NARRADORA
Sigrid afastou-se de seu tormento possessivo.
Conversariam depois, mas as ondas de malícia vindas de Morgana estavam se tornando insuportáveis.
— Silas, não vamos esquecer que temos uma espectadora. Que vergonha… — Ela se virou para Morgana, lançando-lhe um sorriso torto.
Morgana tremeu por um instante, lembrando-se dos ataques dolorosos daquela mulher. A esperança lhe escapava a cada segundo.
— Muito bem… Vamos acabar com isso…
— Espera! Espera! Eu posso te dar algo em troca, só me deixe viver! Eu vou embora com meus filhos, juro pela Deusa! Todo o feudo será seu, nunca mais me verá! — gritou de repente, jogando toda a dignidade ao chão.
— Está falando do Livro do Risorgimento? — Sigrid perguntou com ironia, observando o rosto crispado de Morgana.
Será que ela realmente acreditava que o mantinha tão bem escondido?
— Eu… eu posso te dar ele…
— Minha senhora não precisa de nada seu. Tudo que há nesta mansão já pertence a ela. Posso matá-la agora? — Silas se virou para Sigrid, claramente impaciente.
— Muito bem, dessa vez não direi que não. — Sigrid assentiu, quase achando que conseguia ver um rabinho imaginário abanando atrás do gigante de cabelos prateados.
Era tão adorável o seu Silas.
Ela pensando em coisas fofas e Morgana gritando como um porco sendo abatido, quando os espectros começaram a cercá-la.
Os sons arrepiantes de risadas macabras e gemidos sombrios faziam Morgana tremer. Aqueles olhos…!
Aquelas órbitas vazias eram ainda piores que os de suas aranhas.
— NÃO! NÃO! SOLTEM-ME! ELECTRA, ME SALVE! SALVE SUA IRMÃ! — gritava desesperada, já misturando maldições com súplicas incoerentes.
Ela tentou conjurar o resto de sua magia, mas esta era brutalmente absorvida pelas criaturas sombrias, infiltrando-se sob suas unhas, corrompendo sua pele e o sangue em suas veias.
Prenderam seus tornozelos e pulsos, esticando-a no ar enquanto línguas escuras lambiam sua pele, violando-a com aquela energia sombria.
— Quebrem-na… pouco a pouco. — A voz grave de Silas ecoou, ordenando com uma autoridade vibrante enquanto se colocava à frente de Sigrid.
Sigrid o observava no meio daquela tempestade de espectros.
Como… como um rei.
O Rei dos Espectros.
Exatamente como seu coração já começava a suspeitar.
Era uma loucura. A Deusa Lua estava completamente insana.
— AAAAAHHHH! — Os gritos de Morgana ecoaram pelo caos.
Seus membros sendo puxados para além do limite.
As articulações se estalando.
Os ossos estalavam.
A pele se rasgava como tecidos esfiapados.
O sangue espirrava no tapete e nas paredes.
Logo, seus braços e pernas foram arrancados, devorados pelos espectros, enquanto ela urrava de agonia, desmembrada.
Seu tronco e cabeça caíram no chão em meio a uma poça de sangue, o corpo tremendo em espasmos.
Se fosse apenas uma elemental, já estaria morta pela dor insuportável.
Sigrid se aproximou sem um pingo de pena.
Essa sádica filha da puta merecia.
— Minha senhora, não se suje seus pés com a imundície dela. — Silas advertiu ao ver o sangue viscoso se espalhando próximo demais dos pés de Sigrid.
— Tem razão. No fim, só preciso da cabeça. — Sigrid deu de ombros como se falassem do clima.
Criada entre os cadáveres de Zarek, não era uma pessoa muito normal.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Rei Lycan e sua Tentação Sombria
Comprei o capítulo e não consigo ler porquê?...
Eu queria continuar lendo...