NARRADORA
Havia uma névoa negra cercando toda a edificação, como uma cúpula gigantesca. Nada podia ser visto além dela.
Ela estendeu a mão no ar e nem mesmo seus dedos eram distinguíveis em meio a tanta escuridão.
Pensou que esse devia ser o famoso escudo de Alessandre. Então, ele veio…
Mas ficou oculto nas sombras da floresta, cada vez mais surpreso, observando, espiando e aprendendo.
— Eu o criei para te proteger. Ninguém pôde sentir o seu poder de Selenia — Silas confessou, pegando-a de surpresa.
— Foi mesmo você?
— Sim, eu sempre vou proteger minha senhora — respondeu ele, inflando o peito. — Você não precisa de mais ninguém.
Sigrid sorriu, sentindo o peito se encher de calor.
Ela começava a entender por que os olhos de sua mãe brilhavam tanto diante da possessividade primitiva de seu pai.
— Uau, meu Silas está tão competente, tão inteligente e confiável — ela murmurou, levando a mão ao rosto dele, acariciando a barba curta.
Os olhos dourados de Silas brilharam, visivelmente satisfeitos.
De repente, ele a beijou.
A ponta de sua língua deslizou pelo lábio inferior dela, lenta e deliciosamente, até sugá-lo com suavidade, mordiscando-o entre os dentes.
O desejo ardia em seus corpos, as lembranças da noite passada vibrando intensamente em suas mentes.
— Fui tão bom… que recompensa minha senhora me dará? — Silas perguntou com ousadia, ofegante contra sua boca, enquanto a magia excitada se infiltrava pelo decote de Sigrid e deslizava sob sua saia, como mãos atrevidas, tocando-a com descaramento.
A Selenia queria dizer que ele não precisava mais chamá-la de “senhora”.
Estava óbvio que ele não era mais seu escravo, mas aquele jogo provocante parecia excitá-los ainda mais.
Ela sabia muito bem que ele fazia aquilo para demonstrar sua total rendição a ela.
— E que recompensa você quer? — desafiou, erguendo o queixo em seu papel de bruxa má.
Mas ao vê-lo lamber os lábios e encará-la com aquele olhar quente e devasso, quase gemeu.
Deusa… Será que Electra ainda está no cio com todos aqueles feitiços pervertidos que absorveu?
— Você sabe o que eu quero — Silas sussurrou, inclinando-se mais, as pontas dos narizes se tocando.
— Quando tudo isso acabar, eu quero te amar de novo. Minha alma sente tanto a sua falta…
O que ela poderia responder a uma proposta tão sedutora?
Recusar? Nem pensar.
Mas, por sorte, ele não esperou resposta.
Silas ergueu a mão e, ao movê-la no ar, o escudo de névoa começou a se dissipar.
Enormes asas negras surgiram de suas costas e ele envolveu a cintura de Sigrid com firmeza.
Ele decolou, alçando voo com uma imponência magnífica.
Sigrid não conseguia parar de olhá-lo, mesmo enquanto se agarrava ao corpo dele.
O aroma picante da magia de Silas invadia suas narinas, provocando arrepios, chamando a sua própria magia, imperativa e dominante, mais forte que nunca… e cheia de sentimentos profundos.
Sigrid observava as casas ficarem pequenas, metros abaixo deles.
O vento noturno acariciava seu rosto, seus cabelos e roupas dançavam no ar.
A lua brilhava intensamente acima, iluminando o caminho até as muralhas do feudo.
"Deusa… Que tipo de jogo macabro está fazendo comigo e com o meu destino?"
Ela se perguntou em silêncio, olhando de soslaio para o homem ao seu lado.
"Salvar um homem belo e sofrido… para mudar o futuro."
A personalidade determinada e orgulhosa dele.
O poder sombrio que domou com sangue e dor. O mestre dos espectros.
Seu passado de escravidão e ódio. As pistas ficavam cada vez mais claras.
Mas então… como explicar a atração que sentiu pelo outro escravo?
A mesma que a fez tomá-lo como alvo.
"Talvez…"
Sigrid se lembrou das sensações daquela noite… parecia que quem estava alterada era Electra.
Será que aquele outro escravo era o companheiro mágico de Electra?
Parecia a resposta mais lógica, embora tudo ainda fossem suposições.
O homem que ela deveria salvar… talvez já tivesse sido salvo por acidente desde o início.
Esse homem… era Silas.
Não deixariam a linhagem daquela bruxa viver.
Elas tramaram a vingança e se voltaram contra aquelas crianças, mesmo correndo o risco de serem punidas pela nova dona do feudo.
Se eu fosse a verdadeira Electra… provavelmente faria o mesmo.
Eu sabia que não podia mudar todo o futuro.
Algumas coisas encontrariam uma maneira de acontecer…
Como o que aconteceu com Drusilla, mesmo com minha intervenção.
E isso me assustava, porque…
Será que eu realmente posso levá-lo comigo?
Isso mudaria tantas coisas…
Mudaria tudo.
— Recuperei muitas memórias… sobre os experimentos de Lucrecia. Posso te contar depois, mas também lembrei de algo importante… algo que quero compartilhar com você — ele sussurrou, apertando-me ainda mais contra o peito dele.
Sua boca roçava minha orelha, sua respiração quente acariciando meu pescoço.
Eu podia sentir o ritmo constante de seu coração forte, martelando contra meu corpo.
— O que… o que você lembrou? — perguntei, quase temendo a resposta, sem conseguir desviar o olhar da imensa lua.
Sentimentos complexos giravam em minha alma.
— Meu nome verdadeiro… O que meus pais elementais me deram… — Ele hesitou.
— Lucrecia me chamou de Gray… por causa da cor do meu cabelo.
— Eu odeio esse nome, mas… depois de tanto tempo sendo chamado assim… acabei esquecendo quem eu realmente sou.
A confissão dele fez o coração de Electra disparar em meu peito.
Meus dedos se fecharam em punhos úmidos e trêmulos.
Eu sabia a resposta… eu sabia…
— E… e qual é o seu verdadeiro nome, então? — mordi o lábio, sentindo meus olhos se encherem de lágrimas.
— Umbros, minha amada Sigrid… — sussurrou, com a voz grave e intensa.
— Meu verdadeiro nome é… Umbros.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Rei Lycan e sua Tentação Sombria
Comprei o capítulo e não consigo ler porquê?...
Eu queria continuar lendo...