YENA
Nós passamos a manhã toda escondidos em casa.
Peter não parava de receber ligações do advogado, dos sócios e dos credores. Ele lhes disse que estava fazendo tudo o que podia, mas que precisava de mais tempo. Apesar disso, eles vieram bater na nossa porta.
Evan saiu trancando todas as portas da casa, e Tina fechou as cortinas de todas as janelas. Os homens batiam sem parar, com muita força, tentando nos fazer ceder e abrir a porta.
Peter falou que não precisávamos ter medo. Ele disse que eles iriam embora se os ignorássemos. Eu tinha certeza de que ele estava errado, apesar de realmente não conseguir imaginar o que aconteceria se continuássemos escondidos lá no escuro.
Peter desligou o celular. Ele ainda não havia contado a ninguém sobre toda a história de ontem. A minha esperança era que ninguém além de nós e do príncipe soubesse que havia rejeitado a proposta dele.
Mesmo assim, não era como se alguém fosse acreditar se contássemos a verdade. Quem acreditaria que uma garota comum — uma plebeia gorda, ainda por cima — não teria aceitado uma oferta do príncipe; uma oferta que ela não merecia nem um pouco?
Olhei para o meu celular, esperando-o tocar a qualquer momento.
Eu estava bastante arrependida, porque só pensei em mim mesma na noite anterior — no que eu queria ou não queria. E Nolan estava sendo tão irritante, tão arrogante.... a atitude dele me deixou com vontade de discordar de tudo que ele dizia, só para colocá-lo em seu lugar.
Por outro lado, eu nem sabia sobre a situação de Peter ontem à noite. Agora que estava ciente dela, era evidente que eu precisava aceitar a proposta dele, já que Peter e Tina me acolheram e cuidaram de mim quando minha mãe morreu e me deixou sozinha no mundo.
Agora, eu precisava aceitar minha responsabilidade e cuidar deles também.
Evan faltou ao treino de manhã. Meu projeto de design, que deveria ser entregue em uma hora, estava no andar de cima, inacabado sobre minha escrivaninha.
Eu estava começando a pensar que não tinha mais chance com Nolan. Ele iria mesmo me ignorar só porque feri seu ego delicado? Parecia que eu tinha desperdiçado uma chance única na vida.
Mas, de repente, a barulheira lá fora aumentou ainda mais, chegando a parecer uma revolta ou algo do tipo. Devia haver umas cem pessoas na rua ou talvez mais, todas perdendo a cabeça.
Reconheci algumas vozes — eram nossos vizinhos, que gritavam conosco de suas janelas e exigiam saber o que estava acontecendo.
Na rua, um carro começou a buzinar repetidamente enquanto se aproximava da casa, obrigando o mar de credores, repórteres e curiosos que estavam ao redor a se abrir e dar-lhe passagem.
Sera, a empregada da família, veio correndo do quarto dos fundos, onde imaginei que ela estivesse se escondendo em silêncio, tentando não se envolver em nossa manhã caótica.
"É o príncipe", anunciou ela, correndo até a janela da frente. Ela abriu a cortina e deixou entrar uma rajada ofuscante de luz solar. Era verdade — podíamos ver a reluzente limusine Rolls-Royce preta, flanqueada pela comitiva de guerreiros Gama que a acompanhava em SUVs pretos foscos.
Evan parou ao meu lado e mantivemos os olhos fixos no que estava acontecendo lá fora.
Até mesmo Tina, que estava insistindo em descontar a fúria em Peter havia horas, parou por um momento e se aproximou de nós por trás, para ver Nolan sair graciosamente da limusine.
Ela sussurrou, em um volume quase inaudível: "Ai, minha Deusa... É ele mesmo."
Em seguida, entrelaçou o braço no meu. Olhei para ela e vi seus olhos ficarem marejados de lágrimas.
Todos que estavam lá fora estavam prestando atenção em Nolan agora. Ninguém estava mais tentando tirar fotos nossas pelas janelas. Eles ficaram em cima do príncipe, tentando passar pelos acompanhantes e guardas que o rodeavam como se fossem uma bolha protetora.
O secretário de Nolan foi direto até os credores e encontrou o responsável entre eles. Então, abriu uma pasta fina, tirou de lá um envelope e o entregou na mesma hora. Eu não consegui acreditar na rapidez com que ele se movimentava. O homem abriu o envelope, examinou o cheque e apertou a mão do secretário. Por fim, ele e cada um de seus associados entraram em seus respectivos carros e foram embora — simples assim.

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