirei fundo algumas vezes e tentei preparar minhas falas. Contudo, as coisas não aconteceram como eu planejava: assim que o príncipe atendeu, comecei a falar antes mesmo que ele pudesse dizer "alô". As palavras simplesmente escaparam de minha boca.
“Olá, Nolan! Quero dizer, Vossa Alteza! Mudei de ideia e sinto muito pelo que eu disse ontem à noite. Se você ainda quiser, podemos nos casar, mas primeiro preciso da sua ajuda com uma coisa. Bom, vou direto ao ponto: preciso de dez milhões de dólares. Hoje mesmo."
Fiquei sem fôlego e tive que respirar fundo. Segurei com força o celular contra meu ouvido e esperei. Meu cérebro imaginou todas as maneiras diferentes como ele poderia responder ao que eu disse, tudo em mais ou menos dois segundos.
Todavia, não foi a voz de Nolan que ouvi, foi o secretário dele.
"Olá", respondeu o homem, todo profissional. “O príncipe está ocupado no momento. Mas vou transmitir sua mensagem a ele ainda hoje."
“Ah”, respondi, ao mesmo tempo aliviada e envergonhada por ter acabado de dizer tudo isso para alguém que não era Nolan. "Ok. Obrigada."
Desliguei a ligação, sem conseguir imaginar como o príncipe responderia à minha mensagem.
Tina estava atrás de mim, de braços cruzados, e continuava olhando feio para Peter, que parecia exausto e com os cabelos um pouco mais grisalhos do que o normal, como se tivesse envelhecido dez anos nas últimas doze horas. Evan estava em um canto afastado da cozinha, encostado no balcão, mal-humorado e calado.
Pousei o celular na mesa da cozinha e bebi um gole de café enquanto esperava.
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NOLAN
O príncipe estava reprimindo muitos sentimentos; ainda mais do que o normal.
Ele estava mentindo para todos, inclusive para si mesmo. A história que havia preparado para explicar a decisão tão inesperada que tomou estava bem longe da verdade, mas ele não parava de contá-la.
Primeiro, contou-a para a plateia no Baile da Lua Cheia, depois para a garota quando estavam sozinhos.
E repetidamente para si mesmo.
Seu lobo, Kent, tinha voltado a falar com ele pela primeira vez em anos.
O pai de Nolan, o rei, lhe disse havia muito tempo que os jovens Lycans ouviam as vozes de seus lobos, altas e claras nas próprias mentes, quando ainda estavam se acostumando a se transformar. A voz do lobo ia desaparecendo com o passar do tempo, quanto mais os dois lados da alma se tornavam um só. Mas era possível que a voz voltasse a ser ouvida, caso o lobo tivesse algo importante a dizer.
Nolan ainda não havia conseguido aceitar a mensagem de seu lobo. Ele estava tentando ignorá-la, distraindo-se.
O fato era que ele não queria se casar de jeito nenhum, mas era algo que ele precisava fazer; e logo.
E de repente... Yena.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: O Rei Alfa quer se casar comigo!?